sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Saudade

E então,
Tem coisas que
Nos motivam a fugir
Da realidade,
Situações nas quais
Não nos adequamos.
Ocorreu desta forma:
Bebi,
Bebi muito,
Coloquei salto alto,
E dirigi,
Percorri a cidade
E parei na minha própria casa.
Bêbada,
E chorando adormeci
Dentro do próprio carro
Na área da casa.
De repente, acordei
O sol estava forte demais
Eu estava caída
Sobre um campo de flores
Silvestres que percorriam
O chão de um jardim inglês.
Meu irmão
Chegou por trás de mim
E disse:
“Acorda mimada,
Você dormiu bêbada?”
Eu disse.
“Sim”.
E olhei para o seu rosto,
Então, pulei do chão
E o agarrei com toda a alma,
Eu só queria mantê-lo,
Me manter no seu abraço,
Beijar seu rosto
E deixar as lágrimas caírem.
“Eu nunca estive mais feliz “
Falei em prantos.
Então, o puxei do jardim
Para irmos andar a cavalo.
“Vem, vamos cavalgar”.
Eu falei.
“Calma, estou indo”
Ele disse sorrindo.
Chegamos ali estábulo
Pegamos um cavalo,
Ele subiu,
Estendeu a mão para eu,
Me puxou,
E eu subi.
Fui na garupa.
“Andar a cavalo
Nunca foi tão bom “
Eu disse.
E ele gargalhou alto
E mexeu na corda
Que havia no cavalo
E ele correu.
Percorremos o jardim
Na frente do lago,
Fomos mais adiante
Por entre as árvores
E fomos mais longe
Onde descemos
E deixamos o cavalo pastar.
Fomos colher uvas
Na lareira logo em frente,
O cavalo se aproximou
E comeu também as uvas.
“Olha, ele come uvas”
Eu disse.
Meu irmão gargalhou
“Come sim”.
Então, veio um clarão terrível,
Eu pisquei algumas vezes,
Tirei o cabelo do rosto
E me vi em meu quarto
Dormindo sobre a cama
Com uma garrafa de vodka
Ao meu lado.
“Arg”.
Eu disse,
E era nojento,
Derramou o líquido
Sobre o travesseiro,
O cobertor e eu.
Eu sorri contra
A palma da minha mão
E percebi que estava
Bêbada assim que
Respirei meu próprio ar.
“Cadê meu irmão?”
Eu perguntei alto
Enquanto jogava
A cabeça contra o travesseiro.
Fechei os olhos
E forcei o sono,
Dormi outra vez.
Semiacordada,
Eu busquei o cavalo,
Encontrei lá longe
Em minha mente,
Cheguei perto dele
E abracei seu pescoço
Eco beijei
“Fique comigo”
Eu disse a ele.
“Por favor”
E o abracei tão forte
Que me permiti a certeza
De crer que os assim abraçados
Amam este que o abraçou,
Então, concluí
Que este cavalo me amava
E me amando ficaria.
Com está certeza
Corri tirar frutas,
Fui para baixo da parreira,
Me vi de vestido comprido
E tirei muitos cachos de uva.
Então, saí de lá
E vi um lago,
Com patos e peixes,
Fui para a frente do lago
E me sentei,
Retirei as uvas do vestido
E soltei ao meu lado
“Come meu irmão “
Eu falei.
E vi meu irmão chegar ali,
Sorrindo e feliz,
Se sentar e comer.
Nós jogamos as cascas
Para os bichinhos
E eles comiam.
Nós nos abraçamos,
Deitamos para trás
E olhamos o céu azul
De poucas nuvens,
“Eu vou te amar
Pra sempre meu irmão “
Eu disse abraçada a ele.
“Que conversa é essa?”
Ele pediu sorrindo.
“Te amo”
Eu falei.
E o apertei.
Depois saímos e corremos
Atrás um do outro
Jogando uvas e cascas
Nas costas um do outro
“Idiota”
Eu disse.
“Você não me pega”
Ele falou.
E correu,
Correu muito
Até suarmos
Ao redor daquele lago.
Então, houve um barulho
Intenso e ameaçador,
Eu me movi,
Algo feriu meu quadril,
Tudo ficou estranho,
Acordei e a garrafa de vodka
Estava embaixo
Do meu corpo me ferindo
E ainda derramando líquido.
Retirei ela dali
E a joguei fora
Contra a parede,
Ela não pareceu quebrar
Apenas derramou mais
Líquido
E caiu no chão
Fazendo ruído.
Aí eu me levantei,
Corri do quarto,
Fui até a sala,
Fui para a cozinha,
Passei no banheiro,
Fiz xixi,
E chamei meu irmão
“Gilvan? Meu irmão.”
Olhei para fora
Do banheiro
Depois de vestir
A roupa e disse
“Te amo”
Saí do banheiro
E voltei para o quarto
Correndo e atônita,
Me joguei na cama
E busquei o sonho.
Me vi correndo,
Passando por meu irmão
Ao redor do lago,
E voltando,
Três vezes,
Aí o agarrei pelo braço
E o segurei
“Meu irmão”
Eu disse.
“É”
Ele falou.
“Vamos tirar laranjas”
Falei,
Ele subiu na árvore alta,
Chegou lá na ponta,
Retirou as frutas e jogou,
Eu as segurava,
As soltei no chão,
A espera de outras,
Quando tínhamos muito
Eu disse.
“Agora desça”
E ele desceu
No final
Eu ofereci minha mão
Para ajudar e ele aceitou,
Nos sentamos comer laranjas,
Depois fomos andar a cavalo,
E seguimos,
Nisto acordei outra vez.
Passaram-se muitas horas
Depois de eu ter bebido
Tanto e dormido embriagada,
Peguei o carro
E levei um maço de flores
Para ele no cemitério.
Abri o portão,
Retirei as flores
De dentro do carro,
Eu sempre tenho
Flores comigo,
Cheguei em sua lápide
Me ajoelhei ao lado
Enquanto soltava as flores
E disse
“Meu irmão,
Eu te amo”.
De alguma forma
Sinto que ele ficou feliz,
Me senti satisfeita
Pelo fato de ele saber
Que o amo
E se houvesse qualquer forma
De trazê-lo de volta,
Eu o traria.
Adormeci sobre a lápide,
Acordei e busquei ele,
“Meu irmão?”
Eu disse.
Mas ele não falou.
A morte silencia
As palavras.
“Eu te amo”
Disse outra vez,
Depois disso,
Beijei sua lápide.

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