segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Solitário

Quando você está morto,
Você sabe disso,
É como estar vivo,
Você sabe,
Simplesmente.
Eu senti dor,
Eu me vi despedaçar
Em uma dor inesperada
E lancinante,
É como se eu estivesse
Sendo perfurado
Por algo...
Um tiro?
Não,
Facas?
Mais afiadas que isso...
Não.
Eu estava deitado
Sobre a minha cama,
Então, fechei os olhos
Para buscar o motivo
De tanta dor
E a perda inexplicável,
Irreparável.
De quê?
De mim mesmo.
Eu cedia a dor
Minhas últimas lágrimas,
Eu entregava meu coração
Mas não adiantava,
Eu gritei sem querer,
O grito surgiu de dentro
Como um urro
E ganhou os ares,
E foi buscar.
Então, eu chamei:
“Rahat?”
Ele não respondeu,
Aonde estaria o meu irmão?
A dor em meu peito
Ardeu e gemeu,
Soluçou
E parou.
Meu coração pulsou
Pela última vez,
Então forcei meus olhos
E ele voltou a bater,
Aí ouvi Rahat me chamar
De longe,
Muito longe,
Distante.
Uma voz chorosa
E cheia de dor
Como nunca senti,
Soluçante.
“aonde você está?”
Eu pedi,
Então a dor cessou.
“Estou onde a dor é silenciosa”.
E eu soube,
Rahat morreu.
Meu irmão gemeu
Se foi.
Eu soube
Da mesma maneira
Que gêmeos sabem
Um do outro,
Eu só soube
E entendi que não
Adiantava mais sentir
Dor.
Então, me olhei
E me vi sangrando,
Com diversas feridas,
Com muita dor e choro,
Um sorriso querendo brotar
Do meu rosto,
Era um adeus.
Vi mais um pouco,
Vi um carro,
E vi o carro deslizar
Para uma ribanceira,
E me vi ser esmagado,
Então, fechei os olhos
E não vi mais nada.
Eu estava em meu quarto,
Rahat estava dirigindo,
Caiu na ribanceira
E morreu de dor,
Sofrendo e sangrando:
“Me prove que devo
Desistir de você “
Eu disse.
As lágrimas brotaram
Do meu rosto feito flor
E se derramaram
Sobre o travesseiro,
Do lado da minha cama
Surgiu uma flor.
Eu pulei até ela
E gritei:
“você está no jardim?”
Eu sabia aonde era,
Nós fomos juntos
Lá para passar
E ver os pássaros,
Eu sabia onde estava,
Eu poderia ir buscá-lo.
“Eu vou te buscar”
 Então, surgiu no chão
Onde eu corria
Um relógio sujo de terra,
O relógio de mamãe,
E eu ouvi como um sussurro
Um “não” soluçando
No peito.
Rahat estava com
Nossa mãe,
Que foi enterrada
Dez anos atrás,
Rahat não estava
Entre nós,
Eu ajuntei o relógio
E trouxe ao meu peito,
Mas quis correr,
Mesmo que não tivesse
O que fazer,
Eu corri com aquele
Relógio como se pudesse
Parar o tempo e corri
Mais como se fizesse
Retroceder o tempo...
Mas, não,
Rahat estava lá
Próximo ao jardim
Preso dentro do carro batido,
Rahat estava imóvel,
O sangue começava a secar,
Ele partiu para perto
De nossa mãe,
Não me levou,
Mas, teve tempo para
Me contar,
Depois foi,
E eu, de certa forma,
Não me sinto aqui comigo...

Condenada

Eu a encontrei no
Início do porão,
A escada estava
Em chamas,
Seu rosto reluzia
Por entre o fogo.
Eu soube dela,
Eu logo soube,
Por algum instinto de amor,
Somos gêmeas,
Algo nisso me guiou
Para ela,
Tarde,
Muito tarde.
Confesso,
Que olhando de fora,
Eu não tinha porque
Estar lá,
Entrar,
Ou saber aonde ir,
Mas sou e fui,
E a encontrei,
Lá embaixo no porão
Em chamas,
A minha irmã.
Suas mãos se ergueram
Para eu e pulavam
Para cima,
As chamas bruxuleavam
Pela parede chamuscada,
Eu me deitei sobre o piso,
Estendi minhas mãos,
De alguma forma,
Eu soube,
Não poderia ajudar.
O fogo consumia tudo,
Menos ela,
Queimava meu corpo,
Ardia minha pele,
E lá embaixo
Estava ela,
Ela chorava sobre aquele
Rosto escuro de carvão,
As Lágrimas limpavam
O rosto para logo depois secarem,
Eu acho que sua dor não
Caia no chão.
O fogo chegava aos seus pés
E subia,
Ela se debatia e pulava,
Eu estava me afogando
Na fumaça,
Eu chorava sobre ela,
Eu desejei apagar o fogo,
Eu desejei trazê-la,
Eu sentia dor extrema,
Eu desejei a dor dela,
Mas, como uma irmã
Protege a outra,
Eu não me vi queimar,
Não me senti arder,
Mas, de repente,
As chamas ganharam
Sua face,
E o rosa dela todo desapareceu
Para o escuro e amarelo,
Chamas grudaram nela
Como se ela fosse
De papel,
Eu disse:
:Danny, Danny, Danny.
Ela abriu os olhos
Dentro do fogo,
Pulou outra vez,
Acometida por uma força
Que eu não sei a quem
Pertencia,
Dentro de seus olhos
Eu pude imaginar
Nossos pais a chorar,
Eu a ter pesadelos
Durante a noite
E não tê-la para me acordar.
Eu vi a dor,
Eu senti o choro,
Eu ouvi... Gritos?
Sim.
Ela gritou,
Berrou e uivou de dor.
Seu cabelo foi sendo
Consumido pelo fogo
E suas pequenas mãos
Batiam contra si própria
Tentando salvar-se,
“Não me deixe, Danny”.
Eu disse em último fôlego.
Eu não tinha como
Alcança-la,
Eu fui obrigada a deixar
Minha irmã queimar,
Minhas lágrimas não
Foram suficientes para apagar,
Minha dor não foi capaz de afugentar
O fogo que só cresceu,
E fez ceder alicerces
Sobre o porão da casa,
E fez ceder parte do telhado,
Algumas telhas caíram
Sobre minhas pernas,
Eu as puxei para meu corpo
E chamei:
“Danny, eu preciso de você”.
Não nos alcançamos,
Minhas mãos começaram
A queimar,
Meus pelos se derretiam,
Ela não queria morrer,
Mas a morte a levou,
E queimou, também,
Parte minha...
Eu baixei meu rosto
Sobre os braços e chorei,
Me sentia queimar e arder,
Então, levantei o rosto
Para o telhado até ruia,
E me joguei para o fogo
Num mergulho em que
Me segurei pelas pernas
No soalho até cedia,
 Lá embaixo alcancei ela,
Ouvi seu choro de criança,
A puxei em chamas
Para o céu,
“Vou com você, Danny”
Eu disse.
E agarrei sua cintura,
Depois me puxei,
E puxei ela para fora,
O fogo nos queimava,
Então, tirei minha camiseta
E esfreguei nela para tirar o fogo,
E o fogo cedeu,
Nós saímos para fora da casa,
Que logo foi consumida inteira
Pelas chamas
Que vieram nos buscar,
Mas, eu fui mais rápida,
E salvei minha irmã gêmea,
Parte de mim,
Minha vida,
Estamos vivas e queimadas
E ardendo.

A Educação Supera

A educação é investimento
Com retorno garantido,
Saber ler é ser independente
De ideias pré-estabelecidas,
Nisto cabe aqui
Falar de ideias cotidianas,
Sendo que o educado ouve
E reflete,
O que não sabe ler,
Também.
Nunca se irrite no mesmo tempo
Do outro,
Dois irritados geram discussão,
Discussão gera inimizade,
Inimizade gera conflito,
Conflito causa transtorno,
Transtorno é doença.
Estar doente
Gera impulsos incontroláveis,
Estes impulsos de intolerância
Te fazem gritar,
Espernear,
Endoidecer por pouca coisa.
Aquele que sempre vence
Nem sempre está certo,
Aquele que sempre pede perdão,
Nem sempre quer ser perdoado,
O humilde só cansou de lutar,
O intransigente nunca irá parar.
Seja amável e tolerável,
Não guarde erros
Com você,
Principalmente os dos outros.
A displicência é indispensável,
Seja modesto,
Humilde e valoroso.
Não semeie ódio,
Não nutra rancor,
Converse sobre tudo,
Veja tudo sob o ângulo do afeto,
Saiba pedir desculpas
Sem exigir retorno,
Saiba entender que você
Estava errado,
Quando alguém
Se recusa a discutir
Com você,
Você está correto
Se isto te irritar
E você perceber
Que ele está sendo egoceêntrico
Só pra dizer que
Você causou confusão,
Discutiu sozinho
E ele sempre esteve certo,
Ele estava errado,
Fez pouco caso de sua dor,
Seu sofrimento e suas necessidades
E talvez, ele nunca se importe.
O amor é paciente
E bondoso,
Não gosta do mal
Por isso não o prática
Nem o quer para si,
O amor acredita e retribui.

A Tolerância

A beleza é fator inicial,
Porém, a alegria no olhar
Conquista por mais tempo
E a ternura das palavras
Não deixa ter termo final.
Se você luta
Pelos seus sonhos,
Logo será tão bom,
Que alguém
Lhe contratará
Para lutar pelos dele,
Nisto você terá
Seus sonhos realizados
E uma remuneração top
Por ajudar na conquista
Dos sonhos do outro.
A vida é questão de ajudar,
Retribuir o auxílio recebido,
Facilitar no que puder,
E ser tolerante e benigno
Com as coisas que te irritam,
O que te incomoda
Irrita o outro também,
Aí se ambos agem
No impulso da raiva
A ira irá prevalecer.
Dois irritados
Fazem uma grande briga,
Um calado
Faz um irritado,
Um que se afasta
E muda as atitudes
Vê coisas diferentes
E ambos conquistam
Coisas novas.

Conquista

Nunca desista
Disto que você
Sempre desejou,
E esforçou-se
Para alcançar.
A beleza agrada
O olhar,
Mas a doçura
Dos atos
Conquista a alma.
Se a garota
Com a qual
Você sonha
Se coloca distante,
Dê a ela a distância
Que precisa,
Seja paciente
E benigno,
O bom rapaz
Sempre consegue
O que quer.
E garotas gostam
De homens
Que são amáveis,
Tolerantes com ela,
Gentis nas suas ações,
Carinhoso em cada palavra.
Conquistar
E ato de falar,
De cuidar,
De sentir.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Esqueço

Eu sinto muito
Por você
Que constrói expectativas,
Eu esqueço tudo
Muito rápido,
E mesmo quanto
Ao que me esforço
Pra recordar
Eu esqueço
Sem notar.
Não se deve
A idade,
Ao tempo que
Me dediquei
A estudos,
Ao esforço
Que empreguei
Para conquistar
Meus sonhos,
Nem aos antidepressivos,
Não sei a que
Uso como justificativa
Para o meu esquecimento,
Mas, eu esqueço,
Desculpa,
Esqueço tudo,
Esqueço o que fiz
No meu dia corriqueiro,
Esqueço o que fiz
A meses ou anos,
Esqueço a minutos,
Esqueço a horas,
Esqueço tudo,
Nomes e rostos,
Esqueço,
Desculpe.

Feliz aniversário vó Nita

Hoje o céu
Acordou em festa,
Nem choveu,
E o sol me sorriu,
Ele disse:
Corre que é
Aniversário da sua avó.
Eu disse
Pra ele:
É mesmo?
E ele sorriu
E fez uma flor amarela
Se soltar e vir
Ao meu encontro,
Eu disse:
É linda!
Parece o cabelo branco
Da minha querida avózinha.
Ele sorriu
Outra vez,
E uma borboleta
Amarela veio voar
Até onde eu estava
Eu disse:
É linda,
Se parece
Com o abraço
Da minha avózinha,
Sorrateiro e seguro.
Aquele abraço
Que eu amo.
Feliz aniversário vovózinha,
Nós te amamos muito
Agenir.

Ao Primeiro Olhar