Quando você está morto,
Você sabe disso,
É como estar vivo,
Você sabe,
Simplesmente.
Eu senti dor,
Eu me vi despedaçar
Em uma dor inesperada
E lancinante,
É como se eu estivesse
Sendo perfurado
Por algo...
Um tiro?
Não,
Facas?
Mais afiadas que isso...
Não.
Eu estava deitado
Sobre a minha cama,
Então, fechei os olhos
Para buscar o motivo
De tanta dor
E a perda inexplicável,
Irreparável.
De quê?
De mim mesmo.
Eu cedia a dor
Minhas últimas lágrimas,
Eu entregava meu coração
Mas não adiantava,
Eu gritei sem querer,
O grito surgiu de dentro
Como um urro
E ganhou os ares,
E foi buscar.
Então, eu chamei:
“Rahat?”
Ele não respondeu,
Aonde estaria o meu irmão?
A dor em meu peito
Ardeu e gemeu,
Soluçou
E parou.
Meu coração pulsou
Pela última vez,
Então forcei meus olhos
E ele voltou a bater,
Aí ouvi Rahat me chamar
De longe,
Muito longe,
Distante.
Uma voz chorosa
E cheia de dor
Como nunca senti,
Soluçante.
“aonde você está?”
Eu pedi,
Então a dor cessou.
“Estou onde a dor é silenciosa”.
E eu soube,
Rahat morreu.
Meu irmão gemeu
Se foi.
Eu soube
Da mesma maneira
Que gêmeos sabem
Um do outro,
Eu só soube
E entendi que não
Adiantava mais sentir
Dor.
Então, me olhei
E me vi sangrando,
Com diversas feridas,
Com muita dor e choro,
Um sorriso querendo brotar
Do meu rosto,
Era um adeus.
Vi mais um pouco,
Vi um carro,
E vi o carro deslizar
Para uma ribanceira,
E me vi ser esmagado,
Então, fechei os olhos
E não vi mais nada.
Eu estava em meu quarto,
Rahat estava dirigindo,
Caiu na ribanceira
E morreu de dor,
Sofrendo e sangrando:
“Me prove que devo
Desistir de você “
Eu disse.
As lágrimas brotaram
Do meu rosto feito flor
E se derramaram
Sobre o travesseiro,
Do lado da minha cama
Surgiu uma flor.
Eu pulei até ela
E gritei:
“você está no jardim?”
Eu sabia aonde era,
Nós fomos juntos
Lá para passar
E ver os pássaros,
Eu sabia onde estava,
Eu poderia ir buscá-lo.
“Eu vou te buscar”
Então, surgiu no chão
Onde eu corria
Um relógio sujo de terra,
O relógio de mamãe,
E eu ouvi como um sussurro
Um “não” soluçando
No peito.
Rahat estava com
Nossa mãe,
Que foi enterrada
Dez anos atrás,
Rahat não estava
Entre nós,
Eu ajuntei o relógio
E trouxe ao meu peito,
Mas quis correr,
Mesmo que não tivesse
O que fazer,
Eu corri com aquele
Relógio como se pudesse
Parar o tempo e corri
Mais como se fizesse
Retroceder o tempo...
Mas, não,
Rahat estava lá
Próximo ao jardim
Preso dentro do carro batido,
Rahat estava imóvel,
O sangue começava a secar,
Ele partiu para perto
De nossa mãe,
Não me levou,
Mas, teve tempo para
Me contar,
Depois foi,
E eu, de certa forma,
Não me sinto aqui comigo...
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