sexta-feira, 15 de maio de 2026

Prostituição

Nada me dá mais repulsa,
Desperta maior indignação,
Me humilha e maltrata,
Desgraça até a fugaz paixão,
Ou é capaz de ferir tanto
Meu orgulho
Quanto isto...
Vender meu corpo.
Mas, não perco o sono,
Se tudo voltasse ao anterior,
Eu faria de novo,
Como fiz naquele momento,
Recuso-me,
E recuso-me, por favor.
Sem dinheiro ou pecado,
Que a fome e a miséria
Toquem meus dedos,
Beijem meus lábios,
Mas, jamais o dinheiro
Tomará meu corpo.
Não me importam as consequências,
Velho a perder os dentes,
Solitário por entre as calçadas,
Mas com dignidade
Estampada na cara,
Não me vendo,
Não me mostre seu dinheiro.
Dá-me um emprego,
Ajuda-me com os estudos,
Sou inteligente,
Aprendo fácil,
Por que você insiste tanto
Em querer meu corpo?
Ora, corpo não há dinheiro
Que pague,
Por que o que é seu
Tem mais valor
Que o que é meu?
Se a fome me alcançar,
Ainda assim não me arrependo,
Sofro calado,
Pago os meus medos,
Pobreza não é sofrimento,
Dor é a venda de seu corpo,
A entrega do seu ser
Ao dinheiro.
Não sei ser passivo
A isso,
Me omitir a ideia,
Eu conheço o preço
Que você paga,
Mas, reconheço
Meu valor e me mantenho
A distância.
Ouvindo tais palavras,
Um estranho sorri e diz:
Tudo que você fala
Equivale a nada!
Ah, dane-se,
Orgulho-me de ouvir isso,
Eu teria feito a mesma coisa!
Mas, o inoportuno nos alcança!

Escola Preparatória do Terror

Marta escolheu com ímpeto
E um deslumbrante sorriso
No rosto a escola
Para seu filho.
Ele teria tempo de estudos
Integral,
Teria conhecimento reforçado,
E aulas optativas profissionais,
Os professores eram os
Mais renomados,
A garantia de aprendizado
Era certeira.
Com o filho na escola,
Marta poderia trabalhar,
Auxiliar o esposo no pagamento
Das dívidas
E aumentar a casa.
Tudo estava perfeito,
O casal se abraçou,
Sorriu, tirou uma fotografia
E o deixaram,
Uma vez por mês
Eles o veriam.
Rafa sairia dali
Um profissional respeitado,
Com emprego garantido
Na cidade,
Nas melhores empresas
Com direito aos melhores salários.
Lá ele se juntou
A inúmeros outras crianças
De sua idade.
Roberto,
O dono da escola
Era um homem enérgico,
Não tolerava risos fáceis,
Brincadeiras maliciosas,
E aglomerações.
As crianças se reuniam
No pátio diariamente
As treze horas receber sol,
Colhiam algumas frutas
No pomar,
Recebiam conhecimento
Sobre plantio, colheita e
Empreendimento.
Cuidavam da horta,
E colhiam flores nos canteiros,
Não foi difícil,
Nem tão simples
Ouvir um cavaleiro
Que se aproximava do muro
Dá escola diariamente
E oferecia risos fáceis
As crianças.
O preço era diversificado:
Furtar provas,
Celulares e objetos de valor,
Furtar frutos, flores
E mudas e jogar todas
Pelo muro sem que ninguém visse.
As doses de risos chegaram,
Vinham em litros descartáveis
E em garrafas de vidro,
Algumas eram doces,
Outras azedas,
Também vinham em caixas
De cigarro
E em papelotes de pó.
As crianças se escondiam
Por entre as árvores
E sorviam dos risos,
Aos poucos,
E entre muitas.
A professora desconfiou
Em sala de aula,
Juntou todas em frente ao
Quadro negro
E bateu nelas com a régua
De madeira.
Roberto não foi simplista,
Sentindo o cheiro de cigarro,
Pegou um chicote
E chicoteou o mais velho
Deles,
Pedindo que contasse
O que houve.
João, lá dos fundos,
Gritou que se tratava
Do cheiro de fumaça
Dá fogueira que haviam
Acendido para queimar
A sujeira do quintal.
Roberto se acalmou,
As costas do garoto
Escorriam sangue.
A raiva chegou seus olhares,
E continuaram a pedir risos
Pelo muro.
A polícia chegou,
Marchando a olhos vítreos,
Pareciam saber do perigo,
Conhecer verdades escondidas,
Marchando sérios e retos
Até o portão de ferro.
Armas em punho,
Com mira para o chão,
Um olhar seguro,
Um colete protetor escondido
Sobre a roupa
E o ar de quem conhece
Os designers de sorrisos
Que nunca foram desejados
Nos lábios de um filho.
Roberto, usou a vassoura
Para varrer a terra do chão
E jogou contra o rosto
Do policial com ódio
No olhar e aquele ar
De quem não se importa
Com risos fáceis
Contanto que não chegue
Ao seu conhecimento.
Com pó no rosto,
O policial simplesmente
Moveu a arma para um único braço
E limpou o rosto calmamente,
Indagando sobre o bem-estar
Da escola.
Sim,
Tudo estava perfeito.
Disse Roberto,
Sem parar o trabalho
De sujar a roupa
E os pés do policial,
Aliás, ele queria mais
Que isso,
Muito mais,
Então, seu uma lufada
De sujeira contra o policial
E sorriu.
Os garotos acharam estranho,
O policial limpou o rosto,
E percorreu o redor do muro,
Lá encontrou bebida alcoólica
E drogas.
Novamente, teve que retornar
A frente da escola
E pedir licença
Para adentrar o ambiente,
Foi impedido.
“Não há lei que permita
Sua entrada aqui dentro,
Está é uma escola de respeito,
Você precisa de autorização judicial”.
O policial ouviu,
Olhou para cima,
Ergueu a arma em frente
Ao peito,
E depois a soltou no lado
Do corpo sentindo-se exausto.
Não tinha filhos seus ali
Ou conhecidos
Para saber sobre o que
Se passava naquelas dependências,
Mas, algo no tormento do
Olhar daquelas crianças o inquietava
E também, aos demais policiais
Que tomavam atitudes
Totalmente iguais a sua.
Estavam em seis.
Foram obrigados a retornar,
Simplesmente, virando as costas
E caminhando calmamente
Para frente,
Roberto juntou uma pedra
E fez menção de joga-la,
Mas, se conteve.
Um policial enfrenta perigos
Inimagináveis em seu trabalho,
E crianças precisam de sua presença,
Aqueles precisavam e muito.
A tarde,
Com suas mãos sujas
E feridas pelo trabalho,
Se juntaram e quiseram
Mais risos,
Muitos risos,
Risos sem limites,
O grupo dormiu abraçado
E o frio os alcançou na noite,
Os matando todos juntos.
Doze crianças encontraram
Seus fins prematuros
Nos arredores da escola,
Recostados ao muro de pedra.
Roberto acordou
E logo notou a ausência
Dos garotos,
Chamou de nome a nome,
Então, juntou o cinto
E bateu em cada um dos 38
Que lá estavam,
Ele não tinha medo
De ferir,
O cinto tocou o olho
De um deles e furou.
Ele parou descansar,
Insaciável em seu ódio
E retomou a tortura contra
As crianças.
Seus rostos marcados
Pela dor escorriam sangue,
Os gritos eram impedidos
Por suas próprias mãozinhas
E os choros estancados
Por batidas mais fortes.
É proibido gritar,
É proibido chorar,
É proibido fugir!
Ele berrava com o cinto
A perder a cor e partes suas
No corpo das pequenas crianças,
Cujos pais pagaram
Suas estadias antecipadamente
Ao final dos estudos.
Cinco meninos se reuniram
E se enforcaram usando cordas
De trabalho numa das árvores,
As moscas anunciaram seus fins,
E de longe,
Muito longe,
Aquele policial levantou
Seu olhar,
Baixou sua caneta
E afastou alguns papéis
De perto de sua mesa
Onde estava sentado.
Um policial tem faro
Para o crime,
Mas, há coisas fora
De seu alcance,
As crianças se revoltaram
E pularam o muro
Para fugir.
Acometido por seu dever funcional,
Os policiais se aproximaram
Dá escola outra vez,
Com suas armas em frente
Aos seus corpos,
Como se fosse um impeditivo
De ataques,
Um rosto duro,
Expressão de segurança 
E passo firme,
Pediram para Roberto 
Para apresentar o programa
Proerd aos alunos.
Roberto deu um passo
Para trás, assustado,
Como diria que todos
Os alunos sumiram?
Sorriu para o policial,
Mostrando os dentes 
Que até então permaneceram
Escondidos
E pediu tempo 
Para pensar sobre o assunto.
O policial falou sobre o
Programa educacional Proerd,
Pediu para fazer demonstrações,
E pediu licença para entrar
Na propriedade,
Roberto se esquivou.
Quatro dias depois disso,
Os policiais foram informados 
Sobre o sumiço das crianças 
E vieram fazer as buscas.
Não havia resquícios,
Somente tinha mais indícios 
De drogas naquele local.
A polícia teve então
Sua entrada permitida 
Naquelas dependências.
Chegando nas dependências
Logo encontrou os corpos
Dos meninos desaparecidos,
Enquanto os outros
Estavam cada vez mais longe.
Com ajuda dos cães,
Alguns meninos foram encontrados,
Mas, nem todos.
O grupo de pais se reuniu
Em frente ao portão da escola
Vestidos de negro,
E clamaram por seus filhos
Entre choro e berros.
Mas o destino,
Os levou para longe,
Bem distantes,
Onde o riso ressoa
E é vendido por preços
Mais convidativos,
Seus corpos,
Seus trabalhos forçados...
Noites de sono em qualquer canto,
Embaixo de caixas de papelão,
E vento frio nas orelhas
E geada sobre seus cabelos,
O destino não foi tão bondoso
Quanto seus pais quiseram,
E Roberto se encarregou disso.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

É amor

Que ótimo,
Tão perfeito,
O garoto dos sonhos,
Retirou a farda,
Me tomou nos braços
E me fez sua.
Oh, garoto de armas
E punhos afiados,
Namorado esperado,
Anjo desejado,
Nua em seu abraço,
Não há nada mais perfeito.
Sorriso disposto,
Olhar seguro,
Oh, perfeito garoto,
Que bom que mereço
Seus beijos,
Seu apreço,
Os sonhos,
É amor reconheço!

Anjo Menino

Te amo menino,
Além do pensar,
É força,
É destino,
E o que seria
É certo será!

Foi assim
Há muito tempo atrás,
Era pra ser,
Foi e está,
Lindo menino,
Que amo, amei
Amarei, me amará.

Seu abraço amarra,
Sua força me agarra,
Seu riso me acende,
Seu beijo reacende,
E o amor que tinha
De ser,
É e será.

Que lindo
Este amor menino,
Que encanta,
Conquista,
Me pega e trás,
Ensina e faz.

Amor antigo
De sorrisos guardados,
Olhar enamorado,
Meu anjo amigo.

Que linda está farda menino,
Que me tirou o sono,
Gerou ciúmes e estudos,
Admito te amo,
Anjo de armas e punhos,
Amor de beijos e sonhos.
Te amo Tiago.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

O Cara Fardado

Te amo,
Você é o sonho
Que sonhei,
O futuro
Que imaginei,
Algo de que
Não falei.

Dói levar um tapa
Na cara,
Se decepcionar
Com aquele
Que jurou amar
E mal virou as costas,
Feriu,
Fez mal.

Contudo,
É orgulhoso,
Extremamente fora
Do imaginável,
Você poder ter alguém
Reconhecido como
Bom ser humano,
Que herói lá fora
É herói também
Com você.

Meu maridinho,
Usa farda,
É guerreiro,
Reconhecido bom caráter,
Eu sinto segurança
Em estar ao seu lado,
Parece que tudo
Que há de ruim
Fica tão distante de mim,
Que não existe
Algo maior.

É como o colo do pai
Onde você fica
Para dormir
E nada te alcança
Ou faz ferir.

De Cama Separadas

-por favor, filha...
Retorquiu a mãe
Se referindo a Natália.
- ah, mamãe,
Que destino cruel!
Se referiu a filha
Olhando seu próprio pai
Caído no chão da casa
Sobre uma garrafa de vinho
Quebrada e sangue,
Muito sangue.
- menina, diga-me
O que houve?
A mãe indagou.
- ora, eu iniciei um namoro,
Ele foi atrás do garoto,
Nos proibiu,
Toda a minha turma namora...
-veja menina,
Você tem onze anos,
É criança!
Disse a mãe.
-não sou criança,
Meu pai não respeitou
Minha opinião,
Buscou a família de Lukas,
Me ofendeu.
Disse a menina,
Caindo até o rosto dele
Enlameado de vinho,
Com sangue a escorrer,
Ela o acariciou.
- veja, parece que dorme!
Disse a menina.
-talvez, não resistiu.
Respondeu a mãe.
-ele invadiu meu quarto,
Tocou em meu corpo,
Fez sexo comigo,
Por quê não fez com você?
Mamãe?
A menina perguntou
Pegando seu rosto
E levando até seu peito
Que arfava
Com seus pequenos seios
A mostra no decote
Da roupa.
- Olha filha,
Depois de você
Ele me busca
E as vezes antes,
Eu o odeio,
Lhe coloquei em outro quarto
Tentei estar distante,
Lhe proteger.
A mãe disse,
Abraçando a menina
Pelas costas.
- eu, não sinto afeto
Por este que morre,
Lhe dando a vida,
Não lhe mereceu o nome.
Disse a mãe,
Acariciando seus cabelos.
-ele me impede de
Ir ver meus pais,
Não posso pedir socorro.
A mãe continuou.
-mentira sua,
Você gosta dele
Como ele é,
Você manteve este casamento,
Você foi fria e cruel.
-filha, por favor,
Não diga isso,
Me desperta temor,
Você não sabe
Que ele me amarra
No quarto escuro
E a procura?
Disse a mãe,
A puxando para si.
- não acredite
Em nada do que ele
Lhe disse,
Foi apenas para
Lhe causar temor
E te afastar de mim.
Continuou a mãe.
- estou grávida,
Como posso seguir?
Indagou a filha,
Soltando o rosto do pai
Nos cacos de vidro
E vinho.
- também estou,
Precisamos encontrar
A chave de casa
E sair para fora,
Depois buscamos
Meus pais.
- quem eles são , mamãe?
Pediu a menina.
A mãe acariciou
Sua barriga protuberante
E falou:
- seus avós, filha,
Meus pais.
- oh, mãe,
Então, eles estão vivos?
A menina falou,
Encostando sua barriga
Na de sua própria mãe.
- não sei,
Talvez, eu seja a sua irmã
Mais velha,
Aí estaremos sozinhas,
Preciso ir até um endereço
Do qual ouvi falar
E buscar recursos,
Faz muito tempo
Que estou aqui
E dos meus filhos nunca
Tive notícias,
Mas, você sempre eu pude ouvir,
Assim que meu quarto
Se estabeleceu ao lado do seu... Menina.

A casa de um crime

Uma chuva torrencial
Caiu sobre seu telhado
E jogou algumas telhas
No chão enlameado.
Dentro de casa,
As paredes chispavam
Suas teias de aranha,
E apodreçam silenciosas,
Não era possível esquecer
Diego,
Não seria possível.
O intenso e aterrador
Amor que a guiou até ali,
Fez da parede um mural
De cartas e fotos apaixonadas,
Juntou sua filha,
Em noite fria
E a levou embora.
Sua menininha de doze anos,
Foi escolhida para viver
O amor que tanto Eliza sonhou,
Ela desconhecia seu paradeiro,
Só soube por uma carta
Que o padrasto se apaixonou.
Sinistros sonhos
Dão crédito a pensamentos
Bobos
Que retiram uma mãe
De um lar,
E a colocam a mercê
De um estranho,
Um crime,
Um amor e um crime,
Futuro desolador.
Se a espada da justiça 
Pudesse ser levantada,
E pender-se em sua causa,
Oh, por Deus,
Pudesse a polícia 
Saber mais que ela,
Encontrar Diego,
Oh, Deus,
Que não lhes poupem 
A munição 
Um homem como este
Não merece o azul do céu!

Destino à ROCAM