quarta-feira, 13 de maio de 2026

De Cama Separadas

-por favor, filha...
Retorquiu a mãe
Se referindo a Natália.
- ah, mamãe,
Que destino cruel!
Se referiu a filha
Olhando seu próprio pai
Caído no chão da casa
Sobre uma garrafa de vinho
Quebrada e sangue,
Muito sangue.
- menina, diga-me
O que houve?
A mãe indagou.
- ora, eu iniciei um namoro,
Ele foi atrás do garoto,
Nos proibiu,
Toda a minha turma namora...
-veja menina,
Você tem onze anos,
É criança!
Disse a mãe.
-não sou criança,
Meu pai não respeitou
Minha opinião,
Buscou a família de Lukas,
Me ofendeu.
Disse a menina,
Caindo até o rosto dele
Enlameado de vinho,
Com sangue a escorrer,
Ela o acariciou.
- veja, parece que dorme!
Disse a menina.
-talvez, não resistiu.
Respondeu a mãe.
-ele invadiu meu quarto,
Tocou em meu corpo,
Fez sexo comigo,
Por quê não fez com você?
Mamãe?
A menina perguntou
Pegando seu rosto
E levando até seu peito
Que arfava
Com seus pequenos seios
A mostra no decote
Da roupa.
- Olha filha,
Depois de você
Ele me busca
E as vezes antes,
Eu o odeio,
Lhe coloquei em outro quarto
Tentei estar distante,
Lhe proteger.
A mãe disse,
Abraçando a menina
Pelas costas.
- eu, não sinto afeto
Por este que morre,
Lhe dando a vida,
Não lhe mereceu o nome.
Disse a mãe,
Acariciando seus cabelos.
-ele me impede de
Ir ver meus pais,
Não posso pedir socorro.
A mãe continuou.
-mentira sua,
Você gosta dele
Como ele é,
Você manteve este casamento,
Você foi fria e cruel.
-filha, por favor,
Não diga isso,
Me desperta temor,
Você não sabe
Que ele me amarra
No quarto escuro
E a procura?
Disse a mãe,
A puxando para si.
- não acredite
Em nada do que ele
Lhe disse,
Foi apenas para
Lhe causar temor
E te afastar de mim.
Continuou a mãe.
- estou grávida,
Como posso seguir?
Indagou a filha,
Soltando o rosto do pai
Nos cacos de vidro
E vinho.
- também estou,
Precisamos encontrar
A chave de casa
E sair para fora,
Depois buscamos
Meus pais.
- quem eles são , mamãe?
Pediu a menina.
A mãe acariciou
Sua barriga protuberante
E falou:
- seus avós, filha,
Meus pais.
- oh, mãe,
Então, eles estão vivos?
A menina falou,
Encostando sua barriga
Na de sua própria mãe.
- não sei,
Talvez, eu seja a sua irmã
Mais velha,
Aí estaremos sozinhas,
Preciso ir até um endereço
Do qual ouvi falar
E buscar recursos,
Faz muito tempo
Que estou aqui
E dos meus filhos nunca
Tive notícias,
Mas, você sempre eu pude ouvir,
Assim que meu quarto
Se estabeleceu ao lado do seu... Menina.

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