sábado, 30 de maio de 2026

Fui Abusada pelo professor

Janaína trabalha,
Não tem tempo
Para estudar
Com empenho,
Ela teve filho
Muito cedo,
Aos 13 anos
Já sabia o que era
Suportar o peso
De uma criança
Dentro da própria barriga.
Aos quatorze anos
Ela descobriu
Que levar o filho
Até a escola
Era uma ótima opção
Para quem queria
Passar de ano
Sem ser reprovada.
O professor ficou sensato
E gentil com ela,
Suas notas só melhoraram,
E sua mãe a aplaudiu,
Logo ela estaria formada
E apta a conseguir
Um trabalho remunerado
Com carteira assinada
Em alguma empresa local.
Aos quinze Janaína 
Foi chamada 
No Conselho Tutelar 
Para se defender 
Dá acusação de que 
Estava sustentando 
Sua vida 
Vendendo a própria filha,
Seu professor cruzou
Por ela no caminho
E a jurou de morte,
Ela chegou encolhida
E frágil com a menina
De dois anos 
No colo.
Quem era o pai 
Dá criança?
Ah, Janaína não sabia.

Professor Opressor

O professor de Carla
Gritou com ela
Dentro da sala de aula,
Quando a corrigiu
Em público por estar
Sentada de maneira
Errada sobre a cadeira.
Depois disso,
Ele retirou o teste
De Carla,
Ele alegou que ela
Estava usando cola.
Então, ele encontrou fotografias
De Carla de biquíni
E expôs para o grupo
De aula.
Ela não soube
Como ele as conseguiu,
Mas, ela usava apenas biquíni
E isso a envergonhou.
Carla sentiu medo
De retornar a escola
E optou por faltar,
E depois por desistir,
E escondeu tudo
De sua família.
Igor sofreu o mesmo,
Ele não entendeu
Que o professor
Falava de Carla,
Sabendo do ocorrido
Ele o convidou
Para conversar em particular.
O professor fechou a porta
E optou por conversar
Dentro da própria sala,
Então, voltando-se
Para Igor abriu o zíper
Da própria calça
E disse:
“É isso
Ou você será expulso!”

Professor Abusador

O professor abusador
Gostou de Carla,
E ela soube disso
No primeiro teste surpresa.
Ela conhecia a matéria,
Tirou a maior nota,
Então foi chamada
Para ficar em pé
Na frente do quadro negro
Para expor seus pontos
De vista e conhecimento.
Ela teve seu dia de êxito,
Dia de ser vista
Como a garota esforçada
E inteligente que sempre
Estudou para ser,
Ela foi apelidada de prof surpresa.
Seus amigos riram disso,
Fizeram piadas,
E a convidaram para ir
Até a casa deles
Fazer grupo de estudos.
O professor a convidou
Também, disse que
Tinha que organizar aula
E estava muito apurado,
Precisava de alguém
Para auxiliá-lo
E ofereceu dinheiro.
Ela ficou feliz,
Sorridente,
Porém, recusou todas
As propostas
Preferiu seu método antigo
De estudar com sua mãe.
Arrependeu-se logo,
De repente a prova
Ganhou novo nível
E por algum motivo
Oculto somente ela
Tirava notas ruins,
Isso foi terrível.
Não tardou,
Ela descobriu que
Alguns alunos ganhavam
Cola para os testes
E ela não gostava deste método,
Então, ficava com suas
Notas ruins.
Mas, logo no final
Do bimestre
O professor foi mais enfático,
Quando ela foi se retirar
Da sala ele se posicionou
Em pé na sua frente
E a impediu.
Então disse
Olhando nos seus olhos,
“A última prova
Vai ser mais difícil
E você irá reprovar.”
Ela deu um passo
Para trás
E quase chorou:
“Impossivel, eu já estudei
Todo o livro”.
Ela respondeu.
“Você sabe que uso
Outros métodos,
O livro é apenas apoio.”
Ela permaneceu a olha-lo
Embasbacada,
Ele veio até ela
E colou seu corpo
No dela.
“Se a prova sumir,
Você nem terá notas”.
Ele disse,
E sorriu dono de si.
Carla correu
E o denunciou para
A diretora da escola,
O professor estava
Lhe cobrando intimidades
Em troca de notas
E estava ocultando
E modificando suas provas.

Pai Estuprador

Eu me indago
O que, de tão intenso,
Leva um pai
A estuprar o filho?
Um ser humano frágil,
Recém nascido,
Dependente e amável,
O que há ali
Para o próprio pai
Querer tanto toca-lo?
Que visão da vida
Possui um pai
Que ao invés de amar
Escolhe estuprar
Seu próprio sangue,
O ente que depende
De você
Para viver
E que tão logo
Fique forte
Daria a própria vida
Para te proteger.
O que há com você
Que ao invés
De ser pai
Escolhe ser criminoso?
Dizem que crime compensa,
Que só se faz delito
Para ganhar recompensa:
Que recompensa
Você tem nisso?
O que te faz homem
Depois de cometer
Detestável ato?
E sua esposa,
Por que te atura?
Não me diga
Que você é jovem
E vive em seus limites
Não procure desculpas,
Não há perdão pra isso,
Virar as costas
Para o lar,
Romper valores,
Proliferar cultura criminosa,
O que há em seu caráter?
Droga?
Bebidas?
O que você tem
De tão inferior
Que te carrega
Para tão baixo?
Você é um sujeito detestável.

Estuprador

Eu sempre fui humilde,
Não sabia nada
Sobre crimes,
Nem hoje, advogada,
Sei muito.
Mas, busco reflexão
Se quem estupra
Os filhos, a família
E é favorável a proteger
Está espécie de crime
Ama menos seus filhos
Ou nem ama.
Eu não vim de estupro,
Não convivi com isso
E perdi meu irmão
Há tanto tempo
E em cada rosto
Que encontro
Eu chego perto
E busco seus traços.
Assim, me amparo
E me sinto viva
Tentando reacender
Chama que não queima,
Não apaga
E custa a se manter.
Busco ver ele,
Busco ver como ele
Teria crescido
E o homem que se tornaria,
Isso me faz odiar
Todo crime e todo estupro,
Odeio quando rostos caem
E eu não encontro
Único traço dele,
Não quero estar ali,
Sinto que não sou bem-vinda,
Ele, mesmo morto,
Continua a me proteger,
Desta vez devido a lembrança.
Vão-se os anos
E eu ainda estou nisso
De busca-lo,
Encontra-lo,
Ouvi-lo,
Abraça-lo
E você que estupra
Seu próprio filho,
Quando ele morre
O que você sente?
Você logo esquece
Ou nem se ressente?
Eu não consigo olhar
Para aquela lápide
E saber que cada instante
Que vivo
Leva ele para mais longe,
Se apagam as marcas,
E vão-se tão longe
Os abraços,
E você estuprador
Nem limpa o túmulo
Do seu filho estuprado?

Armas

Toda arma é de morte,
Qual a arma produz vida?
Arma defende
E arma ataca.
O tiro que alcança
O alvo,
Também erra a mira
E abate o ingênuo,
Um tiro fere
E outro mata.
A mão que atira
Se sustenta,
Se se apega a arma
Não vê outra coisa
Exceto a ideia fixa:
Matar!
Elimar o alvo,
Mas, neste caminho
De vítima
Você vira bandido,
E sua família
Nem sabe disso
Até que irritado,
Embriago ou drogado
Você se irrita,
Põe suas balas
E não escolhe alvo,
Desta vez,
Foi sua família.
A polícia é chamada,
Entra e te leva,
Quem te sustenta
E aqueles que precisam
De você,
Quem irá proteger?
A polícia,
Pois ficou de fora
Das suas ideias
De resolver tudo a bala,
E você como fica na cela?

Armado Desarmado

O fuzil é a arma
Do dinheiro,
Custa caro,
Faz estrago,
Mas tem seu custo.
O policial que trabalha
Tem medo de mostrar a cara
E se identificar como
Um provedor da lei,
Um ativista social,
Um trabalhador honesto
Que ganha seu sustento
Com o suor de seu rosto
Em portar armas pequenas
Pra proteger o grande povo.
Você que usa fuzil é esperto,
Em quê?
Protege a si mesmo
E é protegido pela polícia,
Mas quem é que te mata?
É o bandido que está
Do seu lado
Que te vendo tão pequeno
Te vende arma a preço
De sua vida,
Retira você do lar,
Deturpa a função de sua família
E aí, cheio de droga
No nariz,
Você não sabe onde
Sua mãe está
Ou o que ela pensa de ti.
E perdido,
Você entra em conflito,
Se agarra em todos os riscos,
Põe o dedo no gatilho
E atira onde é mandado,
Mas, em que você é ajudado?
Só quem te vê agora
E pode te abrir espaço
É aquele cidadão lá de trás
Abandonado,
Que mesmo sendo seu alvo
Também foi até você
Te dar uma oportunidade
Então, entra sua grande chance:
Voltar pra sua família,
Ter casa, honradez e alicerce
Ou matar o policial
Que desde o início
Foi o único que te falou
A verdade:
Está arma que você carrega
Tem peso enorme
E só te leva pra terra,
Vale o preço?
Ser cobaia de rico armado
Ou você acha que
Ele que te manda
Vive com você nos becos?
Cadê sua mãe,
Cadê seu pai
Quando você tem seus pesadelos?
Você paga com a vida
Por coisas que só um outro
Irá usufruir,
Você é usado,
Responde por crime
Que não fez
Porque se vê obrigado,
Iludido,
Um armado desarmado,
Sem psicológico
Para conflito.
Fuzil é arma de morte
Pra você,
Pra quem te vende
Pr’quele que você pende,
Em que você se mede?

Ao Primeiro Olhar