Eu sempre fui humilde,
Não sabia nada
Sobre crimes,
Nem hoje, advogada,
Sei muito.
Mas, busco reflexão
Se quem estupra
Os filhos, a família
E é favorável a proteger
Está espécie de crime
Ama menos seus filhos
Ou nem ama.
Eu não vim de estupro,
Não convivi com isso
E perdi meu irmão
Há tanto tempo
E em cada rosto
Que encontro
Eu chego perto
E busco seus traços.
Assim, me amparo
E me sinto viva
Tentando reacender
Chama que não queima,
Não apaga
E custa a se manter.
Busco ver ele,
Busco ver como ele
Teria crescido
E o homem que se tornaria,
Isso me faz odiar
Todo crime e todo estupro,
Odeio quando rostos caem
E eu não encontro
Único traço dele,
Não quero estar ali,
Sinto que não sou bem-vinda,
Ele, mesmo morto,
Continua a me proteger,
Desta vez devido a lembrança.
Vão-se os anos
E eu ainda estou nisso
De busca-lo,
Encontra-lo,
Ouvi-lo,
Abraça-lo
E você que estupra
Seu próprio filho,
Quando ele morre
O que você sente?
Você logo esquece
Ou nem se ressente?
Eu não consigo olhar
Para aquela lápide
E saber que cada instante
Que vivo
Leva ele para mais longe,
Se apagam as marcas,
E vão-se tão longe
Os abraços,
E você estuprador
Nem limpa o túmulo
Do seu filho estuprado?
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