domingo, 21 de setembro de 2025

As Aventuras de Lara

Larissa dobrava a roupa
Que havia recolhido do varal,
Sentada sobre o colchão
Do quarto de seu irmão.
Neste instante, Lara
Estava deitada no sofá
Assistindo televisão,
De repente, Lara
Ouviu um ruído vindo
Lá de fora.
Ela levantou as orelhas
Com atenção,
Depois, sentou no sofá
E chacoalhou o rabo.
Não lhe pareceu
Que era algum conhecido,
Ela se assustou,
No primeiro instante,
Escondeu o rosto
Embaixo das duas patas dianteiras.
Depois, retirou uma pata,
Então, a outra,
Tomou coragem
E abriu os olhos.
O barulho vindo do quintal
Realmente a assustava.
Neste instante,
Ela olhou pelo vidro
Da porta que estava fechada,
E num reflexo
De movimento do estranho
Ela notou que ele tinha
Uma arma guardada
Por dentro do casaco,
Num bolso.
Ela se assustou,
Se afastou um pouco,
Depois correu para o quarto
A procura de Larissa,
Ao encontrá-la no quarto
De seu dono,
Ela se jogou sobre as pernas
De Larissa,
Deixando-as avermelhadas
Devido a intensidade do salto.
Depois, ela pulou até o rosto
De Larissa
Se segurou em seu ombro
E o lambeu,
Preocupada com sua dona.
Larissa, soltou
A camiseta branca
Que tinha entre as mãos
E a abraçou com carinho.
- Lara, sua danada!
Ela disse sorrindo.
Lara cheirou seu pescoço,
E pediu mais carinho
Da maneira como fazia
Quando queria dormir
Com Larissa,
Larissa entendeu que ela
Queria dormir.
Então, deitou para trás
Sobre a cama
Com a cachorrinha
Entre os braços
E deixou-se descansar
Por um tempo.
Neste momento,
O estranho bateu na porta,
E ninguém ouviu.
Ele bateu outra vez,
Depois se afastou
E bateu palmas,
Ninguém ouviu.
No entanto, Lara
Estava com suas orelhas eretas,
Ela ouviu,
Porém, ficou calada
Com o coração aos saltos
Devido ao medo
De ver a dona ferida.
O estranho tentou
Outra vez,
Não obteve êxito,
Depois de esperar
Por algum tempo
Em pé,
Com as mãos na cintura
Ele foi embora
E o perigo passou.
Lara salvou Larissa
Deste estranho.
Ela não soube o motivo
Mas sentiu terrível medo
Deste homem sorrateiro
E armado.
Larissa ainda não soube
Do perigo que sofreu
E que Lara a protegeu.

Cores, Sabores e Rancores

-Senhora, você precisa
Vir aqui agora.
Uma voz estranha
Falou usando o telefone
De sua neta,
Nelma assoou o nariz,
Como se chorasse por dentro
E secou o suor da testa,
Estava nervosa.
Ok.
Estava muito incomodada.
- me diga,
Aonde eu o encontro.
O estranho passou o endereço.
Nelma pegou o carro
E partiu até lá,
Ao se aproximar
Viu que se tratava
De um acidente.
O carro de sua neta
Estava com a frente destruída,
Parecia ter colidido
Contra o muro do asfalto,
Não sabe-se,
Talvez, o carro vermelho
Detrás do carro dela
A estivesse perseguindo.
Bem.
Neste instante,
O carro longo e vermelho
Estava estacionado
No meio do asfalto
De frente para o carro
Da neta,
Porém, não estava nem
Ao menos riscado,
Não poderia dizer-se
Que colidiram de frente.
O da neta rodopiou
Na pista e parou na contra mão.
Era o que tudo sugeria.
A porta do carro
Estava aberta,
A neta estava caída
Em uma poça de sangue
Com a cabeça encostada
No asfalto.
Calada.
O telefone dela
Estava nas mãos
Daquele estranho de terno.
Haviam dois estranhos.
O mais magro de pele escura,
O mais cheinho de pele alva,
No mais eram parecidos demais.
Nelma estacionou ao lado
Da mureta que ladeava
A pista,
Deixou o pisca do alerta ligado
E saiu com a carteira em mãos.
Logo mais,
Tinha agendado um horário
No presídio local
Onde poderia encontrar
Sua filha.
Ela era drogada,
Viciada em adrenalina
E drogas ilícitas.
Aos doze entrou
Para o cigarro,
Logo depois conheceu o álcool,
Nunca parou
Nem desistiu de provar
Sabores, cores e rancores.
Foi presa porque
Furtou a loja
Onde trabalhava como
Vendedora,
Lá roubou todos os calçados
Que pôde.
Isto proporciou a sua mãe,
Nelma a abertura de uma loja
Exclusiva para calçados
De onde retirava seu sustento
E o da neta.
Até onde Nelma sabia,
A filha dela trabalhou por três anos
Nesta loja exclusiva de calçados,
O dono era um homem robusto
E exigente,
Atrasava o pagamento
E gostava de exigir garantias
De suas empregadas,
Uma destas era sexo gratuito.
Bem, Lara foi bem educada,
Não aprendeu a se prostituir,
Nisto ela foi exigente.
No primeiro atraso,
Lara tratou de garantir
O pagamento:
Iniciou com três caixas de sapatos
Femininos a esmo.
Nunca parou,
Nem o pagamento foi correto,
Nem o sexo deixou
De fazer parte do contrato.
Escondido.
Exigido.
Ilícito.
Agora, foi pega.
As câmaras lhe roubaram
A imagem quando ela roubou
Sua primeira linha inteira,
Masculina, feminina e infantil,
No entanto, a loja
Possui estoque suficiente
Para muito tempo,
E Nelma mesmo discordante
Do decurso de tudo
Retira Notas Fiscais
E adquire novas linhas
Por meios legais.
Ela viaja ao Paraguai
Apenas para garantir preço bom,
Qualidade e manutenção
Da loja.
Ter de marcar horário
Para ver a filha é horrível,
Ela sente saudade,
No entanto,
O fato de o policial
Tê-la encontrado com drogas
Entre suas roupas ajudou
A manter a pena.
Agora, sua neta
Com treze anos decidiu
Entrar neste mundo
De drogas,
Algumas amiguinhas ligaram
No telefone de casa
E também da loja pedindo drogas...
No último mês,
Nelma a encontrou inconsciente
Dormindo dentro do carro
Do lado de fora da casa,
Estacionada em frente
Ao portão.
Havia whisky dentro do carro,
Uma garrafa vazia
A seus pés,
Outra pela metade
No alcance de suas mãos,
Próxima ao câmbio de marchas,
Um maço de cigarros aberto
Sobre o banco do caroneiro,
E pó branco sobre
O volante.
Ela estava seminua,
Sozinha e inconsciente,
Hoje, porém,
Tudo está diferente,
Há sangue próximo a ela.
-Que houve?
Indagou Nelma,
Se aproximando
Dos dois estranhos
A passadas largas e seguras.
- sua neta nos deve
Dez mil reais em drogas.
Nelma estagnou,
Levou a mão aos lábios
Trêmula.
“Então, se foi...”
Ela pensou.
Lembrou o rosto de Lara
Atordoada atrás daquelas grades,
As poucas roupas que tinha,
O frio que corroía a alma.
Ela não podia ter tantas roupas,
Era permitido apenas
O uniforme,
Mais nada.
Os cobertores eram apenas
Aqueles que estavam ao dispor,
As doações precisavam
Ser feitas ao diretor
E ele encaminhava para
Os mais necessitados.
Nelma doou tanto,
Buscou entre conhecidos
E amigos doações
Que, com certeza,
Já não havia os mais necessitados,
Porém, Lara padecia de frio,
Ela era frágil,
Sempre foi friolenta,
Ali não fazia diferença
Sua especial necessidade...
Seus cabelos estavam brancos,
Desregrados, duros e caíam.
O sabonete lhe rompia a pele,
Lhe causava secura,
Tudo lá dentro era do mais simples.
A comida era escassa,
Permitida apenas nos horários
Reservados.
A água era escassa e suja,
Tinha gosto ruim.
O frio chegava até as grades,
Ganhava as paredes
E congelava todas lá dentro,
Algumas não resistiam.
Haviam as carcerárias
Que cobravam sexo
E dinheiro por vantagens,
Lara contou aos prantos
Que estava aprendendo a usar
Pênis artificial.
Era obrigada a dar prazer.
De toda a forma,
Satisfazer as carcerárias
E por vezes, as detentas.
Com o tempo,
Seus muitos namorados
Deixaram de visitá-la,
Mas, Nelma sempre buscava
Algum garoto disponível
Para Lara não se sentir abandonada,
Mas, de fato,
Ela mesma sabia,
Os homens não queriam
Relacionamentos sérios,
Ao primeiro obstáculo
Eles desistiam.
Foi assim com todos
Os que ela teve,
E nunca soube o nome
Do pai de Lara.
Mas, Lara garantia por
Sua filha, Genna.
“A menina tinha pai,
No entanto, ele era ausente.”
- dez mil?
Nelma pegou um talão
De cheques e preencheu
O valor.
Assinou e entregou a eles.
- agora vocês podem
Nos deixar em paz?
Ela indagou.
Se ajoelhando até a neta.
Levantando sua cabeça inconsciente.
A dívida tinha um pequeno valor,
Dez mil,
E sua neta se calou
E agora morreu.
Nelma a pôs
Em suas pernas
E chorou mais ainda.
Os dois homens
Entraram no carro,
Deram meia volta
E saíram.
Talvez, se Lara consiga
Abandonar o vício,
Só então,
Estes dois nunca mais
Serão vistos.
Do contrário,
A morte é o fim previsto.
-Alo, é do presídio?
Indagaram quando Nelma ligou...
-Sim. Informaremos Lara.
Respondeu uma voz masculina,
Vinda de um rosto rechonchudo
E branco que olhou para o lado.

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Sem Dizer Adeus

- tem sangue na sua camisa,
Pai.
Ticiane falou
Do banco de trás do Palio
Verde caído
No meio do asfalto.
Era tarde da noite,
Eles retornavam de um restaurante,
Foram comer pizza em família,
Ticiane, Pozze seu irmão
Mais velho e os pais
Magnan e Vaner.
Um corsa preto
Vinha em sentido contrário,
Nele estavam cinco jovens,
Todos bebiam suas bebidas
Alcoólicas e fumavam.
A fumaça, talvez,
Embaçou o vidro do carro
E dificultou a visão
Ou então, o efeito do álcool
Fez com que o motorista
Desviasse seu sentido,
Invadisse a pista contrária
E encontrasse o carro deles.
Ambos os carros colidiram
De frente,
O carro da família tombou,
Rodou na pista
E virou suas vezes,
Magnan nunca mais acordou.
Havia dentro do carro
Dois casais e um rapaz,
Que dirigia o carro,
Ao rodopiar na pista,
E tombar eles desceram
Do carro,
Se aproximaram embriagados
Do Palio
E deram coices e socos
Na lateral.
Com esforço,
Ticiane abriu a porta traseira
E saiu para fora,
Ela sangrava,
No teor de seus 15 anos
Não imaginou
Que tão jovem perderia
O pai,
Ou mesmo o irmão,
Ambos não abriram os olhos,
No entanto, sua mãe Vaner
Conseguiu abrir a porta
E sair.
Do seu rosto
Pingava sangue
Sobre a bolsa,
Ela se virou
Se encostou no carro
Tombado e chorou:
- por favor,
Não nos mantém.
Somos uma família.
Ela falou em pranto,
Implorando por suas vidas.
Paulino sorveu
A bebida de dentro da garrafa
E cuspiu em Pozze
Que não se movia,
Depois se virou e disse:
-Vamos embora.
Vamos desvirar o carro.
E assim procederam,
Em cinco pegaram na lateral
Do carro e o desviaram,
Fabian sentou no banco
Do motorista
Virou a chave
E o motor roncou,
Engatou a primeira marcha,
Acelerou e o carro andou.
Excetuadas as avarias
Na pintura, algo no painel
E a frente do carro
Que desgrudou,
Tudo estava normal.
Andado alguns metros,
Fabian desceu do carro,
Foi até o da família
Cuja mãe e filha
Se abraçaram em choro,
E chamou os amigos:
- venham.
Vamos desvirar este também.
Este nem perdeu a frente,
Parece que sofreu menos
Com o acidente.
Ele fez sinal com a mão
Em convite,
As garotas de salto alto,
Saia curta e abraçadas
Em seus namorados
Que lhes emprestaram
Suas jaquetas masculinas
Para se afugentar do frio
Foram até o carro
Com suas garrafas em mãos,
Os garotos jogaram fora
As deles.
Abriram a porta do carro,
Retiraram Magnan e o filho
Pozze, lhe deram tapas
No rosto e pediram
Que acordassem
Mas nenhum abriu os olhos,
Então, eles os soltaram
Fora da pista,
Ticiane e sua mãe
Correram até eles para vigia-los:
- eles irão melhorar.
A garota mais alta falou.
Ticiane e sua mãe
Assustadas preferiram
Ficar caladas,
Os jovens pegaram na lateral
Direita do Palio e
O endireitaram,
Ligaram o motor e
Também funcionava.
Depois disso,
Bateram nas mãos
Um do outro comemorando
Pois estava tudo certo.
Disseram adeus
E foram embora.
Ticiane gravou seus rostos,
Suas vozes,
A forma como falavam
E se vestiam.
Ela os cuidou se afastarem.
Junto de sua mãe,
Ela pegou o pai no colo
E depois o irmão
E os levou para dentro
Do automóvel,
Depois a mãe ligou o carro
E foram para o hospital.
Um mês se passou
E nenhum fez movimento,
Ou falou.
No entanto,
Ela estava segurando
A mão do pai,
Sentada no sofá de um hospital
Ao lado da mãe
Que sorvia seu café
Quando o coração do pai
Parou de bater para sempre.
Ela não abriu mais olhos,
Não a abraçou,
Não lhe deu um último conselho,
Não lhe deu o dinheiro
Para o lanche do refeitório escolar.
Aliás, ela deixou os estudos,
Por um mês
Sem preocupar-se,
Ficou ao seu lado,
Ora abraçando a mãe,
Ora olhando o irmão
Deitado imóvel na cama
Ao lado...
Agora, o pai partia
E não havia retorno.
Acabou,
Seu último pulsar ocorreu,
Enfraqueceu e desistiu.
Nem os médicos
Ou enfermeiros souberam
Como reanima-lo,
Nem o pranto de Ticiane
Abraçada a mãe
A olha-lo,
Nem ao menos quando
As duas abraçaram o irmão
E chamaram seu nome:
- pai, pai, pai
Volte.
-meu marido,
Meu esposo
Eu te amo.
“Precisamos de você “.
Disseram em uníssono.
Já era tarde,
Seu pulmão não respirou,
Seus olhos descansaram
A luta pela própria vida acabou.
Ticiane, recorreu até o chão,
Ajoelhada ao lado da cama
Do irmão,
Ela pegou sua mão,
Beijou e chorou.
A mãe implorou pelo esposo.
Ela levantou o rosto
E correu sem destino.
Não sabia dirigir,
No entanto,
Ela segurava a bolsa da mãe
E dentro dela havia as chaves
Do carro dela,
Um gol vermelho,
Ticiane pegou a chave
E sem saber como dirigiu.
Foi até a estrada
Onde colidiram contra
Os jovens e os esperou.
Sentiu como se seu coração
Fosse mais forte que tudo,
Olhou para o céu
E gritou
Depois disso
Soube que eles viriam
Todos juntos,
Bêbados, viciados e felizes.
E ela estaria ali,
Estacionada no meio
Da pista a espera-los.
Foi como se seu olhar
Tivesse um brilho hipnótico,
Ela olhou para o céu,
E eles souberam que precisavam
Sair, dirigir sem destino,
Porém, tinham um lugar
Para ir,
Uma estrada para passar.
E vieram,
Cabeças fora da janela,
Música alta,
Garrafas e cigarros
Entre os dedos,
Beijos e abraços
Entre todos com todos.
De longe, Ticiane os viu,
Agora estava preparada,
Ligou o carro,
Desligou as luzes e acelerou,
Testou o motor,
Foi para a frente e voltou
Diversas vezes,
Até que o carro ficou
Mais próximo,
Era o mesmo de anteriormente,
Deus lhe dava uma chance
Se defender seu pai,
De fazer algo por ele,
Um último algo
Agora que ele levaria
Para sempre...
Engatou a marcha
E acelerou,
Pegou de frente e em cheio
Contra o outro carro.
No choque os para-choque
Se juntaram um no outro,
Ela desceu do seu carro,
Olhou fixo em cada um deles
E eles se sentiram
Como se fossem de pedra.
Ficaram estagnados
Com as garrafas em mãos,
Olhos parados,
Cigarros entre os lábios,
Fumaça batendo contra a janela...
Então, Ticiane juntou
Uma madeira potente
De dentro do carro,
A bateu contra suas janelas,
Estourou seus vidros,
E só pensou no leito
De hospital que guardava
Seu irmão e seu pai.
O ódio foi tão intenso
Que nenhum deles moveu-se,
Com isto ela ateou fogo
Contra o carro,
Os viu queimar aos poucos,
Depois virar labareda,
Depois afastou-se.
Ao ficar longe
O magnetismo de seu olhar
Parou de fazer efeito
E ela pode contemplar
Uma garota fugir
Pela janela,
Correndo gritando
Pelo asfalto em chamas
Até cair morta
Sobre o asfalto.
Os rapazes também
Tentaram fugir,
Todos gritavam suas dores,
Mas o fogo os consumiu
Aos poucos.
O motorista correu na direção
De Ticiane
Que ficou de frente
Para eles,
Ele foi rápido,
Correu pelo escuro
E logo se aproximou
Então, ela manteve
O olhar seguro e instintivamente
Ele cessou.
Ela aproximou-se dele,
E lhe desferiu uma paulada
Contra o rosto,
Seu corpo que queimava
Caiu ensanguentado,
O fogo terminou de consumi-lo
No chão.
Depois disso,
Ambos os carros queimaram
E Ticiane voltou encontrar
Seus pais,
Só restava levá-lo
Para o cemitério,
Lá tudo acabou,
Dentro dela,
No entanto,
Se iniciou.

domingo, 14 de setembro de 2025

Noite na Avenida Porto Alegre

-Nossa e é sua primeira vez?
Indagou Andeane
Com os olhos cheios de expectativa.
-Claro que sim.
E vi duendes levando
Os vasos de flores
E voltando com dinheiro puro...
Respondeu Alex,
Tomando um gole de cerveja.
Estan olhou abismado,
Tudo que ele foi capaz de lembrar
A respeito da noite passada,
Foi de ver Alex transando
Com Andeane no capô
Do carro,
Ela totalmente nua,
Olhos fechados,
Simplesmente, “apagada”,
Ou dormia, ou sei lá...
Desmaiou.
-Uau, Alex.
Então, você usou drogas
Pela primeira vez ontem?
Ele indagou incapaz
De calar a curiosidade.
-Sim.
Claro. Vi estrelas no céu
Caírem se ascender em
Logo ali em frente
E nada queimar,
Porém, ficou dia ensolarado.
Ele disse.
Com um copo
Em mãos apontando
Para adiante.
-Uau.
Agora são 11 horas e o sol
Não apareceu.
Estan continuou.
- Certo.
Deve ter brilhado muito
Durante a noite
Enquanto eu me deliciava
Naquela droga pura
Da melhor qualidade.
Ele continuou.
Bebeu todo o líquido do copo
E tornou a encher
Com a garrafa que deixava
Sobre a lataria do carro.
Andeane não reclamou
Mas sentia dor em suas
Partes íntimas.
Contudo, passou as mãos
Pelo próprio corpo
E notou a ausência
De suas lingeries.
- Uau, por baixo
Da minha calça
Eu estou sem calcinha,
E por baixo da blusinha
Não está meu sutiã.
Como eu tirei?
Ela indagou trêmula.
-Você não lembra?
Nossa, você disse que
Virou atriz de televisão,
Subiu no carro e retirou
A própria roupa,
Então, fez xixi lá de cima,
Alegando que virou
Um homem.
Alex disse rápido
E rindo gargalhadas.
- Eu fiz isso?
Que vergonha?!
Ela gritou escondendo
O rosto entre as próprias mãos.
- E mais: você
Pôs os dedos na vagina
E imitou um pênis
Enquanto fazia xixi
E o xixi voou muito longe.
Alex respondeu.
- realmente, eu vi Alex
Lhe tirando de cima
Do carro quando você resvalou.
Estan continuou.
Estan gargalhou
Com vontade lembrando
Da música alta,
E das danças engraçadas
Colados um no corpo
Do outro rebolando os três
Juntos até cair no chão.
Os três encheram seus
Copos com a cerveja
E beberam três goles juntos
Olhando adiante,
Incapazes de voltar
Para suas casas
Devido a bebedeira.
-Ah, que bom
Que foi só isto,
Porque eu não lembro
De nada,
Se eu tivesse transado
Eu nem saberia.
Andeane encerrou a conversa.
-E quem iria querer lembrar
Do que faz em suas noites
De festa?
O melhor é o esquecimento
Que vem com a manhã.
Alex disse depois
De um pequeno silêncio.
Estan notou a falta
De sua carteira,
Lá estavam seus documentos
E o dinheiro.
Havia também um dinheiro
Do seus pais
Que ele guardou para entregar
A eles mais tarde,
Seria para pagar o aluguel
Da casa onde moravam.
- bah, eu notei
A falta da minha carteira,
Eu preciso dela,
Lá está o dinheiro para o aluguel,
Se meus pais não pagarem
Nós seremos despejados,
Está também meus documentos.
Ele disse preocupado,
E choroso.
Largou o copo sobre o carro,
E passou a olhar no seu redor
Para buscar a carteira.
-Caramba, cara.
Nunca mais acha.
Alex disse.
Depois olhou no seu redor,
Embaixo do carro,
Abriu o carro e olhou dentro,
Encontrou um preservativo
Feminino usado e jogou
Para fora
E tornou a buscar.
Andeane pulou de susto
Ao ver aquilo,
Levou por instinto as mãos
Entre meio as pernas,
E não disse nada.
Se afastou do carro
E buscou pela carteira de Estan,
Não encontraram.
-Aqui não há nada!
Ela disse,
Olhando para fora da avenida,
Para o lado dos loteamentos.
-que maldito erro,
Nós termos escolhido
Está noite para beber na avenida,
Seremos despejados de casa.
Estan disse entristecido.
Andeane voltou a vista
Até encontrar o olhar de Alex
Triste e curiosa.
Alex representava não se importar
Muito com o que acontecia,
Se encostou na porta do carro
E bebeu mais um pouco.
- bebe um pouco Estan,
Assim você esquece
Está bobagem.
É domingo ainda.

O galinheiro do Bruce

Na chácara Ahmed
Dona galinha Listradinha
Vivia feliz com seu esposinho
O galo Muhameh.
Eles habitavam um galinheiro
Que permanecia fechado
Nos períodos noturnos
E em dias chuvosos,
Porém, de dia eles percorriam
De asas unidas a chácara
Em busca de sementes,
Frutas e comidinhas.
Bruce era o dono da chácara
Todas as manhãs
Ele levantava bem cedinho,
Corria com suas quatro patinhas
Até o galinheiro,
Puxava o trinco da porta
E abria o galinheiro.
Bruce é um lindo shit-su,
Ele vive na chácara desde bebê.
O galo Muhameh e a galinha
Listradinha logo tiveram ovos,
Dos ovos nasceram pintinhos.
Bruce foi até o mercado
Dirigindo seu carrinho
Fusca azul
E trouxe de lá pequenas
Caixas de papel com mantimentos,
Estas caixas ele pôs no galinheiro
Para fazer ninho
Onde as galinhas passaram
A por todos os seus ovinhos.
Passou pouco tempo,
E as dez caixas ficaram
Cheias de ovos de galinha,
Dez galinhas chocaram ali
Dia após dia.
O Bruce abria a porta,
Entrava no galinheiro
E sorria ao ver os novos
Pintinhos quase nascendo.
Porém, veio o desespero,
Logo que os pintinhos nasceram,
Dez de cada galinha
Piolhos de galinha invadiram
O local.
Eram tantos piolhos
Que começaram a enfraquecer
As galinhas,
E não tardou invadiram
O quarto do Bruce
Em plena noite.
Ele fugiu da cama irritado
E com medo,
Minúsculos piolhinhos
Estavam em todos os locais,
Dentro das frutas do pomar,
Tornando elas impróprias
Pro consumo,
Dentro das flores do canteiro,
Matando-as.
Logo, os pintinhos
Ficaram tão fraquinhos,
Mas tão frageizinhos
Que caíram e não tinham força
Para levantar.
O milho que o Bruce dava
As galinhas não alimentava
Mais,
Elas estavam caindo,
Fuçando fracas,
Magras e perdiam suas penas
Se coçando sem parar.
Elas ficaram endoidecidas,
Corriam pelo terreiro,
Brigavam umas com as outras,
E os pintinhos piavam sofridos.
-Iremos morrer.
Disse o galo Muhameh.
-Não posso abandonar
Meus pintinhos.
Respondeu a galinha pintadinha.
O Bruce chamou o veterinário.
O veterinário disse
Que não existia remédio,
Teriam que abandonar
O local,
Fechar as portas
E queimar tudo,
Nada resistiria.
Depois, o veterinário
Foi embora,
Bruce sentiu no chão,
Lágrimas rolaram
De seus pequenos olhinhos
Mas ele não desistiu.
Foi até o limoeiro,
Colheu o máximo de limões
Que pode e trouxe
Até o terreiro,
Lá ele pingou na água
Das galinhas e fez todas beberem,
Depois pegou os limões
E espremeu no chão
Do galinheiro
E por toda a parte.
Então, ligou a mangueira
Do jardim e molhou
Toda a propriedade,
As flores, as frutas,
O galinheiro.
Deu banho nas galinhas,
No galo e nos pintinhos,
Depois tomou seu próprio banho,
Então, chamou todos para o terreiro,
E pôs fogo no galinheiro.
Todos se abraçaram
Olhando as chamas
Consumir sua morada,
Mas, Bruce logo construiu
Outra muito maior,
Feita de madeira, tela e brasilite.
Os pintinhos puderam,
Enfim,
Crescer felizes
Todos os 30.
Agora, todas as manhãs
O Bruce pega sua cestinha
Vai até o galinheiro,
Colhe os ovinhos
E vende no mercado Atacadão,
Alguns ele guarda
Para chocar
E tirar pintinhos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

O Assassino Está Solto

Ninguém prestou especial atenção
Ao jovem que saia do ônibus,
No início de sexta-feira,
Dia 08 de setembro,
Misturando-se a outros tantos
Iguais a ele.
Sujeito de porte médio,
Usava boné,
Jaqueta grossa que cobria
O corpo de cor escura,
Pasta na mão esquerda,
Se assemelharia a um pastor,
Mas nada apregoava,
Pareceria um operário
Retornando do trabalho,
Mas, não cheirava suor,
Não era mais que um estudante
A caminho da universidade.
Sentia-se a vontade
Ao cruzar de um ônibus
Para o outro,
De um lado da rua,
Para o lado oposto,
Escorou-se em um pilar
Do terminal de ônibus
E ficou quase como um
Manequim de algumas
Daquelas pequenas lojinhas
Que circundavam o local.
Não usou droga,
Ou fumou nada,
Apenas ficou estagnado
Olhando para o alto
Como se não tivesse o que fazer.
Estudante de boas notas,
Esforçava-se para ganhar
As respostas das questões
De antemão,
Amigo de muitos,
Parceiro de poucos.
Longe de sua história antiga,
Reinventou nova vida,
Com currículo inventado,
Não tinha a sua frente menos
Que sucesso.
Desta maneira,
Estava confiante de que
Sua liberdade duraria
Para sempre,
E que sua beleza
Se destacava o suficiente
Para ganhar
A quem desejasse.
Apaixonado por beijos fáceis,
E mulheres moles,
Sim,
Seu prazer provinha
Do resultado morte,
O sacolejar de seus corpos
Tendentes a fugir,
Se agarrar aos segundos
De vida que lhe proporcionava
Até o momento da morte eminente.
As vezes,
Ele as permitia a fuga,
Feria o suficiente
Para vê-las sangrar
Pelo caminho a correr
Crentes que iriam salvar-se,
Mas, ele sabia:
Isto não iria acontecer,
Porque Dand mata
E está nisto o seu prazer!
Não lhe importam as promessas,
O orgasmo de seus prazeres,
O seu instante é outro,
A despedida sem despedir-se,
O desespero por suas vidas,
O delírio do querer fugir
E jamais poder.

Não Aceitamos Carona

Eu e meu irmão
Brincavamos de rebatida
No quintal da nossa casa,
Ambos sem camisa,
Pés descalços,
Vestidos apenas de calção
De futebol vermelho.
De repente,
Uma mulher bonita
Parou o carro
Bem na nossa frente,
Nos convidou para entrar,
Disse que queria dar
Uma volta com nós,
Nos levar para tomar
Um sorvete,
Para passar o calor.
Eu me aproximei,
Ele ficou mais atrás,
Eu me recusei a ir,
O segurei pelos ombros,
E o afastei de perto do carro.
Ela riu alto,
Como se tivesse domínio
Da situação,
Parecia dona de si mesma,
Segura do que fazia.
Nisto nosso pai
Saiu na porta de casa
E nos chamou para dentro,
Depois, foi até ela
E lhe disse coisas feias
Que se recusou a nos repetir,
Dentro de casa,
Ele nos passou um sermão
Sobre não se aproximar
De estranhos,
E sermos mais inteligentes.
Logo, ligamos a televisão
No noticiário do meio dia,
E lá estava uma fotografia
Da moça,
A notícia a definia
Como assassina e estupradora.
Eu e meu irmão
Nos abraçamos apertado,
E até hoje eu agradeço
A Deus por ter nos livrado dela.
A morte nos beneficiou
Com mais algum tempo
De vida
E nós somos gratos sobremaneira,
Penso que ninguém deseja
Ser estuprado,
Sofrer violência contra
Seu corpo, realmente,
É o que há de terrível,
Mas, depois disso,
Ser morto,
Não calculo se exista coisa pior.

Destino à ROCAM