domingo, 19 de outubro de 2025

36 Anos

Chegado os 36 anos,
Você já se sente velho,
Deixa de esconder
Os cabelos brancos,
Decide o corte
Bem curtinho estilo masculino
Ou talvez maior,
Já se permite.
Em pé em frente ao espelho
Inspira e expira
Algumas vezes,
E sente forças
Para olhar para trás
E rever os passos feitos.
O caminho inseguro,
O caminho mais seguro,
Os motivos dos sorrisos,
O terror de seus medos,
E sente piedade
Ou sentimento de fracasso
Ao perceber
Quantas das pessoas
Para quem
Você entregou
Seus beijos
E que não foram tão fortes,
Não resistiram como você,
Morreram.
A dor que acomete
O peito é grande,
Vem até mesmo
Um sentimento de fracasso,
Pois afinal,
Quem errou?
Você com suas escolhas
Ou aquele que partiu,
Seguiu outro caminho,
Não resistiu.
É como perder um membro seu?
Será que se assemelha
A acordar logo no início
Da manhã
E não ter o movimento
De alguns de seus dedos,
Sentir o pânico lhe tomar
Por ter medo
De nunca mais
Poder mexer-se
Como aos seus 15 anos.
Naquela época
Era tudo tão simples,
São 21 anos,
Não é tanto,
O que houve
Neste caminho escolhido?
Drogas escondidas
Por entre seus remédios,
Brigas enfrentadas
No calor da raiva,
Amores perdidos,
Beijos não esquecidos?
Bem-vindo a minha vida,
36 anos vividos,
Dores nos ossos,
Dedos frios,
Amores não correspondidos,
O que eu fiz de mim,
Que houve com nós?
E aqueles que já caíram
Na estrada da vida,
Perderam-se para sempre,
Fui realmente melhor que eles
Ou apenas tive escolhas
Positivas?
Onde foi nosso erro?
A bebida,
A comida
Ou um pouco de casa escolha?
Dói lembrar os nomes,
Confesso,
Quase esqueci os erros,
Dói lembrar os medos,
E os segredos confiados
Para onde foram?

sábado, 18 de outubro de 2025

Laços de Afeto

Depois de tantos anos
Doando sangue,
Chega o dia em que
Encontrou um rapaz recebendo,
Ver com seus olhos
Que você realmente
Está ajudando alguém
É gratificante.
Você imagina que o salva
E isto é tão simples,
Demora poucos instantes,
Não fere,
Só faz bem.
Ele estava de olhos fechados,
Não se movia,
Então, deitei na maca
Bem ao seu lado,
Vi sua mão imóvel
E quase sem vida,
Branca, pálida, frágil.
Senti como se ele
Falasse comigo
E eu pudesse ouvi-lo,
Isto realmente
Foi um milagre,
Ele não falava,
Parecia morto,
Estava há muito tempo
Naquele estado
De dependência
De outro alguém...
Eu estendi minha mão
Que doava sangue
E toquei a sua,
A mão dele continuou quieta,
Estava fria,
Meus olhos se encheram
De lágrimas,
E eu desejei salva-lo,
Desejei muito.
Então, num impulso
Que eu não entendi
A mão dele que recebia
Meu sangue moveu-se,
Ele abriu os olhos
E moveu a cabeça
Para a minha direção,
Eu permaneci quieta e sorri.
O coração dele
Pulsou intenso,
O meu também,
Depois disso
Ele procurou meus lábios
E me beijou,
Ali deitada a entregar
Meu sangue para ele,
Fui beijada por muito tempo.
Ele me chamou de esposa,
Eu disse Sim Sou,
A mão dele apertou
Ainda mais forte a minha mão
E eu desejei estar ao seu lado
Para sempre.
Ele esperou por anos
O que fui capaz de fazer
Por ele num único momento
De um único dia,
Meu sangue
E minha crença de poder
Salvar sua vida,
Nossas vidas,
Que agora e para sempre
São uma.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Segurança Pública

Conforme a chuva cai
Toca o chão e escorre
Pela terra molhada
Eu repenso meu passado.
Penso em coisas
Que poderia ter feito diferente,
Em maneiras de amenizar
Meus tombos,
Ou feito um sonho
Nunca tivesse caído.
Mas, quando a prova chegou
Também me despreparou,
Eu esqueci conteúdo,
Dia dos testes
E estudei pouco,
Fui aos trancos e alcancei barrancos....
Bem, eu andava a pé,
Então, a colisão foi simples
Eu toquei o muro
Feito de terra e gramado,
Encostei as mãos contra a parede,
Esperei ser revistada,
Aguardei o resultado,
O fato é que eu não sabia
O que buscavam,
Com isso, não sabia
Se eu teria ou não.
Me virei,
Dei de cara com o policial
Que cansado de passar
A mão por meu corpo,
Buscou meu nome
E através dele conteúdo
Em seu próprio sistema
De anotações sobre pessoas.
Então, fui liberada,
Segui caminho,
Uma viatura veio na via
Do meu lado,
Eu olhei de soslaio,
Lá estava o Coronel,
Ele era velho,
Contudo, enxergava bem,
Dirigia seu próprio carro
E eu acenei.
Ele olhou e sorriu,
Nisto tudo,
Eu quis ser aquela
Que passou pela periferia
Armada desde criança
E não sentiu medo nenhum.
Eu não desejei conhecer
Cada pessoa que estava
Escondida por entre
Aquelas paredes de casas
Mal feitas com telhados
Despencando sobre suas cabeças.
Eu não quis
Nenhum pouco
Saber de suas necessidades
Ou repensar meu trabalho
Para entender como poderia
Suprimi-las,
Não.
Eu só quis não sentir medo
Daqueles olhos sujos
Escondidos por entre os escombros,
Com suas mãozinhas sujas
E dedos magros e compridos
Agarradinhos na sujeira
Mantendo apenas suas cabeças
De fora,
Com aquele cabelinho curtinho,
Rosto redondo e pequeno,
E uma arma ao seu lado
E medo nenhum
Naquele ser que não sabia
Onde estava seu pai
Ou sua mãe
E nem qual a responsabilidade
De se atirar para matar
E ferir alguém.
Ao invés disso,
Eu quis ser aquela
Que fez o Coronel
Parar seu carro
Um pouco antes da favela,
Abrir a janela,
Retirar a película escura,
E gritar:
“Venha eu te levo,
Conheço o caminho,
Posso mantê-la segura”.
Quis ser a moça
Que ultrapassou ambas
As ruas sem ter faixa
De pedestre onde pisar,
Sem medo de carros
Que viriam ou iriam
Porque o Coronel Edivar
Estava lá.
Eu nunca desejei ver
Aquela mãe debruçada
Sobre uma tábua de madeira,
Agarrada a um córrego
De água suja
Lavando suas roupas brancas
Em água marrom.
Não desejei nenhum pouco
Saber da dona Denilce
Que pulou a janela do segundo
Andar de sua casinha compridinha
Para o céu e bastante torta,
Para buscar suas roupas
Que o vento forte carregou
Para longe,
Quase próximo ao carro
Do Coronel Edivar
Que cruzou olhou
Juntou as peças e a entregou:
“Vento forte,
Heim, senhora”.
Ele disse ao entregá-la.
Eu não desejei ver
Aquela garota de saia curta
Que ao avistar o carro dele
Levantou a camiseta
Para lhe mostrar os seios
Que ainda se formavam nus.
Até que dois meninos
Desceram mais rápidos
Que o carro do Coronel
Edivar aquele moro feito
De terra desmoronando
E grama em seus carrinhos
De rolimã
E cruzaram a frente de sua viatura
O fazendo frear forte e rápido,
E os garotos se foram
Muito perto de sua frente
Para o outro lado do moro
E seguiram com seus sorrisos sujos.
Menos quis ver o Coronel Edivar
Não ter uma bomba de encher
Pneus para ajudar
A menininha que chorava
Sobre a roda da bicicleta
Com pneu murcho,
E que morava longe demais
De um posto de gasolina
Que pudesse ajudá-la,
Mas o Coronel Osvaldir veio
Logo atrás e ele tinha.
Foi simples,
Não demorou nada,
Ver ambas as viaturas paradas
A espera da criança que limpou
O sorriso branco,
Sujo de terra e com poucos
Dentes e sorriu.
O difícil foi vê-los
Saírem rápidos porque
Os garotinhos do lugar
Juntaram pitocos de cigarro
E começaram a jogar neles,
Amarrados a pedras,
Acho que quiseram pôr fogo
Em ambos.
Eu passei,
Olhei a garota dentro da viatura,
Lhe sorri,
Abri a porta com um olhar
Cúmplice e disse:
“Vou também”.
Ela desgostou ou não,
Eles se olharam sérios
Como se pensassem:
“algo mudou”.
Mas, coisas fixas
Não mudam por muito tempo,
Eu os vi parar mais para a frente
E saí do carro
Para pedir emprego
Na empresa próxima a tudo aquilo,
Onde minha prima trabalha.
Eu quis ser aquela garota
Que já tinha um emprego garantido,
Que não teria imprevistos,
Que estava segura,
Então, eu ouvi barulho
De tiros mais para cima,
Mas, ambas as viaturas
Já haviam passado,
Eu estava a caminhar de novo.

Agente Caracterizada em Busca de Apoio

Acordei em espasmos,
Minha boca doía,
Meus lábios estavam feridos,
Meu esposo,
Tentou me matar
Usando nosso travesseiro.
Eu sobrevivi,
Me levantei cambaleante,
E o encontrei tomando
Uma cerveja
Em nossa cozinha,
A comemorar.
- eu estou viva.
Eu disse
Pondo o rosto para fora
Da porta,
Ele se virou,
Puxou a cortina contra
Meu rosto e desferiu um soco,
Pleno e soberano
Sobre os ossos do meu rosto.
Meu nariz sangrou,
Eu tentei me afastar
E percebi que ele segurava-me
Através da cortina
Me apertando com seus dedos,
Dei um soco com força
Contra seu braço
E ele me soltou,
Então, me afastei e deitei
Sobre a cama de cobertor amarelo.
Nosso presente de casamento,
Meu pai nos deu,
Quando me confiou a ele
Para cuidados, amor
E família.
A coberta guardava
Poucas marcas,
Acho que ele a enrolou
E tentou enfiar no meu ânus.
Meu bumbum ardia,
Minha boca tremia,
Eu sangrava.
Ele pegou quatro garrafas
De cerveja da geladeira
E saiu trabalhar.
Depois da madrugada,
No amanhecer eu lavei o rosto,
Em água corrente,
Chorei para passar o susto,
Me vesti e fui para o trabalho.
No caminho liguei
Para a polícia,
No retorno do trabalho,
Eu fiz sinal de socorro
Para a base militar,
Pedi ajuda sem sair
Do ônibus.
Corri para casa,
Na noite,
Um Tenente invadiu a casa,
Acordei e ele estava
Sobre meu corpo desnudo.
Eu disse:
-Senhor o que é isso?
Ele sorriu e se afastou.
Um capitão entrou no quarto
Depois que ele saiu,
Balançou a cama
Chacoalhando para frente
E para trás
Batendo contra a parede
E saiu.
Eu fiquei em silêncio,
Estarrecida e nua.
Não levantei fechar a porta,
Não entendi como entraram.
Mais tarde,
Acordei com dores no pescoço,
Dias após o anterior,
Olhei para a janela
E a cortina branca continha sangue.
Eu olhei para a minha bunda
Imediatamente e disse:
-Ai, sangrei.
Então, escorreu sangue
Por meu rosto.
-outro soco?
Eu me indaguei.
-de meu esposo
Ou de algum policial armado?
Eu não soube.
Eu não tive com quem
Contar.
Na sala um capitão
Dava aulas de direito ambiental,
Era o mesmo que invadiu
Meu quarto,
Aquele que fez barulho
Insinuando sexo.
Passou poucos dias
E ele entrou outra vez
Em minha casa
Com uma mulher
E um Tenente Coronel,
Eu acordei com as vozes,
Eu não soube sobre o que era,
Ele me viu nua,
Outra vez,
Deitou na minha cama,
Depois disso,
Pulou nos braços daquele
Tenente Coronel, o Venâncio.
E foi horrível ver,
Um homem diante de outro homem,
De maneira tão sórdida,
Eu não disse nada outra vez,
O pânico cala minha garganta.
Mais tarde,
Poucos dias,
Acordei e meu olho direito
Ardia,
Meu esposo Tiago
Estava segurando minha língua
Com três dedos
Tentando arranca-la.
Ele me cortou,
Se cansou e saiu.
De outra vez,
Um Coronel entrou,
O Bedin,
Ele deitou sobre minha cama,
Me olhou,
Haviam pessoas com ele,
Eu acho que tentei contar,
Ele me olhou assustado.
Meu esposo,
Desejou tomar minha casa,
E o terreno que meu pai
Nos deu para viver,
Ele conversou com um pessoal
E eles invadiam por meio
De vozes a minha privacidade
E davam ordens a ele,
Ordens de morte.
Então, clonaram meu número
E fizeram milhões
De ligações falsas,
E aceitavam as ligações
Que desejavam
Na tentativa de me internar
Em hospital psiquiátrico
Para ele auferir todo o lucro.
Ficar com casa, carro
E bens da minha família,
Todos para si próprio,
Eu não sei o que estas pessoas
Lucravam,
Mas, fui ferida e muito.
Convidada a ir
Apresentar sobre minha monografia
No batalhão de polícia local,
Oportunamente
Relatei a história,
Ninguém acreditava em mim,
Tudo parecia contrário
Ao que eu dizia.
Nesta altura
Eu já era considerada
Uma criminosa.
Havia cometido delitos
De menor potencial ofensivo
Como ameaça, rixa, calúnia
E importunação.
Não parou por aí,
Eu contei tudo,
Arriscando sair daquele chão
Numa camisa de forças,
Para tratamento interno.
Então, uma caminhonete
Grande e duplada e caracterizada
Invadiu o local com quatro
Homens armados a fuzis.
Eram os tais que haviam
Invadido a minha casa:
O tenente Felipe,
O capitão Sadiomar,
O Tenente Coronel Valdez,
O coronel Edivar...
Todos os quatro passaram
Dentro do quartel,
Com fuzis nas mãos,
Enquanto os demais policiais
Estavam sobre o palco
A minha frente.
Passando lá,
Eles descarregaram
As armas sobre o palco,
Seguiram viagem
Para a frente e saíram.
No entanto, os quatro
Respectivos estavam sobre
O palco, Felipe e Sadiomar
Morreram imediatamente,
Os outros dois ficaram feridos.
Quatro oficiais de polícia
Atentaram contra estes mesmos e outros,
Eu fiquei do outro lado
De livro em mãos
E lábios calados,
Fiz meu trabalho de conclusão
De curso superior
Relacionado a área policial,
Por isso, estava lá.
Mediante a troca de tiros,
Eu sobrevivi,
Contudo, quem explica
Os rostos reconhecidos?
Os verdadeiros policiais
Eram os de sobre o palco
Ou os armados?
Todos vestiam-se de fardamento,
Uns pareciam ter o controle
Sobre este sistema
E os outros,
Eram apenas alvos?
Quem atentou contra
A minha vida,
Enterram-se os mortos
Pelos nomes antigos
Ou saem pelo anonimato?
De um número de fardamento
Para o buraco de um indigente,
Quem são estes?
-Eu busco apoio.
Eu busco apoio.
Gritou um soldado
De dentro de uma viatura
Passando em frente ao quartel,
Então, ele parou,
Olhou para aqueles caídos,
Viu os feridos
E lá longe avistou a viatura
Contendo os mesmos agentes.
Ao passar a viatura,
Eu, Aline, juntei minha bolsa,
Retirei dela uma pedra
Que levei comigo,
Então, a joguei contra o motorista 
Que desfaleceu
Sem demonstrar nada,
Continuou caminho
E colidiu contra a companhia 
De polícia ambiental e explodiu,
Levando para os ares
O pequeno prédio,
No subsolo do prédio 
Havia materiais de sistema 
De vozes e interceptação,
Ainda haviam 15 indivíduos,
A explosão os matou,
Estragou os materiais,
Danificou provas,
Mas, estão lá a vista pública.
E a outra viatura 
Que seguiu adiante 
De que se tratava?
Outros policiais duplos?
Ou seja, triplos?
Ou mera coincidência de características 
Como modelo, numeração e cor?
Lá longe ela virou a esquina,
Feito uma miragem 
Que some aos poucos da vista,
Com suas armas expostas
E seus agentes armados lá dentro,
Mas, meu esposo,
Ele nunca foi policial
Ou usou armas,
Sequer aprendeu a dar um tiro,
Mas, me faz seu alvo
E eu preciso fugir disso,
Peço o divórcio 
Ou o número do necrotério?

Edivar, Cadê?

- olá, tenente
Chama seu superior,
As noites aqui são turbulentas
É trabalho para profissional experiente.
Eu disse a ele,
Então, Edivar entrou,
Coronel armado até os dentes,
Trouxe seu motorista,
Um soldado bem treinado,
Contudo, a invasão do crime
Não parou.
Sumiu da minha casa
Roupas e cobertor,
E quando me vi em mim,
Nem mais eu estava ali.
Eu tive que colar na janela,
Romper muros,
Abrir pontes invisíveis
Até alcançar um mínimo
De proteção.
Sozinha e exposta,
-Ora Coronel,
Me diga aonde você falhou?
Eu imaginei a ele
Em noites tórridas de amor.
- eu quero ajudar,
Preciso entender
Onde posso começar?
Eu poderia ter dito isso,
Mas, entender sua carreira
Requereu de mim estudos,
Então, o velho Coronel
Ficou para trás
E o crime correu as ruas,
Rompeu tudo que precisou
Porque para ele...
“não houve obstáculos?”
Eu quis saber sobre isso.
-Ora, me fala Coronel
Como posso proceder
Eu gostaria tanto
De ser protegida,
Me diga,
Como posso responder.
Em seus trinta anos de carreira,
Final de posição hierárquica
Ele não soube dizer,
E eu pessoa singela
Do bairro pobre
E retirado da cidade
Menos soube como fazer,
O quê nem se soube entender.
-Coronel, meu coração
Se aperta no peito,
Eu, em noites escuras,
Abro meus olhos
E sem conseguir enxergar
Chamo por seu nome,
Bedin, você pode responder,
Aonde está você?
Ele só diz
Que seu trabalho o consome,
Faz seu turno
E se dedica em tempos vagos,
Eu peço a ele um tempo,
Não me refiro a distanciamento,
Mas, a instantes de seus dias,
Alguns minutos no seu relógio,
E isto o consome,
Ele se enfraquece,
Luta pelo que parece tão simples
E eu já lhe indago:
- e aquele crime mais grande,
Parece mais importante.
Ele nem encerrou
O que iniciou
E eu já quero
Que resolva até o outro,
E a todos...
Então, não acalma
Nem melhora nada,
Eu sonho de noite
Que um maldito me invadiu,
Conseguiu abrir a porta
Da minha casa,
Trouxe um pano escuro
E cerrou minhas vistas,
Apertou meu rosto
Até eu não poder sentir
Mais nada,
Apertou meus ombros
Inutilizou meus braços,
Depois disso,
Ele o envolveu por meu corpo,
Contornou minhas pernas,
Impediu qualquer movimento,
Deixou minha bunda
A mostra,
Retirou toda a minha roupa,
Eu sou uma bunda
Para o alto,
Um alvo de suas investidas,
Eu não posso falar,
Nem ver,
Ou me mover,
E já nem sei se sinto
Mas, se pudesse dizer...
-Coronel, cadê você?
Bedin, você ficou
No trabalho até mais tarde?
Que horas você vêm?
Valdez, você viu quem era este?
Kasburg você corrompeu
Seus valores?
Coronel, o que houve?
Alguém...
Alguém a quem
Eu possa recorrer...
Bandido...
Bandido...
Você me dá uma chance?
Vai-te,
Deixa-me...
Coronel, eu confiei em você.
Medeiros, vou sobreviver?
Henrique, sinto medo.

Eu o Perdoo Valdez

O passado se fez presente,
Me trouxe você,
Aquele para quem
Eu nem lembro se beijei,
Mas, em um momento
De conflito,
Em que tudo ficou turvo,
Você pareceu me ajudar.
É fato,
Me pegar no flagra
Me deixou boquiaberta,
Eu jamais me recuperaria,
Contudo,
Você fez de tudo
Tão simples
Que ver você
A esmo,
Num flagrante conspiratório
Fez do ato vergonhoso
Algo a ser repensado
E eu não repeti.
Nem você,
Eu imagino,
Foi um erro do instante,
E penso se o vi novamente.
A situação me apieda,
As vezes,
A soberania revestida
De humano torna compreensível
O inseguro e o irreversível?
Um cargo de chefia,
Onde tudo precisa ser meticuloso,
Um erro na fala,
Uma irreversibilidade de ato
E tudo tornou-se fato,
Agora vem o remorso?
Aquele sentimento
De indagação sobre
Se foi feito todo o possível,
E aquela incerteza
Sobre se você
Realmente planejou tudo,
Desde o que fiz,
Até o porvir.
Eu o perdoo Valdez,
Eu o perdoei daquela vez,
No meu coração
Você só me ajudou,
Eu recordo de suas incertezas,
Talvez, algo de medo
Estampado em seu rosto,
No meu havia pânico
E inseguro,
Eu não tinha tanta
Responsabilidade nos atos
E nem no que eu dizia...
Ver você em maus planos,
Me ajudou a não segui-lo...
Penso se você sabia
O que fazia,
Então, entendia o que me dizia,
E acredito nisto,
Você fez o melhor para nós,
Não foi egoísta
E agora, está num lugar bom,
Tranquilo de existir,
E não consumido por larvas
Como estaria se tudo que fez
Foi conspiratório.
Eu o perdoo,
Se hoje de você
Restou apenas ossos,
Eu o perdoo,
Se de seu sorriso
Ainda há carne a putrefar,
Eu o perdoo,
Se há em seu corpo
A vida,
Eu o perdoo.
Eu me agarro a ideia
De que se você estivesse
Por aí,
Vivo e seguro
Isto me faria acreditar
Que tudo foi perfeito
E que nunca houve erros,
Nem inocentes
Em nossa história,
Mas, inocentes se perdem,
Almas boas morrem,
E almas más terminam
No inferno.
Eu chorei por lembrar
De você,
Eu queria que você
Tivesse sido aquele
Que resistiu,
Que lutou bravamente,
Que não estivesse dentre
Estes que não sobrevivem
Porquê escolheram o crime.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

O Assassinato no Domínio Público

A família Barbieri foi exposta,
Por poucas motivações,
Desvio de verba pública:
O patriarca aproveitou-se
De suas funções de trabalhador
Nas repartições públicas
E retirou para si mesmo
O máximo de valores possíveis.
Seu último ato
Refere-se a máquinas
De construção e conservação
De estradas públicas,
Aproveitando-se de que
As máquinas estavam a trabalho
De limpar e organizar a via pública
De um bairro afastado
Localizado na via rural do município,
Ele retirou fotografias
Das máquinas e usou fotoshop
Com o intuito de alegar
Que estavam em ruínas,
Retirou as peças boas
E as vendeu no comércio próximo.
Algumas ele trocou,
Pegou a que estava
Em bom estado
E substituiu por usadas
E deterioradas.
Ocorre, que o vizinho
Próximo ao local
De onde estavam as máquinas
Observou tudo de sua residência
Que localizava-se próxima,
Porém, escondida por entre
As árvores.
Assustado com o que viu
Ele denunciou tudo
Na polícia local.
Logo, no início da noite
Do mesmo dia em que contou
A história ao delegado,
Sua namorada foi visitá-lo
E o encontrou pendurado
Em uma corda na árvore
De frente a sua casa.
Uma enorme nogueira,
Segurando em seu longo galho
O pescoço do homem,
Cujo corpo balançava ao vento.
A única testemunha foi morta,
Não havia nenhum dado
Que ligasse sua morte
A qualquer fato
Ou pessoa
Que pudesse ser reconhecido
Como assassino.
Até está data,
Deoclécio Barbieri
Era sujeito respeitado
No município,
Agora, porém, suspeitas
Sondavam sua casa
E acusavam sua família.
Sua filha Carol
Vendo o pai ser preso
Por corrupção e outras acusações
Pegou o carro e dirigiu
Por uma noite inteira a esmo.
Ao amanhecer retornou
Para sua casa e decidiu
Trabalhar,
Aos 24 anos,
Convidou sua mãe Nomira
Para abrir uma loja
E vender algumas de suas
Tantas peças de roupas
De bom estado que possuíam.
Em três dias,
Abriram seus roupeiros
E puseram sobre a cama
Todas as peças de pouco uso
Ou até de nenhum,
Separaram para vender,
Colocaram etiqueta com preço.
Agora, reunidas diversas
Caixas fechadas
Contendo roupas na sala,
Só restava encontrar dinheiro
Para alugar a sala comercial
E pôr tudo a venda.
Amigos de Deoclécio
Pressionaram o delegado
A respeito de ele ser preso,
Alegaram ser bom sujeito,
Pessoa respeitada na sociedade,
Sempre preocupado com o
Bem-estar do povo,
Um excelente conversador
Que sabia ouvir e entender
As necessidades dos munícipes.
Foram muitos os que
Buscaram o delegado
E o chamaram de corrupto,
Ladrão, protetor de criminosos.
- a única testemunha morreu?
Indagou alguém ao delegado.
-sim.
Ele respondeu.
E saiu com a viatura
Para percorrer as ruas
Do município,
Assustado com tanta pressão,
Ele estacionou em frente
A casa de Deoclécio
E atirou contra a própria cabeça.
O sargento assumiu
A delegacia por pouco tempo,
Alguns munícipes se reuniram
Ao redor da delegacia
Em busca de solução ao crime,
O sargento sentiu medo
E abandonou o cargo.
Um Tenente da cidade grande
Foi designado especialmente
Para a solução do caso.
Nos 30 anos de função de Deoclécio
Dentro do espaço público
Ele teve tempo de encontrar
Muitos adeptos ao seu trabalho.
O tenente desconsiderou
O boato de que o delegado
Suicidou-se,
Preferiu a opção de que
Alguém o matou,
E desconsiderou a demissão
Do sargento,
Optou a ideia de ameaça
E coação contra ele.
Enquanto a testemunha morta,
Também foi considerado assassinado,
Pairava contra a família Barbieri
Dois assassinatos e ameaças
Em sua ficha criminal.
Sabedor de todas as acusações
O prefeito do município
Aproximou-se da família
De Barbieri encontrando Carol
Em necessidades de dinheiro,
Lhe emprestou o dinheiro necessário
Para a compra de novas roupas,
Ligou para um munícipe
Amigo dele e alugou a sala
De que Carol precisava.
No primeiro dia de trabalho
De mãe e filha,
Ele foi o primeiro a entrar lá,
Com um buquê de flores
Em mãos e um sorriso afetuoso.
- parabéns Carol.
Ele disse.
- obrigada.
Carol respondeu.
O prefeito, Dalcin
Era viúvo recente,
Namorador reconhecido
No município.

Destino à ROCAM