terça-feira, 25 de novembro de 2025

Escrava do Demônio 2

Minha estrela
Do amor
Não foi como outra
Qualquer,
Claro que não,
Ela tinha seis pontas.
Bom,
A moda da rua
Era as garotas
Terem tatuagens
Pelo corpo
Como meio de mostrar
Desejos e gostos.
Eu não me sentia segura,
Quanto mais andei,
Colhi flores por onde passei,
As plantei, reguei
E as vi morrer,
Nada disso me preencheu,
Mas, eu sabia
Havia um além.
Nisto, entrei no lugar
De fazer tatuagem
E pedi:
“ Faz sobre meu pulso
Uma estrela de seus pontas,
Ao redor um círculo,
Porquê está estrela gira”.
O rapaz me olhou seguro
E disse:
“Gira?”
Eu respondi:
“Gira, gira sem parar,
E eu preciso achar
O meu lugar”.
Ele me olhou incrédulo,
Me pediu para sentar
E fez o desenho
E seus traços na cor negra,
Eu sabia que desta cor
Sairia a cor de seus olhos,
Negros como uma noite,
Algo misterioso e profundo
Onde...
“ Um dia eu estive aí
Neste escuro “.
Eu falei sem ter motivo.
O rapaz segurava
Meu pulso e pincelava,
Então, ele parou e me olhou:
“Aqui?”
Indagou.
Eu trêmula respondi:
“Sim, neste escuro profundo
Feito uma noite
Em que percorri as cegas,
Mas mesmo sem saber
Eu soube,
E de alguma forma
Sem poder ver
Eu vi.”
Disse isso com
O corpo trêmulo
E olhei para a parede
Como se do nada
Alguém viesse parar ali,
Ou estivesse a minha espera
Não muito longe,
Eu soube.
“Sim, há sempre um alguém
Que nos ame
E nos espere”.
Ele respondeu com cara
De quem me achou boba.
Eu me contive,
Também não entendi
Minhas certezas
Mas soube e isto bastou
Para mim.
Com isto,
Pedi a ele que escrevesse
Dentro de cada ponta
Da estrela uma letra,
Eu disse:
“Escreva aí I, M, G, O, B, S.
E guardei meu braço
No peito
De leve
Sem medo de borrar as letras
Porquê eu soube
De algo maior que isso.
“Cuidado, você vai borrar
A tatuagem
E ela se apagará “.
O rapaz me disse.
“Não, isto pertence
A mim,
Ao meu interior,
Está tatuagem eu estou
Identificando agora
Para os outros
Mas sempre esteve comigo,
Eu sinto,
Isto, de alguma maneira
Me pertence “.
Eu disse de ímpeto.
“bem, me prove!”
O rapaz falou irritado
Porquê eu não deixei
De abraçar o pulso.
“Veja!”
Lhe disse.
E o estendi.
A estrela girou,
Se motivo,
Como se fosse viva,
Brilhou e girou no meu interior
Sobre minha pele
Como um planeta
Em sua rotação de busca.
“E incrível!”
Ele respondeu num pulo,
Levantou-se e me olhou.
“esta vivo isso?
Meu Deus,
Foi eu que fiz,
Que é isso?”
Ele indagou de pé.
Eu sorri.
E dentro da tatuagem
Houve um vermelhão
Como se a pele
Estivesse sendo devorada,
Queimada viva,
Das chamas,
Meu sangue pareceu emergir
Como se apagasse o fogo
E ali um beijo repousou,
Nem meu
Ou do rapaz que fez a tatuagem,
E assim que se afastou
Permaneceu lá dentro
Tatuado.
“onde você está,
Meu amor?”
Eu indaguei
Ao vulto que chegou
E sem estar me tocou.
“Perto”
Pude ouvi-lo pensar.
“muito perto”.
Eu ouvi com o coração
Aos saltos,
Sim, eu tinha alguém
E ele viria para mim,
Eu soube,
E agora, ele também.
O I borrou como se fosse
Se apagar,
Ficou escuro e nebuloso,
Depois retornou sua cor
Ao seu lugar,
Contudo, pareceu escrever
Em cada ponta da minha estrela
ISAAC e todas as outras letras
Se apagaram
Depois a tatuagem retornou
Ao I e o deixou mais negro
Mais intenso como um negritado
De computador.
Eu vi neste instante,
Sem saber de mim
Ou de outrem,
Que eu tinha um amor
E ele estava perto,
Porém, meu pai e minha mãe
Se perderam no caminho,
E com eles meu avô,
Minha prima e minha tia,
As iniciais de meu pai
E minha mãe quase
Se apagaram como se dissessem
Mortos...
E eu chorei.
Depois as respectivas
Aos outros
Trocavam suas letras
Como se seus nomes
Já não me fosse de valia
Ou importe,
Eu senti medo
E me indaguei:
“O que houve?”
Parecem que não
Me amavam e já
Não me queriam perto,
Então, as letras referentes
A meu pai e minha mãe
Pareciam vivas e pulsantes,
Enquanto o I vigorava
Soberano e próximo.
Eu nunca imaginei
Que Isaac
E só agora soube seu nome
Fosse qualquer das pessoas
Do meu caminho,
Nem minhas amigas
Quando fui tomar cerveja
No bar
E um rapaz me salvou
De ser roubada
E levar um tiro no peito.
O garoto chegou e disse:
“Entrega a bolsa”
Eu entreguei
Então ele colou a arma
No meu do meu decote
Do vestido vermelho
Entre os seios e falou:
“tire a roupa”
Meu amigo chegou por trás,
Tomou minha bolsa
E tirou a arma do garoto,
Depois o levou para fora
Entre socos.
Nem aí eu senti medo
Ou necessidade de estar
Próximo a outro alguém,
Então, sentada em meu jardim,
Eu soube que ele se aproximava,
E quando Isaac chegou
Sabendo que eu o esperava
Eu virei o rosto e busquei
As cegas a sua boca,
Pois sabia,
Eu era sua,
E agora ele ficaria.

Amado Marido

O ano era 2012,
Outra vez,
Recordei você,
Num sonho bobo
De sexta série,
Quando você tem
Doze anos
E um futuro imenso
E esplendoroso
Pela frente.
Recordei com todo esmero,
O meu desejo intenso
De te conhecer,
Lembrei do caderno
Em branco,
O lápis na mão
A descrever.
Lembrei cada folhear
Das páginas escritas,
Dos livros que nunca
Cansei de reler,
E dentro deles minha busca
De você.
Quis te trazer,
Eu juro,
Desejei você
Perto de mim,
Quis muito
Ver você,
Reconhecer seus rostos,
Detalhes dos seus olhos,
Te reconhecer.
Havia um futuro
De buscas
E uma menina sonhadora,
Num ímpeto do destino
Quis tudo se perder
E nesta nebulosa,
Perdi você.
Mas, quis 2019 te trazer,
E vê-lo seria o bastante,
Era a consumação
De um sonho antigo
E supremo,
Hoje é meu viver,
Você quis ficar,
Soube do tanto
Que o desejei
E compreendeu
Minhas expectativas,
As experiências frustradas,
Os resultados infrutíferas
Até que depois de tanto tempo,
Tudo se desenrolou,
Feito o vento,
Que separa o supérfluo
Do verdadeiro
E os une num planeta inteiro
E dá a este planeta a vida,
A luz que ilumina
Até o mais distante,
As cores que o definem,
Como se fosse
Um abraço que segura,
Protege nosso redor,
Faz tudo ficar perfeito,
Como se o mais distante sonho,
Nunca tivesse
Por um único momento
Se perdido no espaço,
No desejo
Ou no pensamento.
Te amo
Amado marido.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A Nuvem de Algodão

De trás do pé de café,
Saiu o coelhinho,
Com seu pelinho riscadinho,
De pulinho em pulinho.
Chegou até a janela,
Olhou para a mamãe coelha,
E ganhou um pêssego,
Delicioso recém colhido.
O lindo coelhinho
Agachou-se naquele solo,
De bocada em bocada,
Comeu o pêssego rapinho.
“Hum, delicioso pesseguinho”.
Disse o coelhinho,
E rolou no solo felicinho,
De frente para o céu,
Viu as lindas nuvens coloridas
Que passeavam por sobre
As árvores arqueadas.
A barriga do coelhinho
Roncou de fome,
Então, ele estendeu a patinha
Dianteira e sonhou
Comer não só uma nuvens
Mas todas,
De uma a uma,
Até estar saciado.
Rolando e rolando
Naquele chão de folhas secas,
A mamãe coelha o encontrou,
“que você está fazendo coelhinho?”
 Docemente perguntou.
“Estou me alimentando.”
Respondeu o coelhinho.
Com um ímpeto,
Ele esticou a patinha
Outra vez,
E um fio de nuvem
Enroscou por entre
Suas unhas.
Ali do chão ele puxou,
Por um tênue fio
Toda a nuvem inteirinha.
“cadê as nuvens do céu coelhinho?”
A mamãe coelha perguntou.
Vendo o menininho
Comendo sem parar,
Puxando a nuvem
De fio a fio com uma patinha
Esticando a boca
Até alcançar toda a grande
Nuvem e deixar o céu
Todo azul.
“Não é nuvem não, mamãe,
É algodão doce”.
Disse o coelhinho,
E sua mãe deitou ao
Lado dele,
Ganhou um fio de nuvem
E comeu até encher
A barriguinha.

domingo, 23 de novembro de 2025

Falar

O domingo inicia
Com sol claro,
Nuvens esparsas,
Rápidas passeiam
Pelo céu.
Eu vagueio
Deitada na rede
De descanso,
Armada por entre
As árvores
Que cada vez
Mais verdes
Me fazem refletir.
Das muitas frases
Que disse,
Tão poucas pensei,
Muito mais
Lhes dei vozes,
Em um clamor
De repetir
O que ouvi
Sem refletir
Sobre verdades,
Interesses
E conveniência.
Muitos pensamentos
Nos vem
Por meio de outros,
Contudo,
Nem todos merecem
O pronunciamento,
De terem
Suas ideias repetidas,
Aliás,
Há muito mais a calar
Do que se recebe
Em simplesmente
Fazer eco
Do que outros dizem.
É preciso selecionar
O que se ouve,
O que se fala,
O que se acredita,
Muito do que nos chega
É falso,
Outros tantos
Só desejam lucros,
E quase o tudo mais
Se concentra
No desnecessário,
Então, destes três tipos
De pensares,
Com pouca reflexão,
Mais se credita
Ao calar
E somente ouvir,
Do que falar
Sem entender,
Pensar e esperar
Que não se obtenha
Resultados.
É como dizem,
Tem-se dois ouvidos
E uma boca,
Pois mais se ganha
Em ouvir
Do que em repetir.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Rashed

Acordei diferente,
Beijar seus lábios
Foi como mergulhar
Em uma fonte de água
Da juventude,
Num sorver de sua boca
E toda a idade,
O tempo e as horas sumiram,
Acordei sem conseguir
Retirar o sorriso
Do rosto
E desejar ver você
Foi meu maior sonho.
A cada passo que andei,
Em cada olhar,
O tive por objetivo,
Um desejo mais sedento,
Um sonho bom.
Você é lindo,
É um sonho estar
Entre seus braços,
Segura na sua pele quente,
Penetrar sua boca
E ganhar seus beijos
É fonte de vida
E de sonhos.
Eu não teria palavras
Para dizer o quanto você
É lindo
E eu me amo em seus braços,
Ter você é inesquecível,
Você é meu sonho bom.
Me senti menina,
Segura e livre,
Como se eu tivesse asas,
Ganhasse uma aura de inocência,
Você é rodeado de ternura,
Um doce que não se explica,
Um carinho que se quer muito,
Um vibrar do meu corpo
Em felicidade plena.

domingo, 16 de novembro de 2025

Te amo

São duas horas
Da madrugada,
Você não liga
Pra falar sobre coisas
Que já não quero palavras,
Prefiro a sua presença,
O conforto de sua segurança.
Falo alto
Abraçada ao travesseiro,
Não basta
Para traze-lo,
Busco algum conforto
Num café quente e forte,
Mas, de você
Não ganho o cheiro.
Preferia você perto,
Tanto quanto a chuva
Que percorre o telhado
E parece convidar
O sono.
Sono que me falta
Se você não está,
Chuva que parece cantar,
Falar sobre nós dois,
Com um te amo
Preso entre seus pingos,
Sempre a escorregar,
A dizer,
Te lembrar,
Talvez você a ouça,
Ouvindo-a me entenda:
Acordo assustada
Em noites inseguras
E sinto sua falta,
Me preocupo
Com o fato de você
Estar distante
E quero muito lhe falar
Te amo.
Queria poder dizer
Te amo
Com a calmaria da chuva
E a intensidade
Que só ela possui
De cair de tão longe
E não esconder
O que toca,
De gota a gota
Ou em fartas rajadas
Ela não se omite,
E fala
Te amo,
Te amo
Sem parar.
Da mesma maneira
Que te amo,
Te amo,
Te amo
E quero estar perto.

Noite de Chuva

Na madrugada
De faltar um pouco
Pras duas,
Acordou,
Puxou o cobertor,
Procuro na travesseiro
E sinto sua falta.
A chuva pinga
No telhado
Com viés de orvalho,
Eu me indago
Se molha as flores,
Ou se presta
Apenas para conter
Minhas lágrimas
Que de uma a uma
Chamam por você
E me pedem
“Onde você está?”
De uma forma
Tão íntima
Que sinto
Que poderia responder.
Mas, então,
Me contenho,
Fervo um leite quente,
Colocou café,
Um pouco de chocolate
E entendo
Não se trata de choro,
É apenas chuva
A dedilhar por seus rumores
Que você não está
E eu sinto sua falta.
Sua ausência
Me tira o sono,
Mas, algum ímpeto
Me impede a ligação,
E segura o choro.
De uma a uma
Eu cuido as gotas
Que caem do céu
E escorrem por entre flores,
Feito eu
A me esquivar de alguns amores,
Mas, conforme o café conforta,
Eu já não sei se sou apta,
A me afastar,
A esquecer,
A me impedir de te amar
Com a mesma destreza
Que engano a saudade
No cair da chuva
Que já não pinga,
Escorre.

Destino à ROCAM