sábado, 6 de dezembro de 2025

Bebedeira

Caterina viu Theo afastar-se,
Sem indiferença,
Sem conseguir esconder
O desejo de estar próxima,
Sem conseguir manter o controle,
Ela fugiu até o bar,
Pegou uma bebida
E sorveu uma garrafa de vinho
Sem taça,
Simplesmente, se pôs a dançar
Sobre a mesa do bar,
Aumentou o volume da música,
E viu seus amigos
Derrubarem o líquido
De única vez em sua boca
Sem parar.
Logo depois,
Se viu nos braços do seu irmão,
E levada a força
Para o quarto.
“O que houve com você?”
Ele indagou,
Ao deitar sobre a cama
Caterina vomitou,
Abraçada ao travesseiro,
Chorou de vergonha.
“Esta é uma festa importante
De papai,
Por quê você agiu desta maneira?”
Ela nada disse.
Apenas continuou a chorar
Até ver a porta do quarto
Ser batida com força
Como se o barulho
Latejando dentro de sua cabeça.
E a renegasse a solidão
De suas cobranças
Quanto ao bom comportamento,
Quanto a manter o controle
De si mesma.
Mas ao lado de Theo
Isto era impossível,
Então, Caterina cedeu
As suas vontades,
Jogou o travesseiro sujo
Contra a parede do quarto,
E foi até o frigobar
E retirou de lá outra garrafa
De vinho,
Sentou no chão
Ao tentar sentar na cama,
Abriu o vinho
E bebeu na garrafa,
Segurando a cabeça erguida
Com a ajuda da cama.
Ela foi rejeitada por ele,
Teve seus carinhos entregues
E não obteve resposta,
Ele não a amava,
Não a desejava,
Nem ao menos fez questão
De fingir afeto,
A empurrou para longe
Como se ela fosse
Uma doença contagiosa,
Como se fosse feia,
E ela se sentia feia,
Muito feia agora.
Depois de beber o vinho,
Ela estapeou o próprio rosto,
“Como pode envergonhar
Sua família ao dançar daquela
Maneira imprópria
E beber tanto
Na frente de todos?”
Estava humilhada,
Destruída,
Uma rejeição de um mero homem
A levou a desgraça instantânea.
Agora seria vista
Como uma garota descompromissada,
Imprópria para o trabalho,
Um alguém em quem
Não se pode confiar,
Sem perceber
Ela levou as mãos para o alto
E bateu palmas
E disse:
“Parabens Theo,
Não sei o que você queria
Com tudo isto,
Mas, me destruiu com única vista!”
De repente,
Seu celular começou a tocar
E a fotografia de Theo
Apareceu estampada na tela.
“Alo?
O que você quer?”
Ela disse.
“Pegue o carro
E venha até minha casa!”
A voz segura e máscula dele
Lhe respondeu.
Caterina pegou outra garrafa
De vinho,
A abriu e saiu escondida
Sem dizer para onde ia,
Ou se importar com mais nada,
Pegou o carro
E partiu até a casa dele,
Já sabia onde ficava,
Faltava só entrar,
Ser dele,
Beija-lo até o fim
De suas forças,
Ama-lo com energia.
Sem reter seus desejos,
Ela deixou o carro
Sobre o gramado do jardim,
Bateu na porta,
E ao ser atendida
Vomitou sobre ele.
“O que foi Caterina?”
Ele indagou,
A juntou pelos braços,
E a abraçou.
“preciso de você hoje”.
Ela disse
Aos prantos.

No Ano Dos 37 Anos

O ano é da comemoração
Referente aos 37 anos,
Mais um ano sozinha
A trilhar caminho distinto,
Em que a opção estar só
É quase um desalento.
Sem filhos,
Você se vê
Como um encargo
Para o resto da família,
Aquele alguém
Que não se encaixa
No restante do grupo,
Aquele diferentao
Que se vê suficiente
Mas no fundo sabe,
É um solitário.
Foi opção no começo
Não ser mãe,
Mas, aos 37 anos
Já não está sendo,
Cada mês que se vive
É contado com tristeza
E pesar,
Tem gosto de sangue
E morte,
É triste.
Não tenho a quem
Pertencer,
Não me identifico
Com ninguém,
Sozinha e a mercê
De um conquistador barato
Que possa me dar um filho,
Me fazer mãe.
Os anos pesam
Sobre meu corpo,
As marcas de expressão
Mostram isso,
A dor nisto que digo,
Sofrimento eterno
Nisto que vivo.
Eu nunca pensei
Meu futuro tão distante,
Tudo pareceu completo
Muito antes,
Porém, não dependeu
Apenas de mim,
E o fator externo se modificou,
Os anos foram passando
E levando meus sonhos,
O corpo não corresponde
As expectativas,
A cada olhada no espelho
Me assusto com o que vejo,
Tento disfarçar,
Busco um fator que modifique
Isto,
É triste o que vivo,
Os 37 são desmotivadores,
O tempo deixou de ser aliado
E é visto como inimigo,
Fator preponderante
Para o meu fracasso
Em ser mãe.

Lá na Roça

Á na roça
Onde o progresso
Não chegou
E a tecnologia estava
Fora do alcance,
Havia luz
Para iluminar a casa
Daquela mãezinha simples.
Cansada de esfregar
As roupas sujas na mão,
Ela encheu o tanque
Feito de concreto de água,
Pegou dois baldes
E pôs água
Num colocou rinsso
E o outro deixou para enxague.
Lavou de peça a peça,
Deixou de molho,
Enxaguou,
Pendurou no varal de frente
A casa até secar ao sol.
No sol escaldante,
As crianças não tinham
Nada para fazer,
Brincar se tornou irritante,
Estava realmente quente.
Aquela mãezinha
Pegou um lençol,
Juntou uma corda
De amarrar as vacas,
E as amarrou uma em
Cada ponta.
Depois foi até a sombra
Da linda laranjeira
Com o Sinamão,
E amarrou cada corda
Em uma árvore,
Fez do lençol
Uma rede de balanço
Para entreter os filhos.
O verão se tornou ameno,
E o sol menos rigoroso
Com relação as crianças
Que brincaram unidas,
As duas uma abraçada a outra.
No vizinho,
O tio pegou o colchão
E também copiou a ideia,
Contudo, o colchão
Era muito grosso
E impossibilitou êxito.
No outro vizinho
A prima pegou um lençol
Uniu uma corda
Em cada ponta
E amarrou de janela a janela,
Quando sua mãe foi andar,
A rede não saia do lugar,
Vez que ao ir pra frente,
Voltava e batia contra a parede.
Amarrada fragilmente
A corda desatou,
E isto levou a tia
A cair um tombo,
Batendo contra o chão
E as pedras que haviam
Ali embaixo.
Já no outro vizinho,
A tia juntou um lençol
Foi até a máquina de costura
E fez borda,
E frente na máquina,
Porém o lençol ficou pequeno
Nas beiradas e fundo no meio
Então, cada vez que a prima
Andava na rede improvisada
Batia com a bunda no chão
Arrastando a sujeira
Do solo de terra.
A vida na roça
Onde a internet não alcança
Foi simples,
Cada vez que recordo
Me vem lágrimas nos olhos,
E sinto felicidades
Por ter vivido de maneira
Tão retraída com relação
A coisas que tantas pessoas
Veem como imprescindíveis.
Já no meu tio,
Onde o colchão não funcionou
Como rede,
Ele usou o da minha prima
Que era mais simples
E velho,
A ideia foi boa
E durou algum tempo,
Na cama da menina
Ele usou suas roupas
Como colchão para ela
Dormir confortável,
Uau,
O quanto de roupa ela tinha?!
São realidades distintas.
Minha mãe
Cada dia que usou o lençol
O usou depois de lava-lo
Na cama de novo,
Ela sempre foi cuidadosa,
Me ensinou a valorar
Os bons momentos
E não ser superficial
Com relação a vida.

Destruída

Na busca incessante
Por satisfazer-se,
Theo colou-se ao corpo
De Caterina,
Reagindo instintivamente
A cada carinho que ela
Lhe entregava
Com uma urgência arrebatadora,
Contudo,
Uma lembrança o paralisou,
Fazendo seu corpo todo
Enrijecer com Caterina
Grudada aos seus braços
A sua mercê
E volupiciosa.
Theo soltou-a,
Negando-se a deixar de olha-la,
Manteve suas mãos
Na cintura de Caterina
E a afastou,
Sem deixar de olhar cada
Movimento involuntário dela,
Cada instinto dela
Lhe desejando
E buscando contato.
Depois virou-se e passou
As mãos nos cabelos,
Percebeu que tremia,
Tentou se controlar,
Ele precisava ser forte,
Nada além de vingança
O trouxe aquele lugar
E o colocou nos braços
Daquela garota,
E nenhuma outra coisa
Iria mantê-los unidos,
O ódio dominaria cada minuto
E cada beijo que fosse dado,
Não haveria desejo,
Apenas o ódio cederia
Aos encantos da jovem
Que o humilhou
E não ganharia perdão.
Tentou controlar
O corpo que tremia,
O arrepio na espinha,
E uma espécie de medo
Tomou conta de suas atitudes,
Então, voltou-se
E a encontrou no mesmo
Lugar em que a deixou,
Imóvel e com os cabelos bagunçados.
-Theo?
A voz dela parecia
Vir de muito distante,
E mantinha um tom preocupado,
Quase angustiante,
Ele dominou o corpo
Com relação aos seus efeitos,
Olhou para o alto,
Respirou fundo
E suas palavras não lhe deram
Conforto ou vontade
De estar perto.
Contudo, casa palavra
Parecia martelar sua cabeça
E implorar por atenção,
Prisioneiro de sua promessa:
Vingar-se dela,
Cativo de seus carinhos,
Estava perdendo o controle,
Tortura era ver aquela boca
Implorar por seus beijos
E ele ter de manter distância,
Escuridão era tudo que tinha
Adiante de si,
A solidão cativante
Daquele que nunca desistiu
De seus objetivos
E precisava alcançar mais este
Sem importar-se
Com qualquer outra coisa.
Ele a queria,
E iria ter,
Mas, antes a sujeitaria
A cada capricho seu,
A humilharia até ver-se
Soberano de si próprio,
Vencedor de seus objetivos,
Ele a queria destruída,
Completamente sua,
Sem controle de si própria,
Sem vontades por si mesma,
Então, provaria tudo dela,
Retiraria o máximo que pudesse
Para deixá-la na rua
E destruída,
Sem dinheiro,
Sem destino,
Ele a veria arrepender-se,
Implorar misericórdia,
Render-se a tudo que quisesse,
E a mandaria embora.

Risco Caro

Lá está,

A anfitriã da festa,

Deslumbrante em seu vestido

Longo e moldado ao corpo,

Parece dançar por entre suas curvas,

Em cada passo que ela anda

Até onde estou

O vestido a toca e solta

E se molda

Feito uma corda

Que envolve seus contornos,

Define seus passos seguros

E eu sorrio,

Neste terno verde musgo,

Levanto o olhar e busco

Cada pessoa

Paro um pouco em cada rosto,

Vejo cada mulher

E cada um de seus traços,

É realmente Niva é a mais bonita,

Mas, ela fez a festa para eu,

Me deseja,

Eu sou seu alvo,

Por tanto,

Ela é meu ponto certo,

O porto seguro

Para meus desejos,

E eu irei tê-la,

Possuir seus beijos,

Desfilar por entre a festa

Com ela presa ao meu braço,

Um drink entre os dedos,

E beijos de desejos declarados.

 

Ela chega perto e sorri,

Sedenta aos meus encantos,

Eu sorrio seguro

De meus efeitos,

Ontem, o filho dela

Passou por meu carro

E riscou do lado

Com algum daqueles

Seus anéis caros,

Isto lhe irá custar

Muito caro.

 

E dinheiro eu tenho,

Olhou para suas curvas

No vestido amarelo avermelhado,

E penso,

Como posso sujeitar

Aquele pirralho,

Aquela criança dengosa

Que tem tudo aos seus pés,

Tendo sua mãe e...

 

Eu pensarei,

Mas, com certeza

A vergonha desta mãe

Será pública e midiática,

Vai estar estampada

Em cada língua,

Em cada capa de revista,

Sem ver o risco,

Pois o deixei no estacionamento

E estive seguro quanto ao lugar

Eu usei ele para ir

A um jantar de negócios,

Onde encontrei aquela garota,

A moça vendo o risco

Se retraiu,

Eu não passo está vergonha sozinho,

Ela irá perceber isto,

Logo, logo.

Bem, dado o primeiro passo.

Liberto

Escravo de você,
Nem fui seu bem-querer,
Não fui mais que coadjuvante
De uma história minha
Em que você me fez
Desgraça de mim mesmo,
Escravo em suas maldades,
Manipulação de suas vontades.
Enfim, liberto hoje,
Menos tenho que ontem,
Mas há a frente um horizonte
Que agora posso reescrever,
Viver como sonhei
Sem lhe ter a me fazer
O que nunca quis
Ou faria se não fosse você.
Penso quantos foram objetos
Preso por entre seus dedos,
Imagino que destes todos
Nenhum falou por si próprio
Ou fez bem para si mesmo,
Agora, com o horizonte
Para vista,
Eu inicio como se estivesse
Lá atrás,
Dando os primeiros passos
Com pouco para amparo,
Este pouco eu perdi,
Você levou meus amigos,
Família e outros tantos,
Resto eu e minhas experiências
Estas terríveis que você
Me ofertou
E obrigou,
A sós comigo mesmo,
Ando melhor do que sendo
Objeto por entre seus dedos.
Manipulações não me convencem,
Eu estou experiente,
Mentiras não me ganham,
Eu reinício com menos
E com nada eu sigo,
Mas, nunca estive melhor
Ser escravo de seus desejos
Não me deu mais que tenho,
O nada é preferível a dor,
O inseguro do horizonte
É preferível ao terror,
Eu levanto o olhar e sigo,
Espero que você fique na pior.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Rompendo as Águas

O tempo não corre
Nem faz esquecer
Quando a história
É boa de se viver.
Está vez,
Meu pai pegou o barco,
Remou até o outro lado
Do rio,
Foi buscar meu tio,
E minha avó,
Que vinham do outro lado
Para nos ver,
E voltar para a casa
Que ficava próximo.
Ela chegou
Com seus cabelos brancos
Gritou “passagem,
Venham nos buscar.”
Meu pai sorriu,
Me puxou pelo braço,
Meu irmão largou
O carrinho de puxar terra,
Jogou na poeira
E voou para o nosso lado.
Com cada um
Seguro em sua mão,
Meu pai pegou o remo
E disse
“Marly, você vai ajudar
A buscar sua mãe?”
Minha mãe saiu na janela
De madeira
E disse:
“Eu fico aqui
E termino de fazer
O almoço para nós”.
E nós fomos,
Erguendo as pernas
Para o alto,
Como se o passo maior
Encurtasse o espaço
E nos levasse tão logo
Para o barco
E tão perto de nossa avó.
Meu pai sorria,
E rompia o ar com o remo,
Como se treinasse
O braço
Para ter mais força
E chegasse mais rápido.
Era só um barco de madeira,
Mas eu fui sentadinha
No chão no início dele,
De lá eu coloquei
Uma mão em cada lado
E balançava o barco
Com toda força e esmero
Para chegar logo,
Me movendo como se fosse
O próprio barco.
Meu irmão ia com a mão
Solta sobre a água,
Cortando a água para abrir,
Ver nossa avó
E nosso tio era a melhor notícia,
Era acordar do sonho
E estar melhor do que estava lá sonhando.
Peixinhos nadavam
Até ele,
E ele ria e se soltava
Do barco caindo para trás
Feliz, radiante por podermos
Ver nossa avó tão cedo
Do dia,
E estar com ela tão perto.
Meu pai sorria,
“estamos chegando”
Ele gritava.
“Ah, já veio?”
Minha avó dizia
E se levantava daquele chão
De terra molhada
Da beira do rio,
Erguia sua sacolinha
De compras.
“Eu trouxe docinho
Para vocês”
Ela dizia
Com seu rosto lindo
E elegante naqueles cabelos
Brancos e simples,
Sorriso fácil e transparente,
Pele a iniciar o marco do tempo.

Destino à ROCAM