sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Rompendo as Águas

O tempo não corre
Nem faz esquecer
Quando a história
É boa de se viver.
Está vez,
Meu pai pegou o barco,
Remou até o outro lado
Do rio,
Foi buscar meu tio,
E minha avó,
Que vinham do outro lado
Para nos ver,
E voltar para a casa
Que ficava próximo.
Ela chegou
Com seus cabelos brancos
Gritou “passagem,
Venham nos buscar.”
Meu pai sorriu,
Me puxou pelo braço,
Meu irmão largou
O carrinho de puxar terra,
Jogou na poeira
E voou para o nosso lado.
Com cada um
Seguro em sua mão,
Meu pai pegou o remo
E disse
“Marly, você vai ajudar
A buscar sua mãe?”
Minha mãe saiu na janela
De madeira
E disse:
“Eu fico aqui
E termino de fazer
O almoço para nós”.
E nós fomos,
Erguendo as pernas
Para o alto,
Como se o passo maior
Encurtasse o espaço
E nos levasse tão logo
Para o barco
E tão perto de nossa avó.
Meu pai sorria,
E rompia o ar com o remo,
Como se treinasse
O braço
Para ter mais força
E chegasse mais rápido.
Era só um barco de madeira,
Mas eu fui sentadinha
No chão no início dele,
De lá eu coloquei
Uma mão em cada lado
E balançava o barco
Com toda força e esmero
Para chegar logo,
Me movendo como se fosse
O próprio barco.
Meu irmão ia com a mão
Solta sobre a água,
Cortando a água para abrir,
Ver nossa avó
E nosso tio era a melhor notícia,
Era acordar do sonho
E estar melhor do que estava lá sonhando.
Peixinhos nadavam
Até ele,
E ele ria e se soltava
Do barco caindo para trás
Feliz, radiante por podermos
Ver nossa avó tão cedo
Do dia,
E estar com ela tão perto.
Meu pai sorria,
“estamos chegando”
Ele gritava.
“Ah, já veio?”
Minha avó dizia
E se levantava daquele chão
De terra molhada
Da beira do rio,
Erguia sua sacolinha
De compras.
“Eu trouxe docinho
Para vocês”
Ela dizia
Com seu rosto lindo
E elegante naqueles cabelos
Brancos e simples,
Sorriso fácil e transparente,
Pele a iniciar o marco do tempo.

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