terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Opte por Quem Lhe Dedica seu tempo

Há quem sempre
Esteja cansado,
Há quem sempre
Esteja disposto,
Há quem não saiba
O que fazer com seu tempo,
Há quem não tenha tempo
De tanto trabalho.
Queira quem organiza
A vida para estar
Ao seu lado
E não quem é organizado
Para obter rendimentos
E lhe deixe sempre
Para segundo plano.
Deseje quem te abrace forte,
E não quem te liga tarde
Desejando boa noite,
Bons sonhos e desliga
Com um abraço.
Opte por amores próximos,
Que olhe você
Nos olhos,
Entenda as suas falhas,
E que não achei caro
Demais ou difícil
Deixar tudo de lado
Por um momento
Para estar ao seu lado.

Amores Próximos

Chega um momento
 da vida que a gente
 só quer paz,
Não quer ser melhor
Ou pior que o outro,
Deseja apenas evoluir
Em cada dia.
A gente quer ser
Boa companhia
Quer ter tranquilidade.
Se cansa de amores fracos,
Sorrisos passageiros,
Amores tormentosos,
Quer amores verdadeiros,
Se cansa de amores complicados
de paixões desenfreadas.
Chega o momento
Em que todos querem alguém
Que cause paz,
abrace forte
e diga estou aqui
E não esteja distante.
A gente se cansa
De palavras de amor
E mensagens eróticas
Ao telefone,
Troca tudo isso
Por alguém que
Queira estar perto,
Que nos dê valor,
Acredite em nossos sonhos
E nos ame de verdade.
O estou aqui
Por trás da linha
Do telefone
Não preenche,
Não satisfaz
O beijo dado
Quando se termina
A mensagem escrita
Na tela de celular,
Não se pede abraços
De quem sempre está longe,
Desiste-se, simplesmente
E opta por aquele
Que está mais perto
E mais disposto.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Festa a Espumante

Chegaram as festas
De final de ano
E todos escolheram
Suas bebidas:
Champanhe e espumante,
Para toda a família.
As taças corriam
De mão em mão,
O líquido alcoólico
Espumava pela taça,
Percorria até a mão,
Pingava na boca
A linda espuma branca,
Borbulhando da língua
Até a garganta.
Disse a garota
Aos seus 12 anos:
“Ah, eu não quero,
Me desculpa “.
“Por quê?”
Indagaram.
“Porque eu acho
Que o ar que faz estourar
O líquido vem das pessoas
E eu tenho medo
De tomar todo o ar do mundo...”
Todos riram da piada.
Menos a garota
Que acreditava naquilo,
Se a bebida espumava
E era feita de ar borbulhante,
Então, o ato de comemorar
Fazia com que outras
Pessoas sofressem
Por insuficiência cardíaca
Ou falta de ar nos pulmões.
O riso correu solto,
Na sala os amigos
Faziam farra da garota
Usando o litro de refrigerante,
Eles pegavam o litro
E chacoalhavam para
Fazer espuma e estourar,
Então, passavam o litro
Aberto no ar para tomar
O ar que havia na sala.
Todos gargalhavam
E alguns corriam
Para fora,
Porém, a menina
Ficou triste com a ideia,
E permaneceu segura
De si mesma,
Se a comemoração exigia
Infortúnio de outrem,
Ela não bebeu,
E nisto nunca gostou
De refrigerante.
Enquanto no ônibus
As meninas enxiam
Seus copos descartáveis
De refrigerante
E passavam pelos garotos
Para roubarem seu ar
E ver se o líquido aumentava,
O que, fazia espuma,
E levantava o volume
E então bebiam felizes,
Menos a garota.
Está por sua vez,
Ajuntava os copos
E levava na lixeira
Mais próxima
Para ajudar na limpeza
Do local.
Onde ela caminhava
Pela cidade nunca
Se importava de ajuntar
O lixo e levar com ela
Até a lixeira.
Isto lhe rendeu
Um presente de Natal
De seus tios,
Um calção laranja
E uma camisa baby look verde,
Ela mesmo sem saber
Do que se tratava
Não aceitou o presente,
Vez que,
Nunca foi comemorado tanto
E por tantos motivos
Naquele local
Quanto depois de terem
Descoberto a ideia
De quê o borbulhante
Era feito de ar.
Isto a deixou triste,
Então, seu irmão aceitou
O presente e sabendo
Que se tratava do uniforme
De gari “ajuntador de lixo “,
Se irritou com ela.
Ele encheu meio copo
De refrigerante e chegou
Nela dizendo:
“Olhe Jace”.
A garota olhou
“Não é pra você tomar
É só pra você respirar
Meu refri “.
Ela ficou tão triste
Com o garoto
Que ainda era criança
E disse:
“Isto de tomar o ar
Dos outros e assassinato,
Você está se tornando
Um criminoso “.
O garoto se irritou
Muito com ela,
A chamou de metida
E chata,
Então, pegou o calção
E esfregou no chão
Para rasgar,
Depois pegou a camiseta
E colocou uma pedra
Dentro enrolou ao redor
A camiseta e desferiu golpes
Na garota.
A menina disse chorando:
“Pare meu irmão,
Refrigerante lhe faz mal”.
Em sua jornada
Ela sempre preferiu 
Frutas e sucos naturais,
Ela se sente bem assim,
Mesmo já sendo 
Uma garota madura.
Certo dia,
A garota ganhou
Metade de um copo
E trouxe para casa
Para seus pais provarem,
Nisto contou que era feito
De ar e nada mais,
Um ar que borbulhava.
Ele disse a ela:
"Obrigada filha,
Isto é tão caro 
Que o pai nunca vai
Poder comprar 
E você trouxe o seu
Para eu e sua mãe,
Que bom que vem do ar
Dos outros,
Então, estamos certos
Em não gastar dinheiro 
Provocando o mal das pessoas 
Em plena época de festas,
E você estuda e entende
Sobre isso pra explicar 
Pro pai".
Ela ficou feliz
Pelos pais gostarem
De sua atitude,
E soube que arrotavam
Dentro dos vidros
Para ter mais ar,
E os que bebiam
Não se importavam
Com a procedência 
Do produto ou a forma 
Como era feita,
Aliás, pareciam 
Aprovar a ideia.
Aí sua avó disse,
"Que linda que você é filha,
Quando penso em dar
Minha cadeira 
Pra uma neta
Logo me vem seu nome
De tão boazinha 
Que você é ".
A menina disse 
"Ah, obrigada vó ".
A avó trouxe a filha
Para a sua perna 
E acariciou seus cabelos 
Dizendo:
"De nada filha,
Está cadeira permite
A neta ficar sentada
Do meu lado
Me acompanhando "
A menina abraçou a avó 
Bem forte e disse
"Ficarei do seu lado
Pra sempre,
Mesmo em pé".

Leite Doente

O inferno é logo ali,
Naquele ponto
Onde vive-se
Sem motivo para viver,
Se caminha a esmo,
Sem objetivos.
Vez que ocorreu
Na vizinhança
De Romero por a venda
Duas vacas de leite,
Meu pai as comprou,
O preço estava em conta,
As vacas eram boas,
Uma estava grávida.
Não foi a sorte
Que o guiou a isto,
Nem falta de amor
Por nossa família.
Logo a tarde,
Fomos tirar o leite
Das vaquinhas,
Estava perfeitamente bom
A primeira vista.
Foi feito polenta,
E comido com leite,
Foi feito com o que sobrou
O queijo,
E com o tempo
Todos nós adoecemos,
Isto mesmo,
Caímos enfermos
Na cama.
Não tardou
Surgir o boato
De quê as vacas
Eram doentes,
Isto mesmo,
Possuíam doença mortal,
E ao consumir o leite
Assinamos o termo final
De nossas vidas,
Todas as cinco vidas
Da nossa casa.
No primeiro instante,
Nos despedimos
De dois cães de estimação,
Ambos se deitaram lado
A lado logo depois
De tomar o leite
E não amanheceram,
Agora, estávamos nós
Os cinco presos a uma cama
De hospital
Com exames sendo
Providenciados
E a vida por um fio
De sorte que se esvaia
Pelo rosto da minha mãe
Em lágrimas
Que ninguém pode secar.
Ela uniu as cinco camas
Do hospital e nos fez
Dar as mãos,
Nos unimos
E rezamos pedimos por nós.
No transcorrer
De poucos dias
Perdemos peso,
Perdemos a fome
E nossas vidas se esvaiam
De nossas veias
Como uma doação de sangue,
Que vai sem voltar.
Numa manhã
Acordamos com nosso pai
Beijando nossas testas
De uma a uma,
Ele tardou na de nossa mãe,
Então, foi até a janela
Abriu a cortina
Permitiu que o sol entrasse
E depois caiu,
Não acordou.
Adoecidos demais,
Eu minha mãe e
Meus dois irmãos
Não podemos participar
Do velório
Dissemos adeus
De alguma maneira
Sem se despedir,
Ele foi,
Simplesmente foi
Carregado por dois homens,
Ele foi e não voltou.
A noite minha mãe
Passou mal,
Haviam poças de lágrimas
Debaixo de sua cama,
Os travesseiros ensopavam
Eram trocados
E voltavam a ser banhados
Por sua dor.
E medo,
Ela nos abraçou apertado,
Chorando sua dor,
Rezou e implorou por
Nossas vidas.
A noite ela gemeu
A noite inteira
Não parecia dormir,
Aí recebeu a visita
De nosso pai,
Ele voltou,
Nem bem tinha ido,
Retornou.
Ele fez um chá quente
E nós serviu,
Eu senti o gosto,
Meu irmão sentiu,
Minha mãe e o Daguinho
Sentiram.
O chá entrou em nosso pulmão
E fez calor,
A tosse chegou
E logo foi,
O ar preencheu uma dor
Profunda em nós,
O coração acelerou,
Bateu descompassado,
Choramos abraçados,
Depois disso ele acabou
Seu adeus e saiu pela janela.
Acordamos,
Estávamos um abraçado
No outro chorando,
Um choro quente e
Cheio de vida,
Melhoramos,
Saímos do hospital
E fomos pra casa,
As flores estavam murchas
Na lápide de papai,
Ainda tinham cheiro
De dor e lágrimas,
Mamãe levou mais
Algumas para ele,
Nós ficamos no carro
Olhando ela se despedir.

Instinto Determinado

A experiência vida
Após a morte
Nunca foi para
A minha pessoa,
Eu me importo
Em viver o agora,
Provar as coisas
Com a alma,
Viver plenamente.
Ocorre
Que fui para o estrangeiro
A fim de estudar,
Ganhei uma bolsa
De estudos,
A qual me dediquei
O máximo possível
Para manter.
Não podia faltar,
E minhas notas
Precisavam ser altas,
O que é óbvio,
Eu me esforcei
O máximo possível
Para absorver o conteúdo
E aprender tudo que fosse
Possível.
Distante da minha família
Alguns países
E milhares de quilômetros,
Minhas ligações
Foram se tornando
Mais escassas,
Até que um dia cessaram.
Minhas notas decaíram,
Eu me vi morrer,
Mas, senti que minha família
Se juntou num abraço
E disse:
“Filho, estuda é com você!”
E foi muito estranho,
Minha caneta caiu
Sobre a folha de caderno,
O livro deslizou para o chão
E eu vi meus pais partindo
Para algum lugar
Tão distante
Que eu não poderia chegar.
Mas sem mim?
Sem me avisar,
Nenhuma mensagem,
Nenhuma fotografia
De adeus,
Nada, só o fim.
Eu peguei exame,
Reprovei em duas matérias,
E me recuperei nas férias,
E enfim, com seis meses
De atraso me formei.
Foi terrível,
Juntei as economias,
Eu trabalhava na própria
Universidade para ganhar
Recursos e sobreviver,
Pagava aluguel
Numa pensão próxima
As demências,
Mas, fechei a porta,
Juntei a mala de roupa,
Alguns livros
Que consegui adquirir
E rumei para o aeroporto,
Sem notícias
Há um ano e meio,
Retornei.
Cheguei a casa,
Estava tudo fechado,
As janelas foram pregadas,
A porta tinha aviso
De não se aproxime,
Me aproximei,
Entrei e olhei lá para dentro
Vendo toda a minha infância
Correr pelos meus olhos
Pelos cantos da casa,
Mas, contudo,
Família nenhuma.
Haviam fotos antigas
Como se eles tivessem
Parado no tempo,
Poucas só meu pai
E minha mãe e minha irmã,
Quase todas eram ainda
De seus anos passados,
Da época em que eu estava perto.
E nisto meu coração disparou,
Feito uma metralhadora,
Com milhões de tiros voando
Pela casa,
Invadindo minha propriedade,
E da porta saltando
Para a direção da minha mãe.
Acertando no peito dela
Que caiu para trás,
Indo parar nos braços
Do meu pai
Que não permitiu ferimentos
Nela nem no último instante,
Enquanto lhe esteve no alcance,
Depois, ele abraçou
Meu irmão
Com minha mãe sangrando
E gemendo no colo,
E outro tiro o atingiu
Nas costas,
E depois deste,
Mil deles até roubarem
Do meu pai
Toda a sua força
E ele entre sangue e dor
Foi obrigado a soltar mamãe,
Mas segurou meu irmão
Em prantos e gemidos,
E gritos de por favor,
Por favor,
Por favor,
Minha família,
Meu filho,
Por favor...
Com minha mãe caída
A sangrar,
Eles investiram passos
Pra frente e dispararam
Outra vez,
Meu pai foi alvejado
Pelas costas,
Milhões de tiros
Retalharam ele
E ele caiu pulando
Sem vida
Sob o ímpeto do último suspiro
Mantendo meu irmão abraçado
A ele e gritando
Meu filho,
Meu filho,
Meu filho,
Num último ímpeto
O homem se aproximou
E encerrou minha família
Acertando meu irmão
Que caiu tremendo
Jorrando sangue
Sobre o peito do nosso pai.
A sala ficou toda perfurada,
A tinta voava pelos ares
Como se fosse faca a raspa-la,
As coisas se estilhaçavam
A frente daquele maldito estranho,
Movido por um impulso de dor,
Eu fechei os olhos
E busquei,
Eu quis minha família,
E chegando a um dos cemitérios
Da cidade,
Encontrei a triste lápide,
Solitária e suja no seu redor,
Lá estava a mão de minha mãe,
Sobre a lajota,
E sobre a dela reluzia
A aliança do meu pai,
Pude ver a longa distância
O brilho,
De longe vi onde estavam,
Ajoelhei-me sobre a lápide
E disse
Agora tenho onde chorar,
Meu Deus,
Meus pais,
Meu irmão...
Eu urrei de dor,
Eu gemi a dor de mil tiros,
Saí dali e me inscrevi
Para um concurso,
Passei com a maior nota,
Agora eu era Delegado,
E iria buscar este
Que levou minha família,
Seria meu prazer e ofício,
Procurar e achar
E destruir,
Eu não pouparia bandido,
Eu não perdoaria assassino,
Eu não economizaria cada tiro,
Com alvo certo
Eu marchei por cada canto
Da cidade,
Olhei em cada olho,
Busquei cada rosto,
Decorei cada registro
Eu iria encontrar...
Amor a primeira vista,
Nisto tudo,
O que mais me admirou,
Sem tirar meu foco,
Foi eu me apaixonar...
 Não resistir aquela mulher,
Dentro de mim,
Enrustido na dor
Havia ainda um homem
E ele acordava.

Solitário

Quando você está morto,
Você sabe disso,
É como estar vivo,
Você sabe,
Simplesmente.
Eu senti dor,
Eu me vi despedaçar
Em uma dor inesperada
E lancinante,
É como se eu estivesse
Sendo perfurado
Por algo...
Um tiro?
Não,
Facas?
Mais afiadas que isso...
Não.
Eu estava deitado
Sobre a minha cama,
Então, fechei os olhos
Para buscar o motivo
De tanta dor
E a perda inexplicável,
Irreparável.
De quê?
De mim mesmo.
Eu cedia a dor
Minhas últimas lágrimas,
Eu entregava meu coração
Mas não adiantava,
Eu gritei sem querer,
O grito surgiu de dentro
Como um urro
E ganhou os ares,
E foi buscar.
Então, eu chamei:
“Rahat?”
Ele não respondeu,
Aonde estaria o meu irmão?
A dor em meu peito
Ardeu e gemeu,
Soluçou
E parou.
Meu coração pulsou
Pela última vez,
Então forcei meus olhos
E ele voltou a bater,
Aí ouvi Rahat me chamar
De longe,
Muito longe,
Distante.
Uma voz chorosa
E cheia de dor
Como nunca senti,
Soluçante.
“aonde você está?”
Eu pedi,
Então a dor cessou.
“Estou onde a dor é silenciosa”.
E eu soube,
Rahat morreu.
Meu irmão gemeu
Se foi.
Eu soube
Da mesma maneira
Que gêmeos sabem
Um do outro,
Eu só soube
E entendi que não
Adiantava mais sentir
Dor.
Então, me olhei
E me vi sangrando,
Com diversas feridas,
Com muita dor e choro,
Um sorriso querendo brotar
Do meu rosto,
Era um adeus.
Vi mais um pouco,
Vi um carro,
E vi o carro deslizar
Para uma ribanceira,
E me vi ser esmagado,
Então, fechei os olhos
E não vi mais nada.
Eu estava em meu quarto,
Rahat estava dirigindo,
Caiu na ribanceira
E morreu de dor,
Sofrendo e sangrando:
“Me prove que devo
Desistir de você “
Eu disse.
As lágrimas brotaram
Do meu rosto feito flor
E se derramaram
Sobre o travesseiro,
Do lado da minha cama
Surgiu uma flor.
Eu pulei até ela
E gritei:
“você está no jardim?”
Eu sabia aonde era,
Nós fomos juntos
Lá para passar
E ver os pássaros,
Eu sabia onde estava,
Eu poderia ir buscá-lo.
“Eu vou te buscar”
 Então, surgiu no chão
Onde eu corria
Um relógio sujo de terra,
O relógio de mamãe,
E eu ouvi como um sussurro
Um “não” soluçando
No peito.
Rahat estava com
Nossa mãe,
Que foi enterrada
Dez anos atrás,
Rahat não estava
Entre nós,
Eu ajuntei o relógio
E trouxe ao meu peito,
Mas quis correr,
Mesmo que não tivesse
O que fazer,
Eu corri com aquele
Relógio como se pudesse
Parar o tempo e corri
Mais como se fizesse
Retroceder o tempo...
Mas, não,
Rahat estava lá
Próximo ao jardim
Preso dentro do carro batido,
Rahat estava imóvel,
O sangue começava a secar,
Ele partiu para perto
De nossa mãe,
Não me levou,
Mas, teve tempo para
Me contar,
Depois foi,
E eu, de certa forma,
Não me sinto aqui comigo...

Condenada

Eu a encontrei no
Início do porão,
A escada estava
Em chamas,
Seu rosto reluzia
Por entre o fogo.
Eu soube dela,
Eu logo soube,
Por algum instinto de amor,
Somos gêmeas,
Algo nisso me guiou
Para ela,
Tarde,
Muito tarde.
Confesso,
Que olhando de fora,
Eu não tinha porque
Estar lá,
Entrar,
Ou saber aonde ir,
Mas sou e fui,
E a encontrei,
Lá embaixo no porão
Em chamas,
A minha irmã.
Suas mãos se ergueram
Para eu e pulavam
Para cima,
As chamas bruxuleavam
Pela parede chamuscada,
Eu me deitei sobre o piso,
Estendi minhas mãos,
De alguma forma,
Eu soube,
Não poderia ajudar.
O fogo consumia tudo,
Menos ela,
Queimava meu corpo,
Ardia minha pele,
E lá embaixo
Estava ela,
Ela chorava sobre aquele
Rosto escuro de carvão,
As Lágrimas limpavam
O rosto para logo depois secarem,
Eu acho que sua dor não
Caia no chão.
O fogo chegava aos seus pés
E subia,
Ela se debatia e pulava,
Eu estava me afogando
Na fumaça,
Eu chorava sobre ela,
Eu desejei apagar o fogo,
Eu desejei trazê-la,
Eu sentia dor extrema,
Eu desejei a dor dela,
Mas, como uma irmã
Protege a outra,
Eu não me vi queimar,
Não me senti arder,
Mas, de repente,
As chamas ganharam
Sua face,
E o rosa dela todo desapareceu
Para o escuro e amarelo,
Chamas grudaram nela
Como se ela fosse
De papel,
Eu disse:
:Danny, Danny, Danny.
Ela abriu os olhos
Dentro do fogo,
Pulou outra vez,
Acometida por uma força
Que eu não sei a quem
Pertencia,
Dentro de seus olhos
Eu pude imaginar
Nossos pais a chorar,
Eu a ter pesadelos
Durante a noite
E não tê-la para me acordar.
Eu vi a dor,
Eu senti o choro,
Eu ouvi... Gritos?
Sim.
Ela gritou,
Berrou e uivou de dor.
Seu cabelo foi sendo
Consumido pelo fogo
E suas pequenas mãos
Batiam contra si própria
Tentando salvar-se,
“Não me deixe, Danny”.
Eu disse em último fôlego.
Eu não tinha como
Alcança-la,
Eu fui obrigada a deixar
Minha irmã queimar,
Minhas lágrimas não
Foram suficientes para apagar,
Minha dor não foi capaz de afugentar
O fogo que só cresceu,
E fez ceder alicerces
Sobre o porão da casa,
E fez ceder parte do telhado,
Algumas telhas caíram
Sobre minhas pernas,
Eu as puxei para meu corpo
E chamei:
“Danny, eu preciso de você”.
Não nos alcançamos,
Minhas mãos começaram
A queimar,
Meus pelos se derretiam,
Ela não queria morrer,
Mas a morte a levou,
E queimou, também,
Parte minha...
Eu baixei meu rosto
Sobre os braços e chorei,
Me sentia queimar e arder,
Então, levantei o rosto
Para o telhado até ruia,
E me joguei para o fogo
Num mergulho em que
Me segurei pelas pernas
No soalho até cedia,
 Lá embaixo alcancei ela,
Ouvi seu choro de criança,
A puxei em chamas
Para o céu,
“Vou com você, Danny”
Eu disse.
E agarrei sua cintura,
Depois me puxei,
E puxei ela para fora,
O fogo nos queimava,
Então, tirei minha camiseta
E esfreguei nela para tirar o fogo,
E o fogo cedeu,
Nós saímos para fora da casa,
Que logo foi consumida inteira
Pelas chamas
Que vieram nos buscar,
Mas, eu fui mais rápida,
E salvei minha irmã gêmea,
Parte de mim,
Minha vida,
Estamos vivas e queimadas
E ardendo.

Um Princípe