Chegaram as festas
De final de ano
E todos escolheram
Suas bebidas:
Champanhe e espumante,
Para toda a família.
As taças corriam
De mão em mão,
O líquido alcoólico
Espumava pela taça,
Percorria até a mão,
Pingava na boca
A linda espuma branca,
Borbulhando da língua
Até a garganta.
Disse a garota
Aos seus 12 anos:
“Ah, eu não quero,
Me desculpa “.
“Por quê?”
Indagaram.
“Porque eu acho
Que o ar que faz estourar
O líquido vem das pessoas
E eu tenho medo
De tomar todo o ar do mundo...”
Todos riram da piada.
Menos a garota
Que acreditava naquilo,
Se a bebida espumava
E era feita de ar borbulhante,
Então, o ato de comemorar
Fazia com que outras
Pessoas sofressem
Por insuficiência cardíaca
Ou falta de ar nos pulmões.
O riso correu solto,
Na sala os amigos
Faziam farra da garota
Usando o litro de refrigerante,
Eles pegavam o litro
E chacoalhavam para
Fazer espuma e estourar,
Então, passavam o litro
Aberto no ar para tomar
O ar que havia na sala.
Todos gargalhavam
E alguns corriam
Para fora,
Porém, a menina
Ficou triste com a ideia,
E permaneceu segura
De si mesma,
Se a comemoração exigia
Infortúnio de outrem,
Ela não bebeu,
E nisto nunca gostou
De refrigerante.
Enquanto no ônibus
As meninas enxiam
Seus copos descartáveis
De refrigerante
E passavam pelos garotos
Para roubarem seu ar
E ver se o líquido aumentava,
O que, fazia espuma,
E levantava o volume
E então bebiam felizes,
Menos a garota.
Está por sua vez,
Ajuntava os copos
E levava na lixeira
Mais próxima
Para ajudar na limpeza
Do local.
Onde ela caminhava
Pela cidade nunca
Se importava de ajuntar
O lixo e levar com ela
Até a lixeira.
Isto lhe rendeu
Um presente de Natal
De seus tios,
Um calção laranja
E uma camisa baby look verde,
Ela mesmo sem saber
Do que se tratava
Não aceitou o presente,
Vez que,
Nunca foi comemorado tanto
E por tantos motivos
Naquele local
Quanto depois de terem
Descoberto a ideia
De quê o borbulhante
Era feito de ar.
Isto a deixou triste,
Então, seu irmão aceitou
O presente e sabendo
Que se tratava do uniforme
De gari “ajuntador de lixo “,
Se irritou com ela.
Ele encheu meio copo
De refrigerante e chegou
Nela dizendo:
“Olhe Jace”.
A garota olhou
“Não é pra você tomar
É só pra você respirar
Meu refri “.
Ela ficou tão triste
Com o garoto
Que ainda era criança
E disse:
“Isto de tomar o ar
Dos outros e assassinato,
Você está se tornando
Um criminoso “.
O garoto se irritou
Muito com ela,
A chamou de metida
E chata,
Então, pegou o calção
E esfregou no chão
Para rasgar,
Depois pegou a camiseta
E colocou uma pedra
Dentro enrolou ao redor
A camiseta e desferiu golpes
Na garota.
A menina disse chorando:
“Pare meu irmão,
Refrigerante lhe faz mal”.
Em sua jornada
Ela sempre preferiu
Frutas e sucos naturais,
Ela se sente bem assim,
Mesmo já sendo
Uma garota madura.
Certo dia,
A garota ganhou
Metade de um copo
E trouxe para casa
Para seus pais provarem,
Nisto contou que era feito
De ar e nada mais,
Um ar que borbulhava.
Ele disse a ela:
"Obrigada filha,
Isto é tão caro
Que o pai nunca vai
Poder comprar
E você trouxe o seu
Para eu e sua mãe,
Que bom que vem do ar
Dos outros,
Então, estamos certos
Em não gastar dinheiro
Provocando o mal das pessoas
Em plena época de festas,
E você estuda e entende
Sobre isso pra explicar
Pro pai".
Ela ficou feliz
Pelos pais gostarem
De sua atitude,
E soube que arrotavam
Dentro dos vidros
Para ter mais ar,
E os que bebiam
Não se importavam
Com a procedência
Do produto ou a forma
Como era feita,
Aliás, pareciam
Aprovar a ideia.
Aí sua avó disse,
"Que linda que você é filha,
Quando penso em dar
Minha cadeira
Pra uma neta
Logo me vem seu nome
De tão boazinha
Que você é ".
A menina disse
"Ah, obrigada vó ".
A avó trouxe a filha
Para a sua perna
E acariciou seus cabelos
Dizendo:
"De nada filha,
Está cadeira permite
A neta ficar sentada
Do meu lado
Me acompanhando "
A menina abraçou a avó
Bem forte e disse
"Ficarei do seu lado
Pra sempre,
Mesmo em pé".
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