sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Bebe Comigo

Fica comigo aqui,
Me faz companhia,
Serve um gole
De vinho,
Me acompanha está noite,
Quero adiar a dor
De o sol clarear
E não restar mais nada.
Noites de barulhos estranhos,
De vultos fantasmagóricos
E eu a buscar seu nome,
Procurar notícias suas,
Sorvete meu vinho quente
E imaginar seus lábios
Com outra e eu aqui sozinha.
Me dá uma razão
Para não esquecer de nós,
Não seguir em frente,
Encarar você
Com outra e achar
Que tudo estará tão bem,
Por favor,
Bebê comigo este vinho
E imaginar que o destino
Já não está escrito
E que nós poderemos
Acordar juntos
Olhar um nos olhos
Do outro
E imaginar que não
É um sonho,
Não há muito tempo
A favor.

Houve em Nós o Amor

Se te ouvir
Me trouxesse o tempo,
Como trás as lembranças,
Já não iria querer recordar,
Te ver,
Descrer,
Esperar e meter
Estas ideias
Tão sórdidas,
Em que me vejo lutar,
Desistir de nós,
Te buscar,
Feito uma valsa,
Que beija-me,
E vaza-me,
E você irá saber,
Tudo que eu não disse,
Tudo que faria,
Tanto que esperei,
Tanto que o desejei,
O amor com que te beijei,
A forma como te toquei.
Malditos são os vinte anos,
Que já não são os quinze,
Muito menos os trinta
De agora,
Se foi a que te queria,
A que lhe confiava
A alma,
A vida,
E seus versos,
Porém, você fugiu,
Você se apegou,
Buscou em outra,
E nós dois
Apenas acabou.
Você, talvez, tenha sabido,
Sentido e buscado
O tanto que te busquei,
No silêncio de cada olhar,
No escuro de cada noite,
Em que me confiei sua.
As vezes que te vi
Na lua,
No céu de estrelas,
No maldito helicóptero
Que sobrevoou
E eu jurei ser você,
Se alguma vez,
Você pensar em mim,
Me diz,
Houve entre eu e você
O amor!
Ah, eu te busquei
Em muitas bocas,
Eu gosto de beijar,
E provar bocas diferentes
Me fez bem,
Mas, você sabe
O quanto eu te busquei,
Te esperei,
E pode passar mil anos,
Teria sido há quinze anos
Tal como agora,
Tempo de espera
E entrega,
Poderia ser
Para daqui a quinze anos
Tempo de espera
E de buscas,
Mas, não foi nós dois,
Poderia tanto ter sido,
Contudo, não foi,
Mas, se alguma vez
Você pensou em mim,
Caramba, você era tão legal,
E eu apenas uma garota simples,
E você, aquela garoto
Que eu desconhecia,
Mas, que levarei
Por uma vida.

Cansei-me

Por quê simples
E simplesmente
Eu nunca aprendi
A fingir,
Porém, me empurraram você
E me obrigam a você
E eu já me perdia
Agora me vejo obrigada.
Eu não quero aprender
A te querer,
Aceitar seu jeito invisível
De estar sempre
Onde eu estou,
E pra admitir
Se você não estiver
Já nem sei o que fazer,
Mas, você me obriga.
Obriga a aceita-lo sempre,
Me obriga a te querer,
Me empurra você
E eu preciso aceitar
No talo,
Fingir que não rasga
Minha garganta
E que eu não preciso
De um tempo pra mim
Mesma.
Me obriga
A padrões
Que são só seus,
Eu preciso da paz,
Da paz de me buscar
E me encontrar,
Preciso de liberdade
Para pôr aquele piercing
Sobre o qual
Espero não me arrepender,
Mudar meu corpo,
Trocar o que não gosto,
Viver.
Quero a liberdade
De amar,
De deixar de estar
A suas pernas,
Caída
E ao dispor
A queimar sob
Este maldito sol,
Que não me dá graça
Nos pássaros,
Nas frutas,
Ou na coisa toda
De estar a sua espera,
Ao seu dispor.
E a culpa nem é minha,
Mas, nem sonho
Com seu amor,
Não me importa
Seus lábios,
Maldita a dor,
Me faz buscar outro
E não me vejo sua,
Estou dividida,
Não o quero tanto
Quanto você deseja,
Maldita seja a paciência
Que me toca a você,
Relâmpagos de cor,
De defeitos que vejo gritantes,
Estou a sangrar
Em seus malditos pés,
Ao dispor de seus passos,
Me vejo a cair,
E me entupir de medo,
E não quero cair em você,
Cansei de suas malditas falhas,
Que se partam os amores
Fiéis e unidos,
Me vejo cair
E não quero cair em você,
Muito menos estar aos seus pés,
Maldito sejam seus passos,
Que só me esfriam
E ferem meus sonhos,
Eu não lhe nutro este amor
De fidelidade e estar ao dispor,
Quero liberdade
Quero viver,
Cansei-me.
É simples,
Tu não me vale
Todos os contos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

2025

Notícia do semanário
De Pinhalzinho:
Chuva intensa cai
Sobre a cidade,
Alagando ruas,
Invadindo casas,
Destruindo moradias,
Levando carros e árvores
E até mesmo pessoas
Para a sargeta.
Pede-se,
Aliás, implora-se:
Ajuda dos moradores locais
Para limpar as ruas
E permitir o tráfego
Do povo até suas casas,
Para só então,
Saber o real estado
Dos moradores locais.
Tragam pás,
Enxadas, facões, cavadeiras
E o que mais puderem
Para auxiliar a desterrar
Os carros e até pessoas
Que estão soterradas
No final de cada rua,
Principalmente na avenida
Principal onde a enxurrada
Carregou tudo e todos
Para o lado do moro
Que fica ao final da rua,
Divisa com a Br.
Precisa-se permitir o tráfego
E salvar a todos que
For possível,
Com o máximo de rapidez,
Vez que a chuva irá continuar
E os danos não pararão nisto.
Enquanto, no interior,
Tudo parece mais simples,
Contudo, Dona Ofélia
Sofreu a perda
De uma safra inteira
De suas uvas,
A plantação caiu no chão,
Parte foi soterrada
E o resto esmagado
Pelos intensos pingos.
O banco, logo que soube,
Oficiou Dona Ofélia
No adiantamento
De sua dívida com o banco
Sob pena de perda de
Seus bens
E bota-la na rua.
Chocadas,
Suas filhas,
Ainda menores de idade,
Pegaram escondidas
As chaves do carro
E dirigiram até a delegacia,
Chegando lá,
Após passar todo o sofrimento
De dirigir sobre a rua
Com água,
Escorregar no barro
Sobre os asfalto,
E chegar a delegacia
Encontraram o delegado
Sentado em sua cadeira,
Tranquilo tomando coca.
Conhecendo o assunto,
O delegado informou
Que em nada poderia ajudar,
Retirou a chave do carro
Da posse das meninas
Já que não tinham idade
Ou permissão
Para dirigir,
Multou a mãe de ambas
Por elas estarem ali
E reteve o carro.
Chorosas,
Elas ligaram para um rapaz
Que com sua carteira
Pode retirar o carro,
E se ofereceu para levá-las
De volta para suas casas.
Irritada,
Por agora contarem
Com mais as multas
Como dívidas para sua mãe,
Elas ofereceram sexo
Ao delegado,
Ele aceitou,
A mais nova,
Aproveitando-se de sua irmã
Estar sentada no colo
Dele lhes fazendo carinhos,
Pegou as algemas
E o algemou,
Então, tomou a arma
Dele e com a própria
Retirou sua vida.
Depois, foram até o banco,
Encontraram o banqueiro
Lá, seguro de si,
Enquanto um rio de lama
Carregava tudo que podia
Com ele.
Chegaram até o banqueiro,
E atiraram contra ele,
Depois, acessaram o computador
Do próprio apagaram
As imagens
E impediram a penhora
De sua casa.
Colocando a dívida
Como paga,
Porém, o ano correria,
E não teriam dinheiro
Para comida ou sustento,
No entanto, a justiça
Estava feita.
Felizes, voltaram até
A delegacia e apagaram
Também, as multas injustas,
Depois sentaram-se
No carro de suas mães
E voltaram, felizes, para casa.
-medo.
A palavra medo ecoava
Na mente da família de Dona Ofélia,
E em cada uma
Dos moradores de Pinhalzinho,
"Me-do".
A chuva não teve piedade,
E exigiu de cada morador
Compaixão pelo próximo,
Que buscava a todo custo
Salvar sua televisão,
Para ter um instante de diversão 
Após toda dor,
Salvar a geladeira 
Para ter com o que se alimentar,
Salvar a cama,
Para ter onde sossegar
Depois de um dia agitado 
De trabalho,
Na cidade onde muitos perderam,
E poucos extraíram destes 
As dores, medos e dinheiro perdido.

"Me-do",
Era ou devia ser
A palavra que mais ecoou
No ouvido de cada morador,
Medo, aliás,
Neste momento de chuvas
E devastação 
Deveria ser vista pelo lado
De "dar-se", "entregar-se",
Num sentido de que,
Naquele instante todos perdiam,
A vida de cada um corria perigo,
Os bens que o vizinho perdia,
Refletiria nas vidas
De seus semelhantes,
De maneira que ninguém 
Se sente superior ao outro,
Ou bem consigo próprio 
Enquanto seu próximo 
Passa necessidades.

"Medo",
Refletia de boca a boca,
Ressoava em eco
Por cada casa
Até o final de cada rua,
Até alcançar da avenida
Ao morador da roça.
Receio de toda chuva
Que caiu,
Todo o estrago que causou
E a chuva que se avistava
Próxima e feroz.

Motos e carros se aglomeravam
Ao final de cada rua,
Dentro de casas destruídas,
Crianças pediam por seus pais,
Pais buscavam seus filhos
E carros policiais trafegavam
Com suas sirenes ligadas
E holofotes em busca de sobreviventes.

Ao fim da rua,
Um grupo de jovens
Passou a depredar paredes
De vidro de lojas
Para saquear,
Roubaram roupas, calçados 
E até supermercados.

Outros grupos seguiram
Para lojas de jóias,
Eletrônicos e o que mais
Houvesse,
Logo, um carro policial 
Percorreu do início ao fim
Da cidade com um apito 
Para informar 
O fechamento de toda a cidade
E a decretação de estado 
De necessidade:
"O povo havia invadido
Tudo que pode em busca
De furtar-se de pagar,
Aproveitando-se das chuvas
E a dificuldade de reconhecimento 
De seus rostos
Para ocultar-se de responder 
Pelo crime".

Policiais invadiram bancos
E quebraram caixas eletrônicos,
Retiraram dinheiro 
E fugiram para outra cidade,
Tudo se tornou um caos.
Mas, as filhas de Dona Ofélia 
Chegaram bem em casa,
Tiveram como impecilho
Apenas o fato
De que uma árvore caiu
Na estrada e impedia
A passagem do carro,
Então, tiveram que cortar
Aquele tronco a facão 
E motoserra 
Que lembraram de levar junto,
Retirada a árvore,
Puderam seguir até sua mãe,
Que triste e desamparada
Chorava vendo a chuva retornar.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Adeus

Em uma noite
Escura de novembro
Daria para servir
Um drink
E ir até a área
Saborear o gosto
Ganhar os lábios,
Enquanto os olhos
Sem ter o que enxergar
Já que tudo fica igual
Esperam em algum ponto
Algo que identifique
A noite
Tal como um vagalume
A vagar pelo escuro
Ou uma coruja
Com seu canto noturno
Escondida por entre
Os postes da área cercada.
Por um instante,
Quase que ofereço
O copo para minha irmã
Pedindo a ela
Que tome um pouco,
Me acompanhe
E conte uma de suas histórias,
Neste momento,
Quase sinto o cheiro
Dos seus cabelos escuros
E encaracolados
A levitar pelo vento,
Num sopro
Que o joga
Contra o meu rosto
Enquanto abraça meu pescoço,
Então, como por encanto,
Não espero pela luz do dia,
Mar recordo,
Que, agora estes lindos cabelos
Já não cheiram como antes
E não abraçam
Outra que não seja ela própria,
Também talvez
Não estejam com o mesmo corte,
Nem tão escuros
Quanto a tinta os mantinha,
Aquele cabelo outrora escuro
Hoje clareia seus últimos fios
Embaixo da terra,
Cada vez mais quebradiço,
Perdeu pouco a pouco
Seu charme,
Espalhados sobre um travesseiro
De cetim numa escuridão
Que nunca terá claridade,
Vez que
Fecha-se a tampa do caixão
Quando se diz adeus
Para todo o sempre.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Entre a Cruz e o Diabo

Pepita traçava
Com o dedo
Sobre o bordado
De alto relevo
Que havia terminado,
Ali desenhou uma casa,
Um jardim
E até mesmo um bando
De pássaros.
Sonhadora,
Olhou para o lado
Da almofada bordada
E encontrou uma carta.
Costuma-se dizer
Que toda cruz
Carrega seu diabo,
Mas, neste caso
Ele antecedeu-se.
Logo de início
Em alto relevo
De tinta amarelo brilhante
Continha o nome,
Aquele o qual
Ela desejou tanto esquecer,
E logo do lado,
Desenhado na própria almofada
Estava a cruz que carregava.
Nitidamente desenhada
A casa em que sonhou
Dividir com quem tanto amou,
O jardim que sonhou
Plantar ao seu lado...
Tudo expresso,
A cruz do sofrimento
De quem sonhou
Um grande sonho
Mas terminou em lamento.
Do lado,
O diabo traçava seu nome
Como se se autodominasse
O grande responsável
Por determinado sonho,
Tão lindo e encantador
Que não a entregou,
De fato,
Mais que umas agulhadas
Em seus dedos
Enquanto ela bordada
O tecido,
Sobre o qual o diabo
Não seria conhecedor,
Mas, tórrido desalento,
Se mostrou tão rápido,
Que talvez,
Até mesmo,
Já imaginasse o lindo bordado.
Bem,
Pego a carta do diabo
Em suas mãos feridas,
Desejou ler o conteúdo,
Saber de qual outra maneira
Iria feri-la.
Aberta a carta,
Soube que não continha pouco,
Ele disse,
Em poucas linhas
Que voltaria,
Marcou dia e hora,
Em que simplesmente
Desejava vê-la,
Assinou com a palavra saudade.
Pepita soltou a carta
Na sua frente embevecida,
“ o quê?”
Depois de todo este tempo
Separados
Ele desejava revê-la?
De onde ele tirou tal ideia,
O que desejava realmente?
Por toda a casa
Haviam sonhos bordados,
Em casa parte
Estava a marca do diabo
Registrada em bordados,
“Por Deus,
Haveriam, ali, eu te amos?”
Ela indagou-se
Embasbacada,
Como um grande amor
Constrói sonhos
E vai embora,
Passado tanto tempo
Decide simplesmente voltar?
Não,
Sobre isso ela não tinha resposta.
Seus dedos feridos
Marcavam tantas promessas
Quadros desenhados
A pincel de cada ideia,
Até mesmo as promessas
Foram marcadas em suas artes,
É a cruz estampada
Por cada parede,
Retratando cada beijo,
Cada visita,
Cada momento de esperança,
Como se não bastasse
Tantas lágrimas
E as lembranças que persistem,
O diabo decide mostrar assinatura,
Apresentar a face.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

De Trago a Trago

36 anos
Do local onde
Avisto o caminho
Da roça,
Pois é,
Em casa manhã,
Em cada hora de aperto,
Eu busco a janela,
Uma porta
Ou um meio
De tomar um vento
Fresco no rosto
E buscar meu caminho
Da roça.
Vocês sabem,
Nasci lá,
Lá quero morrer,
Nisto, me arremete
Repensar meus estudos,
Replanejar meus modos,
E tornar acessível
Meu deslocamento
Da cidade,
Onde há o emprego
Até a roça
Onde guardo minhas saudades.
O trânsito não dá trégua,
E a criminalidade
Percorre distâncias
Muito rápido,
Temo pelo lugar que deixo,
Temo pelo caminho
Que percorro,
E pelo destino que busco.
Há três violências,
Encrustadas no crime,
Há a física
Onde o criminoso não mede
Esforços para ferir,
Seja provocando um acidente
De deslocamento
Ou fazendo uso de ameaças,
Pois, me preocupa
Os que deixo,
E me preocupa os que busco.
Na questão dos acidentes,
Há os perigos de perder a vida,
Os ferimentos ocasionados,
E por vezes,
A perda do bem,
Ou seja, há aí a ação
Da violência material.
Depois vem o trauma psicológico,
Ou seja,
O medo de ser alvo,
De sofrer de fato
De um ato criminoso,
Esta última,
marca para o resto
Das vidas de suas vítimas que, impotentes, subjugadas temeram por suas vidas e dos seus,
correram riscos e,
para piorar, sabem que, possivelmente,
o criminoso ficará impune
Pelo crime cometido.
A impunidade é um coquetel
Que se bebe
De dia a dia,
Ao final de cada trabalho,
No início de cada café,
De trago a trago
De um veneno
Que causa uma cegueira
Onde a pessoa
Não consegue mais reagir,
Permanece presa
A este círculo
De ver,
Tomar o coquetel,
Tontear a mente,
E deixar tudo sempre igual.

Destino à ROCAM