terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Sinto Falta de Você

Quando se vê
Que nada é definitivo,
Começa-se a sopesar
Amizades,
Valorar atitudes,
E ter levezas
Nada próprias ações.
O orgulho
Perde a utilidade,
O banal torna-se trivial,
As disputas são entregues
A estupidez da ganância
E ambas são afastadas
Do pensamento,
Do dia-a-dia,
Do convívio.
Nisto as mágoas
São vistas
De forma supérflua,
E o sorriso
Abre espaço
Para o afeto,
O respeito,
E a saudade.
Bater é simples,
Mas, apanhar
Não é aceitável,
Sofrer um pouco
É tolerável,
Mas abaixar a cabeça
É inaceitável,
Observar com cautela
A vida
Torna ela mais linda,
Mais gostosa
De ser vivida,
Pois viver sozinho
É bom,
Mas ter alguém
Ao nosso lado
É indescritível.
Gostaria que você
Sentisse minha falta
Tanto quanto eu sinto
A sua,
E que seus pensamentos
Me buscassem
O tanto que eu te busco,
Não seja mesquinho,
Cultive por nós a saudade
E venha até eu,
Eu tenho um abraço
Pra te entregar,
Um pedido de perdão,
E um agradecimento,
Sinta minha falta,
E sentindo venha me buscar?

Policial

Quando um policial
Morre o que ecoa
Na mente um do outro
É o silêncio.
Suas ações
Partem com ele,
Injetada numa bandeira
Do estado em que trabalha
Como maneira
De recordar tudo que fez,
Dura tão pouco tempo,
O velório,
Que o caixão é fechado
E nenhuma boca ainda
Foi capaz de falar.
O amor pelo trabalho
É o mais duradouro
Dos amores,
Faz dedicar-se,
Lutar para fazer bem feito,
Buscar melhores resultados.
Na sua lápide
É descrito seu nome,
Mas não cabe
Sua história,
Do lado
Coloca-se uma fotografia,
Onde se reconhece
Um olhar,
Mas, jamais sabe-se
A dor de um ser humano
Que morre em serviço,
Que inicia seu trabalho
Em cada dia
Sabendo dos riscos
Contra sua integridade física,
O verdadeiro policial
É aquele que tomba
Sem perder sua integridade moral.
Seu nome repete-se
Pelas bocas,
Denomina ruas,
Avenidas e marca
Através dos tempos
Com suas ações
Benéficas que nunca
São esquecidas
Nem recordadas
O suficiente.

Destino

Não é
Nenhum desafio
Descobrir quem somos,
Avaliar nossos
Pontos fortes
E fortificar os frágeis,
Feliz é aquele
Que se felicita
Com quem é,
Feliz é aquele
Que sente orgulho
De tudo que fez,
Que se esforça
Para alcançar
Seus objetivos
E tem satisfação
De si próprio.
Dar o melhor
De si mesmo
As vezes,
Demora a dar resultado,
Mas todos os resultados
Serão positivos,
Pois o melhor
De si mesmo
Estimula que o ainda melhor
Possa surgir
E agir sobre o que se busca,
Aquele que é melhor
Sempre é capaz de melhorar,
E seus resultados
Sempre serão positivos.
Pensar positivo
É um bom início,
Pois pensar comanda
O agir,
O agir faz-se hábito,
O hábito molda o caráter,
E o caráter determina
Seu destino.
As vezes,
Muitos anos
São necessários
Para que você
Seja capaz
De olhar para trás
E ver o valor
De tudo que aconteceu
Com você
E a contribuição
De cada pessoa
Na sua personalidade,
Dominar os efeitos
Das ações vividas
Sobre si mesmo
É domingo seu destino.

Ser Especial

A mentira morre
Nos lábios de pessoas
Inteligentes,
O que me admira
No ser humano
É sua capacidade
De filtrar conversas,
E cessar a mentira,
Não transmitir a verdade
Se ela for de maldade
Pois mais ganha
O coração bondoso
Que aquele que vive
De rancor e ódio,
O alimento da alma
É o perdão,
O carinho e a bondade
Com relação ao semelhante.
Acreditar em suas próprias
Mentiras,
Fugir da realidade,
Isto é desvio de personalidade,
É pender pro lado vitorioso
Por ser uma pessoa
Sem caráter,
Desvirtuoso de bondade,
Todo o sujeito tendente
A maldade,
Acaba gerando desconfiança,
E a descrença
Na pessoa
Repele ela
De qualquer círculo amigável.
Porquê todo suspeito
Encerra por ser desmascarado
E ninguém acredita
Em pessoas
Reconhecidamente mentirosas,
A mentira é má,
A mentira faz mal,
A unicidade do ser humano
A faz singular
Entre tantas pessoas,
Isto é mais que ser
Parte da vida de alguém
É ser a própria vida,
É ser tão único
A ponto de fazer falta,
A ponto de ser buscado
Mesmo que entre mil amigos,
O amigo especial
Sempre é reconhecido.
As vezes,
Se algo o feriu,
O melhor a ser feito
É conversar
Sobre o assunto,
Contar a Deus,
Entregar seus sentimentos,
Todo o se humano
É se sensível
A dor do outro
Sem que
Para isso
Seja necessária
A mentira
E a conversa fofoqueira.

Levo

Seguro as alças
Da minha malinha
E puxo ela
Atrás de mim,
Com suas rodinhas
A tilintar a hora
Sem fim,
Eu abaixo a cabeça,
Uma menina
A seguir pela calçada
No término da aula,
E você passa por mim,
Você sabe,
Me desculpa,
Eu já gosto de você,
Não tenho idade
Para isso,
Mas acompanho
Seus passos
E se fosse sonhar
Em beijar
Eu procuraria a sua
Cobiçada boca.
Ouço tudo que você diz
Como se não houvesse
Maior importância
Em nada além,
Entendo seus reflexos
E não tentou te beijar
É cedo demais
Para confessar,
Neste instante,
É proibido sentir,
Mas, meu coração
Já sabe amar
E sempre que te vê
Ele pulsa forte
Por trás da minha
Camiseta comprida
Que eu sei,
E você entenderia,
Com pouco esforço
O que sinto,
Eu o amo.
Minhas rodinhas
Pulam uma pedra,
Batem contra o canteiro
De flores,
Sobem por seus sapatos
Escuros e sujos
Pelo seu trabalho,
Eu o olho
Exatamente quando
Uma gota de suor
Desse dos seus cabelos,
Ganha a sua testa
E segue,
Eu levanto a mão,
Não quero
Que lhe fira os olhos,
Mas, você não parece
Dar importância,
Contém minha mão
E repele,
Com olhos seguros,
Arredio e sérios,
O suor desce,
Chega aos olhos
E desce,
Não parece lágrima
Mas te percorre,
Então, você solta
Minha mão e retira
A gota,
Eu sorrio,
Você vira
As costas e vai,
Com seus sapatos
Seguros de pisar
O chão sujo,
Com sua calça segura,
Com sua camisa segura,
Você vai
E eu fico,
Depois me vou.
Poderia guardar
Seu cheiro comigo,
Segurar minha mão
Em meu peito
O tanto quanto
Um coração é capaz
De absorver amor,
Provar cheiros,
E guardar,
Te guardo comigo Dutra.

Saudades

Há um chamado
Que voa
Com o vento
Na velocidade
Do querer,
A voz está emudecida,
Mas, muito se fala
Quando a boca cala.
Fosse do querer,
A chuva que faz
O chamado descer,
Seguro e forte,
Eu desejaria rever,
Fosse do poder,
Eu preferiria ajudar,
Proteger,
Estar segura.
A chuva pesa
Em minha alma,
Me acolho
Em mim mesma,
Sinto nostalgia
De viver um tempo
Que de bom
Teve você,
Mais nada.
A 200 metros
Eu perdi você,
Na distância da saudade,
Na distância que faz falta,
Na distância curta
Que não pude te proteger,
Na distância solitária
Em que vaguei
Pelo acaso
Em busca de tê-lo,
Mas como dizer?
Foi como um chamado
Que cruza o infinito,
Desce feito um pingo
E molha meu rosto,
Com seu gosto,
Se eu tivesse provado,
Com seu cheiro,
Se eu pudesse tocá-lo,
Com a chance que pedi
De apenas tê-lo,
Tomar um café
Ao seu lado,
Sentir seu abraço,
E não desejar tanto
Você cada vez
Que decide chover.
Eu choro sua falta,
Choro o remorso
De nunca ter falado
O quanto o queria,
Choro,
Por não tê-lo ajudado,
Choro por ter feito
Tão pouco,
Sofro,
Pareço,
Desfaleço,
Eu choro.
Obrigada Silvio Ribeiro,
Eu achei você lindo,
Eu não soube falar,
Eu tentei te proteger,
Mas fui fraca,
Eu perdi a luta,
Me entenda.

Função Polícia 🚔

Cai o verbo na cidade,
Hoje as luzes
Não dormem,
As frases saem
E lágrimas caem
Ou cairiam se assim o fosse.
Contudo, a água doce
Da farda daquele
Que trabalha
Não é vista,
Nem comentada,
Exceto nestes casos.
Há de se imaginar,
Talvez, ganhei nota
Nos jornais,
Uma oração silenciosa
Sobe
Mas é incapaz de buscar
Aquele que foi antes.
Um agradecimento
Feito por poucos
Ou muitos,
Tardio,
Que não será ouvido,
Mas é feito
E lançado aos céus.
Duas garotas
Foram nadar no rio,
Ambas não sabiam nadar,
A embarcação que usavam
Virou,
Nenhuma sabia remar,
Ambas, abraçadas
Sucumbiram nestas águas
E não tiveram forças
Para retornar.
Um gole de água doce
Sacia até a alma,
Mais que isso,
Contudo,
Afunda e segura,
Até que não reste,
Até que não haja
A ... Vida!
A polícia foi acionada,
Tarde,
Já passou do horário
De retorno
E as meninas não voltaram
Conforme combinado.
Mas, a mãe ansiosa
E assustada soube retratar
O local aproximado
Aonde teriam ido,
E vizinhos próximos
Informaram que estariam ali.
Iniciaram as buscas,
Homens nadaram,
Foram ao fundo,
Voltaram,
Estava difícil encontrar,
Achar a embarcação
Não foi útil,
Contudo, não muito
Mais tarde,
Acharam-se as garotas.
Abraçadas
Lá no fundo,
Pareciam beijar-se,
Implorar por socorro,
Comunicar-se
Numa linguagem
Que apenas os
Que estão a beira
Da morte saberiam
Interpretar,
A linguagem
Dos que estão partindo
E não sabem escapar.
Os corpos foram retirados,
Colocados na própria
Embarcação e puxados
Para fora da água,
Um helicóptero prestou
Auxílio,
Uma corda foi amarrada
A embarcação
E um homem se certificou
De que a embarcação
Partisse segura.
Estes corpos
Sem vida,
Sem fala
Chegariam
Até suas famílias,
Seus rostos seriam identificados,
Duas famílias
Chorariam sabendo
Aonde suas filhas amadas
Estariam,
Mortas.
No instante em que
Ele subiu na corda,
Com a embarcação
Amarrada no final,
Ele pode reconhecer
Os rostos,
Identifica-los,
Sim,
Tratava-se da mulher
Que amava,
A autora de seus sonhos
De amor,
A garota com quem sonhava.
Num lapso de dor,
Ele soltou-se,
Lá do céu,
Deixou-se cair,
Esmorecido caiu
Inerte no chão
De sua dor,
O maldito chão
Que a levou,
O doentio chão
Que o impediu
De ama-la,
Cuidar dela.
Sua função de policial
Não foi suficiente
Para que ele pudesse
Guarda-la,
Resguarda-la de sofrer,
Impedi-la de morrer.
Ele não seria encontrado,
Este guerreiro trabalhador
Partiu no tormento de sua dor,
Seu treinamento não o salvou,
Uma terceira família
Choraria,
Se sabendo de sua dor,
Por ver em sua chegada
O pranto sofrido
Escondido em seu olhar,
Um galho não tivesse
Esmorecido,
Chacoalhando por amor.
A dor pela morte
É sentida mesmo antes
De saber-se reconhecer
O rosto desfalecido,
Antes ainda de ver
As lágrimas de um velório,
Antes ainda disso tudo,
Aquele guerreiro
Marchou morto.
Mas Deus soube
Salva-lo,
E um galho o manteve,
Inerte,
A chorar a dor
Destes que sofrem
Na primeira ligação,
No primeiro instante de trabalho
Eles sofrem,
Marcham com sofrimento
Estampado,
Numa dor que precisam guardar,
Uma dor que não lhe
É permitida falar,
Mas, os pais sabedores
Do que se passa
No coração de seus filhos
Se ajoelham antes,
Antes de a ligação chegar
E a ocorrência for designada
Os pais estão de mais dadas,
E este filho retorna.
Dutra foi encontrado
Com vida,
Embora desorientado,
Ele foi identificado
Em razão de ter este nome
Escrito na farda,
Foi localizado por cães
Que latiam sem parar
Naquela direção.
A polícia já estava
Em sua busca,
No cair da noite,
No instante
Em que o sereno chora,
E molha um rosto,
Faz sangrar três famílias,
Ele foi encontrado
E levado para atendimento
Emergencial de saúde.
Vivo,
Respirando com dificuldade,
Os pais já esperavam
Na porta do hospital,
Mãos dadas,
Com seus cabelos brancos
Denunciando a dor
Triste de quem quase perde
Mas recupera.
Seu primeiro ímpeto,
Foi apertar as mãos
De sua mãe,
Ele tentou falar,
Foi em vão,
Disse “Paloma?”
Ela não respondeu,
Paloma partiu antes
E não poderia voltar,
Estavam ali
Apenas seus pais,
Foi o que lhe restou.
Contudo,
Quando dois caixões
Desceram naquele chão de terra,
Dutra não havia
Se recuperado,
Nem pode participar,
As luzes piscaram
Na cidade inteira,
O equipamento de respiração
Do hospital parou de funcionar,
E Dutra foi...
Por alguns segundos
Ver sua amada,
Entregar um último olhar,
Beijar uma flor
Em que repousaria
Em sua face,
Dois pais se postaram
De joelhos em prantos,
Abraçados
Segurando a mão do filho,
Dutra voltou,
Sua respiração repousou lenta
Sobre seu corpo,
Algo grande feito de amor
O salvou,
Um casal de joelhos
E mãos unidas
São capazes
De elevar uma oração
Ao céu,
E impedir de carregar,
Por uma vez,
Ao menos,
Impedir que os céus
Levem o filho querido,
Que foi incapaz
De lutar contra
A própria dor.

Ao Primeiro Olhar