domingo, 3 de maio de 2026

Planejamento

A noite planejo
Meu próximo dia,
Não gosto do acaso,
Prefiro tudo registrado,
Sou a garota
Que busca provas,
Mas odeia discutir,
Prefere as coisas postas,
Sem ofender,
Sem confundir.
Acordo com preguiça
Odeio o meu sair da cama,
Corro para o banheiro,
Lavo o rosto,
Molho as mãos
E tudo se organiza,
Eu sigo o roteiro.
Não gosto do inevitável,
Odeio não concluir
O acordado,
Busco e exijo resultados,
Não gosto do imprevisto,
Exceto quando se refere
A um beijo quente,
Que tira o fôlego
E dá um tempo.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cinco irmãs na Janela

Havia uma família
Que morava no interior,
Num lugar escondido,
Entre árvores,
Um rio de águas límpidas
E um amor proibido:
O amor pela liberdade!
Seus pais foram colher
Pasto para as vaquinhas
De leite que tinham,
Encheram a carroça,
Guardaram seus facões
Enfiados na tábua da beirada
Da carroça,
Colocaram os bois na canga
E subiram nela.
Sentados sobre o pasto,
Abraçados já tarde do dia,
Não enxergaram a cobra
Que com um bote pulou
Do barranco e feriu o boi
Na perna.
Amedrontado e assustado,
Ele escoiceou e mexeu
A cabeça com força,
Isso assustou o outro boi,
E ambos saíram da estrada
E rumaram para o barranco
Berrando e babando.
A carroça não aguentou
O trajeto,
Sobre o barranco ela
Se desestabilizou,
E a caixa de madeira subiu
Do assoalho de madeira,
Se desencaixando
Do restante.
Este movimento fez
O pasto ser jogado
Para o alto e o casal
Se desequilibrou,
Aos gritos eles tentavam
Se manter vivos.
Porém, uma roda se partiu
No encaixe de madeira
E caiu,
Então, a carroça cheia
Com pastos caindo para
Os lados
Pensei para o lado direito
E caiu se entortando inteira,
O pasto veio sobre o casal
Que não soube ser rápido
Para descer a tempo
De cima da carroça
Com um pulo.
Os bois insistiram em puxar
A carroça e isso a levou
Para frente,
Derramando o pasto sem parar,
Até que o boi se colocou de joelhos
E não conseguiu seguir adiante.
O outro ficou em pé,
Mantendo a canga no pescoço,
O casal gemia de dor,
Mas estavam longe
Das filhas,
Ninguém podia ouvir-los.
-querido, retire o pasto.
Dói meu braço.
Disse a esposa.
-querida, não tenho força,
Acho que o osso da
Minha perna está para fora
Da minha pele...
Parece que o sinto.
Dói muito.
E suas vozes foram silenciando.
-querido, eu te amo.
-querida, amo você.
-querido, preciso saber
De nossas filhas.
-querida, elas ficarão bem.
-querido, acho
Que nunca mais as veremos.
-querida, fique calma.
O boi gemia,
Enfiava a cabeça na terra,
Eles saíram no barranco
Para caírem sobre a roça
Onde havia pedras e terra.
Logo, o boi quebrou
O pescoço e morreu bufando
E babando.
Passou o dia,
Chegou a noite.
As cinco garotas acenderam
O lampião e foram atrás
De seus pais
Com velas e o lampião.
Demoraram,
Passaram do local,
Depois vendo as marcas
Das rodas da carroça no chão,
Viram a carroça caída,
O pasto jogado do lado.
Correram até lá,
Gritando pelos pais,
Os acharam imprensados
Embaixo do pasto mortos.
O tempo passou,
As cinco moças
Optaram por continuarem
Em sua casa,
Sozinhas.
Os tios moravam longe,
E a avó pouco as via,
O interior cheio de frutas,
Aromas de chás
Por toda parte
E flores que voavam pela
Janela é lindo de se ver,
Mas, é distante de tudo,
É quase um abandono,
Uma espécie de esquecimento.
É como se o céu
E o túmulo se confundissem
Na névoa densa,
Flores e folhas secas
Ganhavam o céu azul
O tingindo de cinzas,
Assim como os túmulos,
Que repletos delas,
Nem se distinguir dentre
O chão e o horizonte.
Um homem passou
A frequentar a casa
Nas noites,
Era tarde,
E o lampião era apagado
As pressas,
Elas demoraram para acreditar
Que alguém seria capaz
De fazer isso.
Mas, ele foi,
E na primeira vez em que
Foi descoberto,
Vez que Alice guardou
Uma vela extra embaixo
Da cama
E ouvindo passos sorrateiros
A acendeu,
Dando de cara
Com um homem vestido
De amarelo e verde,
Que não sorriu ou se
Espantou,
Simplesmente, pegou
O travesseiro
Que estava ao lado dela
Pôs em sua boca
E a matou.
Perdeu-se aí a primeira irmã.
As quatro que restaram
Dividiram seu tempo
Entre a janela e o quintal
Repleto de grama, flores
E um lindo pomar.
Não tardou,
Ele se aproximou,
Sendo visto,
Se irritou,
Outra vez perdeu-se
Uma irmã.
Ela estava na cozinha,
Era tarde,
Perdeu o sono,
Fazia um bolo
No fogão a lenha,
Sua velinha crepitava
Contra a parede
Fazendo sombras e desenhos.
Um se destacou,
Então, depois,
Sem que ela virasse
Para trás de sua cadeira
De onde colocava lenha
No fogo,
A chama se apagou
E seus olhos nunca
Mais viram a luz do dia.
No túmulo simples
Descansam as almas
De um casal,
E duas filhas,
Contudo, uma delas
Se decidiu a sair de casa,
Não foi distante,
Uma foice interrompeu
Seu caminho,
Saindo de dentro de uma
Área verde,
Como se tivesse vida,
Somente a foice
Caiu sobre seu pescoço,
Então, caída no chão
Engasgada de sangue
Viu uma mão,
Assustada, não quis
Ficar longe de casa,
Correu,
E se embrenhou na mata
Até chegar ao túmulo
De seus pais,
Lá caiu e foi encontrada
Mais tarde.
Meses após isso,
Uma cobra pegou a
Quarta irmã que visitava
O túmulo,
Ela morreu ali mesmo.
A outra envelheceu,
O choro levou seu sorriso,
Marcou seu rosto,
E tirou sua beleza,
Indo ao túmulo ver a família,
Um berne enorme
Saltou de lá e a comeu
Inteira,
De único salto e mordida.
Até hoje está mata
É recordada pela cidade,
Cuja beleza das moças
Se tornou folclore,
No túmulo existem sete nomes,
O dos pais e de suas sete filhas.
A lápide verga,
E logo depois é trocada
Por um estranho,
E distante de tudo,
Ao ver-se a janela daquela
Casa quase é possível ver
Cinco irmãs apoiadas
No beiral olhando o quintal
Florido sorrindo.
O vento se encarregou
De guardar para si
A imagem delas,
Derrubou uma árvore
Sobre a casa,
Que deixou para sempre
A janela escancarada,
Enquanto o telhado vergava
Para o chão
De onde quase se toca
A altura da janela.

Bolas de Choro

Ela conheceu o amor
Nos braços de Miranlo,
Mas, durou pouco demais.
Todo amor quando
É verdadeiro,
Dura pouco demais
Se no caminho
Ele é deixado a plano.
Ela acordou,
Ouviu a vizinha chorar alto,
Então, ouviu tapas e gritos,
Depois disso,
Ouviu barulhos intensos
De móveis quebrando.
De sua sacada,
Ela gritou:
Vizinho, deixe de bater
Em sua esposa.
Irritado ele saiu
Para fora,
Pegou a vassoura
E bateu nela no rosto.
Acertando três vezes,
Depois ela caiu,
Ele morava ao lado,
Era alto,
De sua área bateu nela.
Em silêncio,
Só tinha o olhar irritado
Para contar o quanto
Queria mata-la,
Nisto, ele se agarrou
Na murada da sacada
E tentou subir até ela.
A alcançaria,
E a mataria.
Ele era grande,
Irritável e batia muito.
Notou-se um embrulho
Ensanguentado no lixo
Dele,
Com certeza se devia
A algum crime.
Talvez, fosse o pano
Que ele usou para limpar
O chão de sua casa
Depois de tanto bater
Na esposa.
Ele resvalou,
Feriu a mão e voltou
Para dentro de sua casa,
Lá continuou a bater
Na esposa,
Desta vez, vem um barulho
Diferente.
Ouviu-se gritos
Depois apenas soluços.
Ela foi até dentro de sua casa
E informou ao esposo
O quanto o vizinho a feriu,
Ele acordou sonolento,
Abraçou a esposa,
Disse que a amava.
Nem trocou o pijama,
Pôs sua pantufa
E saiu porta a fora,
Lá da calçada gritou:
-Vizinho, quem vive é
Para bater nas pessoas?
Depois disso,
Ele bateu palmas
E continuou.
-vizinho você não é pai
De ninguém para dar educação
Aos outros ao seu modo.
O vizinho pôs o rosto
Na janela o vendo sorriu
E chacoalhou a mão aberta
De lado para o outro.
Prometeu atalhar o destino
Do outro e o fez,
Sacou um revólver
Que ele tinha escondido
Embaixo do colchão,
Dentro do colchão,
Para ser exato,
Estava municiado.
Ele chegou até a janela
E dali atirou seis vezes.
O corpo do outro chacoalhou
E gritou socorro,
Depois caiu entre o pranto,
Murmúrios inaudíveis
E soluços imóvel no chão
Com um estalo.
Ela saiu correndo
Para fora,
De camisola e pantufa,
Abriu a porta e correu,
Encontrou seu esposo
No último suspiro,
Que teve tempo de dizer:
-te amo.
Adeus.
E fechou os olhos
Agarrado a ela,
Com sangue escorrendo
Em seu pijama,
Sua respiração ficou lenta,
Depois mais lenta
E parou.
Ela gritou para o céu
Ajoelhada em prantos:
-eu te amo,
Não me deixe,
Fique comigo!
O vizinho saiu até a área
E apontou a arma para ela:
-cala a boca
Puta desgraçada!
Ele disse,
E atirou,
Porém, já havia gastado
Todas as balas.
-vou recarregar está bosta
E volto,
Você me paga maldita!
Ela continuou abraçada
Ao esposo que não respirava,
Chorando e triste.
Lá dentro a esposa do vizinho
Gritou muito,
Gritou muito mais alto:
-não, não, por favor não!
O vizinho voltou correndo
De lá,
Juntou pedras na calçada
E a apedrejou:
-morra desgraçada!
Ele gritou.
Não chegou tão perto,
Mas jogou muitas pedras.
Depois saiu
E foi para o bar
Próximo a sua casa
Beber e jogar cacheta.
A polícia chegou,
Alguém informou
O que houve,
A mulher estava abraçada
Ao esposo morto
Caída no chão sobre ele.
Com sangue, cortes profundos
E escoriações por toda a parte.
Na vistoria das proximidades,
A polícia achou estranho
Aquele embrulho sujo de sangue:
-este sangue é seu?
Indagou o policial
Apontando para o saco
Na lixeira.
Ela só maneou a cabeça
Em negativa,
Ele abriu o saco
E lá havia um bebê,
Sem roupa e muito jovem,
Sujo de sangue
E respirava,
Mas estava em silêncio
De olhos fechados.
- o que é isso?
Gritou o policial assustado.
Com a arma apontando
Para o bebê
E para os lados amedrontado.
Se chorar virasse dinheiro,
Se diria que ela chorou
Até conseguir uma coleção
De bolas de gude,
Seu choro se condensou
Em pequenas bolas
E agora elas as tinha guardadas...
A rolar pelo assoalho empoeirado.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fuga

Eu fugi do nosso amor,
E daquele tempo,
Dos sonhos apaixonados,
E de você,
Eu fugi para muito longe.
Mas, se lágrimas
Se cristalizassem,
Eu teria feito uma casa inteira
De diamantes,
Com tantos degraus de arrependimentos
Que eu já teria que
Construir uma área
Ao lado para lazer.
Eu comecei nossa história
Com sorrisos felizes
E espera incansável,
Havia tanto para te amar,
Mas senti tanto medo,
A sua profissão era confiável,
Mas, perigosa e ela
Lhe tomava de mim,
Na verdade,
Você vivia em função
Do seu trabalho
E a remuneração
Não era viável.
Eu fiquei a espera-lo
Por tanto tempo
Quanto outra qualquer
Não ficaria,
E aí quando você vinha
Vinham todos os problemas
E eu fui fraca,
Fraca demais para suportar.
Mas, partir para longe
Nunca foi refúgio,
E nem foi melhor
Que estar segura
Em seu abraço,
Eu sofri tanto
Mas, estou me esforçando
Para deixar tudo para trás,
E destas malditas lágrimas
Que tanto choro
Cristalizo pouco a pouco
E construo a vida,
A calçada,
Os alicerces, o teto,
A casa...
Noite triste está
Que vivo sem você,
Mas, choro silenciosa
E você já não pode
Me ouvir,
Melhor assim.
De paredes de vidros,
Espero que quando
Você passe,
Pois as vezes,
Desejo vê-lo,
Então, você olhe para
Onde eu estou
E me veja,
Entre o choro
E o sofrimento
Que se converteu
Nosso amor.

Alex

Parada na porta
Da frente de casa,
Com um entardecer
Inesperado e aberto,
Eu o vi passar,
Alex.
Eu não imaginei
Que seria tão bonito,
Alex,
Não pensei que amor
Viria de um olhar,
Faria palpitar o peito,
Gerar falta de palavras
E tremer as pernas.
Mas, fiquei bamba
Agarrada aquele vidro,
Com os olhos arregalados,
Eu não queria deixar de ver,
Queria que o tempo parasse,
Queria estar perto.
Com um passo a frente
Eu estava na calçada,
Bem perto,
Sentindo ele caminhar,
E eu poderia tocar,
Mas, não podia.
Sabe aquela sensação
De que algo lhe proíbe
O desenrolar do que
Você deseja?
Proíbe ou impede,
Não sei,
Mas, era algo forte,
Mais forte que o amor?
Não foi,
Não seria,
Mas, naquele instante,
Eu precisei respeitar
Este instinto
E deixa-lo seguir,
Ir para onde quer
Que fosse,
Partir.

sábado, 25 de abril de 2026

Assassino Insaciável

Agenor passou
A reclamar em casa
De sentir uma dor insuportável
Que tanto lhe doía
Que causava perda
Do movimento dos membros.
Sua esposa,
Gentil e amável
Corria lhe fazer um chá,
Porém, a dor apenas aumentou
E passou a causar mudez.
De vez em quando,
Agenor acordava cedo
Da manhã para ir ao trabalho
E não tinha movimento
Dos membros superiores,
Com dificuldade para se levantar,
Tomava o café
Sem cumprimentar ninguém
E corria para a porta
Com medo de perder
Mais movimentos,
Ou então, que a perda
Com sensação de formigamento
Durasse para sempre.
Com dificuldade,
Ele sentava em frente
Ao volante do carro
E demorava cada movimento,
Mas, conseguia prosseguir,
Precisava ser forte
Para ajudar a família,
Manter a identidade financeira
Do casamento.
Seus filhos tornaram-se
Arredios,
Jander foi andar de bicicleta
Reclamou de formigamento
Nas pernas e antes de
Ter forças para parar a bicicleta
Caiu no asfalto ferindo
Profundamente o rosto.
Raise correu para ajudar,
Porém, sentiu formigamento
No quadril direito e
Não tinha mais forças
Para se mexer.
Ficou parada sobre
O garoto agachada
Segurando ele pela cintura
Sem poder fazer nada.
Sua mãe correu
Porta a fora
E vendo a cena desacreditou
E bateu na moça de quinze
Anos com o chinelo.
Raise chorou envergonhada,
Estava em plena calçada,
Em frente aos vizinhos,
Mas, mesmo apanhando
Não conseguia mover-se.
O pai voltou
E nesta noite foi pior.
Perdeu os movimentos
Dos membros inferiores,
E com um esforço tremendo
Tentou levantar a mão
Para pedir a ajuda da esposa
E não conseguiu mover-se,
Então, tentou falar
E sua voz não saiu.
Preso num escuro profundo
Acreditou estar morto
E num esforço sobrehumano
Tentou arranhar o caixão,
Implorar ajuda,
Abrir os olhos e ver algo,
Mas, nada acontecia.
Até que a lua despontou
No céu
E a luz chegou a janela,
Chorando de felicidade
Ele percebeu que estava
Apenas na sua cama,
Em seu quarto,
Ele sorriu,
Mas, suas palavras
Ficaram presas
Em algum lugar muito
Distante,
Como se um verme
As tivesse devorado
E levado junto cada um
De seus músculos.
Nesta noite,
Ele teve um pesadelo terrível,
Sonhou que algo rastejava
Dentro dele,
Formando calangos
Para fora do corpo,
E este percorrer daquele
Bicho causava uma dor
Lancinante.
Por onde andava
O bicho mordia
E levava algo,
Um pouco de sua pele,
Um pouco do seu sangue,
Um de seus músculos...
O bicho insaciável
Comeu os músculos de
Um de seus braços
E agora com o braço curto
Ele perdeu os movimentos,
O braço atrofiou,
E não esticava mais,
A dor era terrível demais
Para ser enfrentada
Então, ele foi encurtando
Até chegar ao peito
E ali ficou.
De repente,
O bicho virou para trás
E num ímpeto
Pulou até seu coração
E o devorou.
Agenor acordou assustado,
Suando frio e tremendo,
Olhou para o lado e
Sua esposa estava ali
Abraçada a ele,
Tranquila o protegendo.
Ele sentiu que precisava
Fazer algo,
Aos 40 anos ele era jovem demais
Para morrer de dor
E imobilizado feito um imóvel.
Na manhã seguinte,
Conseguiu se mover,
Abraçou a esposa,
Beijou sua face
E foi ao hospital.
Chegando lá,
O médico o analisou,
Ouviu o relato
E fez um exame de vista
E toque.
Na primeira oportunidade
Descobriu tratar-se de berne.
Faltava apenas abrir um
Pequeno local por onde
Retirar o bicho
E fazer a pequena cirurgia.
A cirurgia logo foi marcada,
Saindo do hospital,
Agenor foi até o cemitério
E sentou chorar
Perto do túmulo de
Seus pais a avós,
 Tão tarde descobriu a doença
Degenerativa da família
Definida como catalepsia,
Era berne,
Um simples bicho
Que era transmitido de um
Ser humano para o outro
Através do toque,
De estar perto
E por meio de um mosquito.
Berne,
Uma questão tão simples,
Lhe tomou a família inteira
Em tão pouco tempo.
Depois de chorar no cemitério,
Ele foi até sua casa
E lá cortou as bananeiras
Onde seus filhos
Faziam as necessidades fisiológicas atrás,
Lavou o tronco das árvores
De frutos mais grossas,
Onde haviam restos
De merda e mijo
E então, lavou toda a casa.
Depois disso,
Contratou um pedreiro
E fez um banheiro
Para cada quarto da residência,
Instalando água
Em cada qual
E transmitindo a notícia
De que urinar e defecar
Ao redor de casa
Estava proibido.
Então, explicou sua doença
Aos filhos e descobriu
Que os filhos sofriam
Do mesmo mal.
Irritado ele pegou
Os penicos debaixo da cama
De cada um e fez
Uma labareda de fogo
No pátio de casa e
Os queimou.
A falta de higiene
Matou seus patriarcas
E agora levava sua família
Sob seus olhos,
E a dor tirava inclusive
A vontade de viver.
Chegando o dia agendado,
Agenor foi até o hospital,
Passou pela cirurgia,
E isto lhe ocasionou
A perda irrecuperável da perna.
Os bichos formaram
Um aglomerado de bichos
Naquele local,
Se multiplicando em milhões,
E o membro não pode
Ser recuperado.
Anestesiado e sonolento
Pela cirurgia,
Uma enfermeira aproveitou-se
De seu estado,
E provocou nele ereção,
E então fez sexo com ele
No escuro do quarto
Do hospital
Engravidando de Agenor.
A enfermeira Noêmia
Retardou o máximo possível
A saída de Agenor
Do hospital e o manteve
Fazendo sexo por
Todo o tempo que desejou.
Sob o efeito do remédio
Ele não notou que isso ocorria.
Na sua família,
Todos tiveram bernes,
E seu filho
Perdeu alguns músculos
Do braço,
Por isso, teve seus movimentos
Encurtados significativamente.
Já sua esposa perdeu
Um seio,
O berne comeu o seio dela
Que ficou flácido e caiu,
Ela acreditou que isso
Se devesse a idade avançada,
Mas, não,
Foi causado pelo berne.
Já sua filha perdeu
O movimento permanente
Dos dois últimos dedos
Da mão direita,
Seus músculos foram picotados
Por mordidas do bicho
Que arrancou aos poucos
Os pedaços dos músculos
Até que ela não pudesse
Mais se mover.
Ao final de sete dias,
Todos retornaram para casa,
Animados e felizes,
Mas, a sombra daquele
Bicho faminto e feroz
Permaneceu,
E o medo sempre ronda
A casa dos Albbuquerques.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Otramentiron - Retorno da Múmia

Navegando nas margens
Do rio Nilo,
O doutor Roultin decidiu
Com sua esposa,
Apoitar o barco a velas
E mergulhar.
No terceiro mergulho,
Já cansado,
Por pouco não perde
Todo o fôlego
E sucumbe nas águas límpidas
Do rio,
Vez que colidiu com algo negro
E longo e duro embaixo
Da água.
O encontro teria sido fatal
Se ele não fosse rápido
E pusesse sua mão
Em frente a cabeça,
Isso atenuou o impacto.
Vendo o objeto,
O achou de renomado interesse,
Chamou uma equipe de buscas
E o retirou debaixo da água
Usando uma corrente amarrada
Ao objeto e um trator.
O trator patinou,
Resvalou para trás
E quase caiu na água,
Mas, teve forças suficientes
E puxou o objeto.
Retirado nas margens,
Viram que o objeto
Parecia uma caixa,
Ou uma espécie de caixão
Pontiagudo.
Todos se alarmaram,
Será que se tratava de
Um extraterrestre?
Com muito cuidado,
Uma equipe de médicos
Começou analisar
Com estetoscópio o redor
Do objeto para ver
Se se tratava de uma máquina
De viajar no espaço
Ou no tempo.
Parecia de ferro,
Porém, na primeira limpeza
Viu-se que era feita
Do mais puro ouro,
Foram necessários muitos
Baldes de água
Puxados do rio
E muito sabão e esponja
Para ver que realmente
Era ouro puro.
Aberto o champanhe
Para comemorar,
E acendido uma fogueira
Para fazer um churrasco,
A turma composta
Por 4 médicos e a esposa de um
E também uma secretária,
Reiniciou o processo.
Vendo que havia uma espécie
De abertura,
Foi usado um pé de cabra
E aberto o objeto,
Dentro havia outro objeto
Do mesmo molde,
Contudo de pedra preciosa,
E dentro da pedra havia um homem.
Quem se preocuparia
Em lapidar uma pedra
Para por um homem dentro?
Seria este homem uma maldição?
Ou seria um terrível criminoso
Que recebeu está pena pública?
Bem, depois de comer o churrasco,
Foi decidido deixar o objeto
Em exposição na praça pública,
Pois viu-se óbvio se tratar
De um ladrão,
Afinal ele estava trajado
No mais puro ouro
E adornado por estranhos
Objetos de pedras preciosas.
Na luz do sol,
Aquele diamante brilhava tanto
Que doía os olhares
Dos passantes,
Logo, a curiosidade da cidade
Despertou e eles passaram
A chegar perto da espécie de sepulcro.
No primeiro instante,
Um grupo ateou fogo
No sepulcro,
E a pedra suou como se chorasse,
No segundo picharam
O rosto do indivíduo
Que tinha uma coroa na cabeça
E eles desenharam cabelos
No lugar,
E um sorriso aberto
Cheio de dentes amarelos.
Tomara pela tristeza,
A esposa do doutor Roultin
Decidiu abrir o sepulcro,
E o objeto foi posto no
Chão da praça
E então aberto com
Um facão e um pé de cabra.
De repente,
Ficou mais nítida
A criatura lá de dentro
E o homem parecia estranhamente vivo.
A moça insegura por sua atitude,
Debruçou-se sobre o caixão,
E apertando seu peito,
Fez respiração boca a boca,
E assim que olhou
Para o rosto da múmia,
Ela abriu os braços
E suas ataduras foram se rasgando
E o homem estava vivo!
A data do sepulcro dizia
Se tratar de 4 mil anos,
Isto era impossível,
Havia a data de nascimento
E de morte,
Ele contava com setecentos
Anos de idade ao desfalecer,
Otramentiron,
Era rei naquelas terras do Nilo.
Irredutível, a esposa
Do doutor Roultin
O levou para casa
E também sua sepultura,
Que valia muito dinheiro.
A família deste rei,
Havia há muito falecido,
E o rio,
Numa cheia encheu tanto
Que suas margens carregaram
Desde o castelo
Até os sepulcros do cemitério,
Restando ele,
Solitário e abandonado
Naquele local.
Foram feitas buscas
E nenhum registro de
Sua família foi encontrado,
Era como se ele fosse
Uma mentira,
Ou uma miragem,
De tão lindo,
Parecia que se fechasse
Os olhos ele desapareceria,
Porém, ele era real,
Falava e vivia normalmente.
Só lhe faltou
Há 4 mil anos o ar,
E agora, aberto seu jazigo,
Também recebeu ar,
Reviveu,
Tem nova chance
De viver tudo que perdeu.
Não é mais rei
Nestas terras desconhecidas,
Ele foi levado ao Paraguai
Pelo doutor que o encontrou,
Seu reino foi levado
Pela água
E o destino o guiou
Para ainda mais distante.

Destino à ROCAM