terça-feira, 30 de junho de 2026

Virgem com V de Viado

De garoto arredio 

A predador enigmático

Foi questão de um rosto

No canto da porta

E um cheiro,

Doce e aterrador.


De imediato deixei a dúvida

Para trás

E me enterrei nesta garota.

Eu, realmente, abandonei

Tudo que fui e acreditei

Para ser dela,

Unicamente seu.


Não restou vestígios

Ou fragmentos da vida passada,

Aquele rapaz quieto

E virgem ficou de canto,

E um novo homem 

Independente e predador

Surgiu em minhas veias

E me dominou.


Cada pulsar desta garota

Me envolvia feito um soco,

E de socos eu entendia,

Foi de perder os dentes,

Jorrar sangue,

Não ver mais nada adiante

Exceto ela,

Unicamente ela.


A corrente de ar

Me pegou desprevenido,

Trouxe seu perfume,

Um toque de calor,

E quando a olhei de relance,

Lá estava seu lindo sorriso.


E se tudo sumisse?

E se não houvesse mais nada?

Ah, queria tê-la descoberto antes,

Queria tê-la imaginado

E partido em sua busca,

Aonde estaria?

Ah, a imagem dela com outro

Me pegou desprevenido,

Foi como um soco 

No estomago,

Me faltou o ar,

Me causou nojo,

Levantei para ir vomitar,

Mas, em pé bem ao meu lado

E ao meu alcance

Ela parou e me fez chocar

Com ela.


A peguei pelos braços

E a vi, 

Tão perto e linda,

Sorri,

E o enjoo passou do nada,

A mantive e me senti amedrontado,

Aquele homem que me tornei

Não a abandonaria por nada.


Seu calor, 

Tão perto,

Seu cheiro,

Tão em meu peito,

Sua pulsação gritava

Como se tivesse vida

Fora dela.


Não haveria violência

Maior do que a intensidade

Do amor que me vi sentir,

Em uma sala cheia de testemunhas,

Me vi a fazer sinal

Ao lado da perna direita

Como se lhe pedisse:

Que há em você

Que não me vê?

Estou aqui tão perto de você

E você teima em me evitar?


Ela olhou para o lado oposto,

Não sentiu nojo,

Eu não creria nisso,

Era homem mais velho,

Bem sucedido, seu chefe

E predador.


Depois ela tornou a me olhar,

Eu fiz o gesto com a mão aberta

Próximo a perna

Com os dedos separados:

"Você não toca para mim?"

Ela sorriu enigmática,

E fez cara de surpresa.


Eu o virgem,

Major, loiro dos olhos azuis,

O grande Baldo,

Não levaria um fora

De uma soldado...

Contudo, ela era noiva,

E eu virgem...


Como me aproximar

Seu causar pânico

Ou ser ilegal?

Ela, de pressa, me convidou

Para entrar na viatura...

O que ela queria ali tão as escondidas?

Ora, eu o grande homem

Queria ser notado,

Eu era o avassalador...

O grande Baldo.


Um Coronel passou logo

Que ela estava lá dentro,

Eu já me via sentado

No banco com ela no colo,

Seria único e inimaginável,

Mas, ilícito ele gritou

E eu compreendi:

"transar no 2 Batalhão

De Polícia Militar era ilícito,

E eu estava em meu momento

De trabalho".


Ok, decidi aguardar um pouco,

Mas, eu que a tinha tão perto

Quente e pulsante,

Agora não tinha mais que ela

Lá naquele carro,

Tão a vista de todos,

Próximo demais das câmeras

De monitoramento.


Mas, virgem até os 30 anos,

Eu não merecia perder

Minha grande oportunidade

Irrefutável de ser daquela soldado,

Ela era eficiente,

Eu vi seus dedos,

Saberiam tocar-me,

Ela me sorria,

Eu vi suas língua,

Ela atuaria em mim,

E eu me tornaria o grande Baldo,

Homem, seguro e dela.


Não me importou o noivo,

Só me importava vê-la,

Tê-la, ela não seria de outro...

Eu dei um tempo,

Suspirei em minha farda

De oficial de polícia militar,

Chefe e seguro de mim.


Logo, a vi 

Com todos os soldados

Que foi possível,

Me envergonhei,

Ela passou a entrar no Batalhão

Para iniciar o serviço

De carro com o noivo dirigindo.


Ora, quem ela era?

Eu, loiro, chefe e virgem

A dei a chance de ser minha esposa,

Ela seria só minha,

Veja, eu o Tiago Baldo,

O grande homem que sou...


Como ela ousou desprezar-me?

Busquei no celular a mensagem

E nem ao menos ela tomou

A decência de masturbar-se

Para meu contento.

Não bastou e a vi com outros,

Tantos outros,

Guardei o pranto e me afastei.


Eu não mereci a rejeição

Que ganhei,

Será que ela não viu

Que entre todas do Batalhão

Eu a escolhi para mim,

Ou pensou que escolho todas

E sou rejeitado...


Que terrível,

Sou virgem por escolha

E decência,

Sempre quis para eu a melhor,

E a vi e mexeu comigo,

Ela não é só uma soldado?

Então, por que não reconhece

Que sou seu chefe e oficial?


Lá de cima,

Do segundo andar do Batalhão,

Sorriu o também Major Mário,

E depois acenou para ela,

Ele era desinibido,

Saiu com ela tanto tempo antes,

E ela guardava-se para ele,

Parece que ele acertou seu tipo,

Nunca fui eu,

O virgem nada irresistível.


Maldito o instante em que

A deixei esperar naquela viatura,

Tão minha soldado,

Maldito,

Me vejo no espelho

E me sinto um viado.


Mas, ver as soldados correndo

Ao redor da área verde do Batalhão

Me contenta, 

Por ora,

Com suas vestes apertadas,

Coladas ao corpo suado

E transparentes a verter vontade,

Ah, sei que vertem,

Eu sou o grande oficial,

Inteligente e bem remunerado.


Bati palmas,

Intransigente,

Quis marcar presença,

Um soldado parou

E olhou para trás,

Então a esperou

Para abraça-la nos ombros.


- " Olá, Baldo.

Você, além de viado,

Não tem vergonha 

Na sua cara?"

Me indagou a advogada

Aline, no instante em que

Entrou na área e me viu

Em pé naquela cena irrisória.


Me assustei e olhei-a,

"É jamais estaria ao alcance".

Não parece,

Mas, um homem que nunca

Teve uma ereção sexual

Também não sabe distinguir classe,

Conteúdo e valor num corpo feminino,

Muito menos saberia 

Reconhecer uma mulher...


Eu errei,

Fui direto naquela

Onde eu exercia poder

Sendo seu chefe,

Errei, a Aline estava ali

Tão próxima com seu ofício

Pedindo ajuda para solucionar

Uma casuídica jurídica pessoal,

E eu sendo um grande viado

Na frente de todo o pessoal

Sem notar.


Mas, ela tem 37 anos, 

Não anda seminua 

Nem está,

Olhei para ela e pedi

Se ela teria coragem

De se rebaixar e tocar-me,

Seus olhos brilharam chorosos,

Então, ela foi para Mário.

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