De garoto arredio
A predador enigmático
Foi questão de um rosto
No canto da porta
E um cheiro,
Doce e aterrador.
De imediato deixei a dúvida
Para trás
E me enterrei nesta garota.
Eu, realmente, abandonei
Tudo que fui e acreditei
Para ser dela,
Unicamente seu.
Não restou vestígios
Ou fragmentos da vida passada,
Aquele rapaz quieto
E virgem ficou de canto,
E um novo homem
Independente e predador
Surgiu em minhas veias
E me dominou.
Cada pulsar desta garota
Me envolvia feito um soco,
E de socos eu entendia,
Foi de perder os dentes,
Jorrar sangue,
Não ver mais nada adiante
Exceto ela,
Unicamente ela.
A corrente de ar
Me pegou desprevenido,
Trouxe seu perfume,
Um toque de calor,
E quando a olhei de relance,
Lá estava seu lindo sorriso.
E se tudo sumisse?
E se não houvesse mais nada?
Ah, queria tê-la descoberto antes,
Queria tê-la imaginado
E partido em sua busca,
Aonde estaria?
Ah, a imagem dela com outro
Me pegou desprevenido,
Foi como um soco
No estomago,
Me faltou o ar,
Me causou nojo,
Levantei para ir vomitar,
Mas, em pé bem ao meu lado
E ao meu alcance
Ela parou e me fez chocar
Com ela.
A peguei pelos braços
E a vi,
Tão perto e linda,
Sorri,
E o enjoo passou do nada,
A mantive e me senti amedrontado,
Aquele homem que me tornei
Não a abandonaria por nada.
Seu calor,
Tão perto,
Seu cheiro,
Tão em meu peito,
Sua pulsação gritava
Como se tivesse vida
Fora dela.
Não haveria violência
Maior do que a intensidade
Do amor que me vi sentir,
Em uma sala cheia de testemunhas,
Me vi a fazer sinal
Ao lado da perna direita
Como se lhe pedisse:
Que há em você
Que não me vê?
Estou aqui tão perto de você
E você teima em me evitar?
Ela olhou para o lado oposto,
Não sentiu nojo,
Eu não creria nisso,
Era homem mais velho,
Bem sucedido, seu chefe
E predador.
Depois ela tornou a me olhar,
Eu fiz o gesto com a mão aberta
Próximo a perna
Com os dedos separados:
"Você não toca para mim?"
Ela sorriu enigmática,
E fez cara de surpresa.
Eu o virgem,
Major, loiro dos olhos azuis,
O grande Baldo,
Não levaria um fora
De uma soldado...
Contudo, ela era noiva,
E eu virgem...
Como me aproximar
Seu causar pânico
Ou ser ilegal?
Ela, de pressa, me convidou
Para entrar na viatura...
O que ela queria ali tão as escondidas?
Ora, eu o grande homem
Queria ser notado,
Eu era o avassalador...
O grande Baldo.
Um Coronel passou logo
Que ela estava lá dentro,
Eu já me via sentado
No banco com ela no colo,
Seria único e inimaginável,
Mas, ilícito ele gritou
E eu compreendi:
"transar no 2 Batalhão
De Polícia Militar era ilícito,
E eu estava em meu momento
De trabalho".
Ok, decidi aguardar um pouco,
Mas, eu que a tinha tão perto
Quente e pulsante,
Agora não tinha mais que ela
Lá naquele carro,
Tão a vista de todos,
Próximo demais das câmeras
De monitoramento.
Mas, virgem até os 30 anos,
Eu não merecia perder
Minha grande oportunidade
Irrefutável de ser daquela soldado,
Ela era eficiente,
Eu vi seus dedos,
Saberiam tocar-me,
Ela me sorria,
Eu vi suas língua,
Ela atuaria em mim,
E eu me tornaria o grande Baldo,
Homem, seguro e dela.
Não me importou o noivo,
Só me importava vê-la,
Tê-la, ela não seria de outro...
Eu dei um tempo,
Suspirei em minha farda
De oficial de polícia militar,
Chefe e seguro de mim.
Logo, a vi
Com todos os soldados
Que foi possível,
Me envergonhei,
Ela passou a entrar no Batalhão
Para iniciar o serviço
De carro com o noivo dirigindo.
Ora, quem ela era?
Eu, loiro, chefe e virgem
A dei a chance de ser minha esposa,
Ela seria só minha,
Veja, eu o Tiago Baldo,
O grande homem que sou...
Como ela ousou desprezar-me?
Busquei no celular a mensagem
E nem ao menos ela tomou
A decência de masturbar-se
Para meu contento.
Não bastou e a vi com outros,
Tantos outros,
Guardei o pranto e me afastei.
Eu não mereci a rejeição
Que ganhei,
Será que ela não viu
Que entre todas do Batalhão
Eu a escolhi para mim,
Ou pensou que escolho todas
E sou rejeitado...
Que terrível,
Sou virgem por escolha
E decência,
Sempre quis para eu a melhor,
E a vi e mexeu comigo,
Ela não é só uma soldado?
Então, por que não reconhece
Que sou seu chefe e oficial?
Lá de cima,
Do segundo andar do Batalhão,
Sorriu o também Major Mário,
E depois acenou para ela,
Ele era desinibido,
Saiu com ela tanto tempo antes,
E ela guardava-se para ele,
Parece que ele acertou seu tipo,
Nunca fui eu,
O virgem nada irresistível.
Maldito o instante em que
A deixei esperar naquela viatura,
Tão minha soldado,
Maldito,
Me vejo no espelho
E me sinto um viado.
Mas, ver as soldados correndo
Ao redor da área verde do Batalhão
Me contenta,
Por ora,
Com suas vestes apertadas,
Coladas ao corpo suado
E transparentes a verter vontade,
Ah, sei que vertem,
Eu sou o grande oficial,
Inteligente e bem remunerado.
Bati palmas,
Intransigente,
Quis marcar presença,
Um soldado parou
E olhou para trás,
Então a esperou
Para abraça-la nos ombros.
- " Olá, Baldo.
Você, além de viado,
Não tem vergonha
Na sua cara?"
Me indagou a advogada
Aline, no instante em que
Entrou na área e me viu
Em pé naquela cena irrisória.
Me assustei e olhei-a,
"É jamais estaria ao alcance".
Não parece,
Mas, um homem que nunca
Teve uma ereção sexual
Também não sabe distinguir classe,
Conteúdo e valor num corpo feminino,
Muito menos saberia
Reconhecer uma mulher...
Eu errei,
Fui direto naquela
Onde eu exercia poder
Sendo seu chefe,
Errei, a Aline estava ali
Tão próxima com seu ofício
Pedindo ajuda para solucionar
Uma casuídica jurídica pessoal,
E eu sendo um grande viado
Na frente de todo o pessoal
Sem notar.
Mas, ela tem 37 anos,
Não anda seminua
Nem está,
Olhei para ela e pedi
Se ela teria coragem
De se rebaixar e tocar-me,
Seus olhos brilharam chorosos,
Então, ela foi para Mário.
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