segunda-feira, 29 de junho de 2026

No Dundo da Sua Mente

Eu nunca fiz esforço

Para saber a mente

Sem virar o pescoço

Daquele que mente.

A mentira eu conheço

De letra

E esforço,

Não adianta

Pagar o preço.


Eu gosto de pessoas

Que não se importam

De eu olhar para elas

E ver seu obscuro,

Buscar lá no fundo,

Pois lá dentro

No mais profundo

Não há o que esconder,

E não teme me dizer

Nem o que eu possa ver.


Sofrendo,

Hoje, porém,

Ver a mente me fez sofrer,

O garoto que eu gosto

Tem uma mente fechada

Na qual me esforço

Desde a entrada.


Ele é como um lago

De vidro transparente,

Onde eu entro,

Habito e não há outro alguém,

No entanto,

Penetrar um vidro

Sem me ferir 

É que me causa espanto,

Outra não faz assim,

E mil homens não valem a sua mente,

Nem o que ela me diz,

O que o faz permitir?

Amor ele repete

Sem cansaço ou esforço,

Singelo e com apreço,

Está lá escrito e pronto.


Não me sinto culpada

Por conhecer sua mente,

Ela é pura e cristalina,

Como uma rosa que sente,

Ignora os espinhos

E floresce,

Ele nunca me vê ofender

Ou ser má pessoa,

Há sempre uma desculpa

Para as minhas prioridades

E eu penso poxa:

Que há neste amor

Para ser tão de verdade?!


Já outros odeiam meu olhar,

Rejeitam o que posso ver,

Tudo que há lá dentro

Não reflete lá fora,

É escondido, vazio

E pernicioso,

Me chamam de intrometida

E eu digo: 

Cadê meu esposo?


Nele me sinto segura,

Eu o olho e o vejo,

Não há mentiras,

Sigilo ou mesquinharia.

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