quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Destinos Laçados II

Encontrado os dois quadros antigos
Da família Williams,
Cathuca decidiu retira-los
Do quarto,
Pensando na mansão enorme
Onde residia,
Decidiu reconhecer alguns
Dos outros cômodos
E encontrar um local
Mais apropriado para eles,
Onde o ouro da moldura,
E as preciosidades deles
Fossem ressaltados.
Ela abandonou seu primeiro nome
Com o enterro do esposo,
Lhe doeu em demasia
Ter de deixá-lo dentro daquele
Espaço escuro e tão pequeno,
Que agora,
Com o primeiro frio molhava
E o congelava de pouco a pouco,
A terra em volta do túmulo
Onde diariamente ela se ajoelhava
Para falar com ele
Estava congelada,
Era como se cubos de gelo
Tivessem sido diluídos ali,
Seu corpo adormecia de frio,
Logo, ela precisava fugir
O mais depressa possível
Da brisa que afogueava seu rosto,
Para depois lhe congelar
Os lábios e a própria fala,
Incapaz de dizer mais nada
E não querendo usar voz baixa,
Ela retornava a própria casa.
Moroquenn era bondoso
Em levá-la,
Deixa-la a sós com o esposo,
E voltar buscá-la,
Ele nunca ficava longe demais
E sabia respeitar seu tempo
Com o esposo.
Ele foi melhor amigo
De ambos em vida do esposo,
Agora estava sendo seu ombro amigo,
Um acalento para seu coração aflito,
Sua filha já respondia a sua voz,
Se mexia para a direção dele,
Ela tinha certeza disso,
Sua barriga lhe mostrava,
E o sorriso que surgia contava.
Logo a menina nasceria,
Conforme os quadros de sua família,
Ela já havia tido um nome
A alguns séculos,
E aquele nome lhe soou familiar,
Ela pensava em mantê-lo,
Ao menos teve certeza dos
Próprios nomes ao olhar
Para cada rosto.
Não era casualidade os quadros,
Era destino.
Caminhando por entre os cômodos,
Chegou no doze quarto
E abriu a porta por instinto,
Ela sentiu que ali
Havia uma história sua
Que viveu há tantos séculos,
Mas que manteve-se viva
E precisava ser buscada.
Ao abrir a porta,
A emoção do que viu
Foi tão intensa
Que desmaiou.
Horas mais tarde acordou,
O quarto era inteiramente
Enfeitado para crianças,
Mais específico,
Para uma menina.
Havia bonecos feitos
Em tecidos do tamanho
De um ser humano real,
Com seu próprio rosto,
O do esposo e de um bebê.
No transcorrer do tempo,
Este bebê cresceu,
E tinha suas mudanças
Em novas bonecas
Absurdamente idênticas
A menina do quadro.
Cathuca pôde se ver
Vestida a moda de trezentos anos
Passados, usando joias
E vestidos longos de anágua.
Num lapso de memória
Se viu beijando o esposo,
O viu com a neném no colo,
Eleonora ele a chamou,
Ela o ouviu dizendo o nome da filha,
Depois retornou ao dia em que estava,
Perdeu a imagem da filha,
Do esposo,
Olhou para a janela,
E lembrou que agora
Ele estava enterrado.
De ímpeto,
Ela foi até a penteadeira
Da menina e encontrou jóias
Antigas ali guardadas,
Viu roupas de bebê antiga,
Ursos de pelúcia,
Flores desenhadas em algodão,
E tecido.
Como se fossem vivas,
A ideia de perder o esposo
De tantos séculos de amor devoto
Lhe foi tão cruel
Que sentou-se no chão
Com um colar de pedras preciosas
Em mãos e chorou.
Quando ergueu o rosto
E limpou as lágrimas,
Todo o colorido dos bonecos sumiu,
O quarto perdeu o papel de parede
De flores que tinha,
Se rasgava até a parede se corroer,
As roupas se desmancharam
Ao toque de suas mãos.
Isto a assustou demais,
Havia uma cama lá,
Com lençóis e cobertor,
Ela deitou sobre ela
E ficou estagnada
Olhando o teto,
Sentindo que havia algo
Terrível no ar
Que lhe dava os sonhos
Mais perfeitos apenas
Para sentir o prazer de retira-los.
Ficou lá por muito tempo,
Sentindo cheiro de choro,
Cheiro de felicidade,
Era como se pudesse ouvir
Os risos de sua família feliz
E unida.
Então, Maroquenn a encontrou,
Em prantos a retirou daquele
Quarto e a levou para o seu próprio,
Desolada, ela o abraçou
Entregando a ele um beijo...
- ah, então acabou a leitura?
Cathuca indagou.
Estava agora com setenta anos
De idade.
- sim, meu amor.
Lhe respondeu Maroquenn
Aos setenta e cinco.
- Eu não vi erros.
Ela falou com os olhos tristes.
- nem eu, meu amor.
Mas foi bom você escrever
Cada dia de nossas vidas
Em um diário para que existindo
Nova história outro alguém
O possa ler e evitar que erros
Sejam cometidos.
Ele disse,
Beijando sua testa.
- então, vamos deixar o diário
Sobre a cômoda do quarto de Eleonora,
Em frente aos quadros antigos.
Ele respondeu,
Levando o diário até a cômoda.
- sim. Trancaremos também a porta.
Cathuca falou,
Levantou-se da cama infantil,
E saiu com a chave em mãos
Para o corredor
Acompanhada de Maroquenn.

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Destino Laçados

Cassie chegou tarde
Ao velório,
Vestida de negro,
Retornou a velha morada,
Ver o esposo,
Então, morto.
O encontrou dentro de um caixão,
Guardou suas lágrimas,
Estava grávida,
Precisava poupar-se,
Então, o marido foi antes,
Desfaleceu e fez novo caminho,
Agora ele lhe guardaria,
Cuidaria os portões do céu,
A espera-la,
Assim esperava ela,
E assim permaneceria:
A sua espera.
Ela não sabia se estava
Porvir um menino
Ou uma menina,
Mas, era seu primeiro filho,
O sonho a consumar-se
Na família.
O velório duraria três dias,
Seria aberto ao público
No amanhecer,
Por vinte e quatro horas
Os moradores locais
Estavam convidados a despedir-se.
Há dois meses,
Ela partiu para a cidade,
Deu a ele um beijo na testa
De despedida,
E apertou sua mão com força,
Agora, a sua força diminuiu
Consideravelmente,
Ele estava gelado,
De olhos fechados,
Lábios cerrados.
Não haveria outro abraço quente,
Um novo olhar de vai bem,
Uma nova promessa de amor,
Ou mesmo o casual eu te amo.
Nem mesmo um abraço.
Nem adeus.
Aberto o funeral,
Ela cansou de chorar,
Ouviu ruídos estranhos
A noite,
Sem ele para protege-la
Tudo ficou mais difícil,
Mas, optou por ser forte,
Pegou uma vela e seguiu
O ruído assustador
Que não cansava de arranhar
E fazer barulhos estranhos.
Chegou próxima,
Cada vez mais perto
E percebeu que vinham
Do sótão,
Pegou uma escada,
Soltou embaixo do alçapão
E subiu até lá.
Iluminado pela vela
Ela viu seis pares de olhos brilhantes,
Que mais pareciam com pontos
De luz móveis,
E lá estava o barulho.
Ela perdeu o equilíbrio
Mas conseguiu manter-se em pé,
E protegeu-se de sofrer uma queda,
Arfou o peito,
Lembrou de ser forte
E subiu mais perto.
Estendeu o corpo para a frente
E repousou inúmeras velas acesas
Com a luz da anterior,
Então, viu o que era,
Se tratava de um ninho de gatos
Pretinhos de olhos verdes,
Não via-se nada deles no escuro,
Contudo no claro
Eram os mais perfeitos animaizinhos,
Eles estavam escondidos
Amedrontados.
Sorrindo,
Ela decidiu lhes dar carinho,
Subiu até lá
Para ampara-los,
Com os gatinhos em mãos,
Abraçados a ela,
Ela tropeçou em dois quadros
Enormes que caíram no soalho,
Mas, não quebraram.
Lá estava a fotografia do esposo,
Em tamanho real,
Mas pintada em tela,
Ao lado da dele encontrava-se
Uma dela própria,
E em frente havia outra
Que parecia ser de uma criança.
Ela pegou os quadros
E levou para baixo,
Então, pendurou na parede
Do quarto,
Olhando com mais atenção
Viu que havia assinatura e datas,
Contudo, era datado de trezentos anos passados,
Ela assustou-se,
Com as mãos trêmulas
Abriu o quadro menor,
E lá havia uma menina.
Ela estava grávida de Rubens
Há trezentos anos atrás,
Nunca pode fazer um retrato
Ao seu lado,
Porém , ela teve uma menina,
E mexendo o quadro menor,
Ela viu uma espécie
De vestido ao lado dela,
Então, ela percebeu que poderia
Abri-lo até torná-lo maior,
Ao fazer isto,
Se viu ao lado da filha.
Todavia, com roupas antigas,
Data extremamente longínqua,
Mas, o rosto do esposo
Era idêntico e o seu também.
A filha tinha os traços dele
Nítidos em seu semblante,
O sorriso dela,
E olhava com determinação
Para aquele que pintava o quadro,
Ela sobressaltou-se,
Lembrou de Geraldo,
O amigo íntimo da família
Que cuidava do velório,
Seu coração se acalmou,
Não estaria sozinha
A espera do tempo passar,
Tinha um amigo, também,
De longa data.
Sua mão ficou gelada instintivamente,
A criança mexeu-se dentro dela,
Faltavam poucos meses
Para o nascimento,
Parecia uma premonição,
O destino que tornava
A separa-los também os união
Por vidas e séculos.

domingo, 10 de agosto de 2025

Vida Em Rimas

De repertório sobre a mesa,
Ela decidiu-se por outro trabalho,
Reativou a carroça do pai,
Amansou os bois,
E pôs-se a lavrar a terra.
Não tinha mais que trinta anos,
Seu pai contava com sessenta,
Enxergava pouco,
Sofria de dores causadas
Pelo esforço do labor rural.
Suas dores quase
O impediam de andar,
Narinta se viu divorciada,
Desde que casou-se
Nunca deixou de sonhar
Com sua carteira artística:
Escrever músicas,
Contar histórias escritas,
Ser famosa,
Alcançar as grandes capas de revista,
Ser convidada a fazer televisão.
Seus sonhos não lhe custaram pouco,
O esposo optou por outra,
Nunca se conectaram para ter um filho
E a ruptura matrimonial
Que ocorreu dez anos
Após o início
Foi natural.
A vida lhe cobrou os sonhos
Que desejou,
Mesmo nunca tendo construído feitos,
Tudo que conseguiu foi
Fazer uma página na internet
E lá expor toda a sua vida,
Em rimas, em versos
Em provas frias.
Agora, o pai estava incapacitado
Para o trabalho,
Não tinha de onde tirar sustento,
Foi obrigada a deixar o lar,
Desgastado e solitário
Para voltar ao lugar onde nasceu.
Puxou as cordas dos bois,
Os fez parar na sombra
De uma bergamoteira
Para se refrescar,
Plantou batatas o resto da tarde,
Colheu mandioca próximo
A noite.
Esforçou-se o bastante
Para conseguir comida,
Agora não morreriam de fome,
Ela ou o pai,
Ambos estavam salvos.
Contudo, chegou o vizinho
Com uma caminhonete dupla da
E o som ligado,
Lá ela ouviu sua rima,
Não liberada e não vendida,
Simplesmente, cantada
Por cantores famosos no país.
Seu primeiro ímpeto,
Foi sentar sobre a sua escada,
Pegar a escova que estava
Ao lado e por-se a limpar,
Sem água ou sabão,
Ali quebrou uma unha
E feriu um dedo.
De repente, após um lapso
De tempo todas as rádios
Nacionais tocavam suas rimas
Através de algum artista famoso,
Ela tirou leite,
Fez o queijo,
Colheu ovos,
Fez o jantar,
Logo após a meia noite,
Uma rádio começou a divulgar
Que a buscavam,
Deram seu nome completo,
Queriam que ela atualizasse
O contato no site
Para que eles pudessem falar
Com ela e conversar
Sobre seus direitos de escritora.
Ela correu até a cozinha,
Abraçou o pai que estava
Sentado em frente ao fogão
A lenha,
Ali, no interior onde estavam
Não havia internet,
Ou meio de acesso,
Mas, sem delongas,
O pai mesmo sendo velho
E doente,
Correu para o quarto
Colocou casaco e calça
De frio,
Pegou as chaves do carro,
E a conduziu através da neblina
Gelada de agosto de geada,
Para até onde pegassem sinal
De internet e ela pudesse
Atualizar número de telefone,
E outros meios de acesso.
Fundo isto,
Dentro do carro parado,
Em meio a noite escura e gelada,
Ela abraçou o pai
Que compartilhava de seu sonho
E acreditava nela,
Voltaram para casa
Com o coração aos saltos,
Agora, era só aguardar contato,
Então, dentro de algumas horas
Eles retornariam até aquele local
Para ter sinal de telefone
E ver as mensagens recebidas
Para então, responder.
Rica.
Inteligente e rica,
Bem estruturada,
Tudo em sua vida iria melhorar,
Desde a casa velha de madeira
Apodrecida,
Que nas primeiras chuvas
Já pendeu para cair,
O telhado esburacado,
O banheiro que cedia
Para a fossa,
A caixa de água muito pequena
Que mal recebia água
Para abastecer a família,
O carro sem pneu,
Com pouco combustível,
Em mal estado da velhice,
Tudo,
Tudo seria substituído
Por casa nova,
Carro novo,
Dinheiro no bolso,
E finalmente, a felicidade
De seu pai que tanto escasseou
A comida para poder alimenta-la,
Tanto trabalhou que agora,
Velho, se rendia a idade,
Tudo seria facilitado,
Porquê um dia seu pai disse:
“filha, eu não sei ler
Uma única palavra,
Você pode aprender,
Mas, se esforçar tanto,
Que você possa me ajudar
Com seus estudos?”
Ela naquele dia
Apenas lhe sorriu,
Hoje seu intelecto os garantiu.

sábado, 9 de agosto de 2025

Assassina

“Tome,
Tentei escrever.
Diga o que houve”.
Ela ficou sentada
Na mesa da escrivaninha
Vendo o papel em branco
Que o doutor lhe alcançou,
E junto a ele:
Um lápis com uma borracha
Na ponta.
Sua mente estava em branco,
Ela gostaria de voltar
Ao passado,
Ser forte o bastante
Para reviver o que houve
E falar sobre isso
Com clareza,
Se defender,
Ter mais cautela,
Não sentir medo.
Já estava quase
Na hora de tomar
Seu remédio,
Agora, dormia porquê
Era dopada,
Acordava quando era chamada,
Respondia aos estímulos,
Vivia feito um corpo
A esmo com pouca vida.
“Assassina”,
Ela ouviu bem a palavra
Com a qual a designaram,
“assassina”,
Ela permaneceu calada,
Não soube o que dizer,
Há algum tempo
A voz lhe fugiu,
Levou lágrimas,
Dor e remorso.
Agora estava presa
Num cômodo de algum lugar,
Tão branco e de azulejo pegajoso,
Era como se ela visse
O doutor ali dentro,
Como se ele fosse parte
Do lugar,
De repente seu rosto
Cresceu tanto
Que já não se distinguia
Da parede,
Seus olhos estavam ali dentro
Por mais que ele não
Aparentasse estar,
Ela podia sentir a vigília eterna,
Ver o peso de seu olhar
Sobre ela,
Em busca de melhoria,
Em busca de sua fala,
A lembrança que guardava
De determinado dia,
Seus remédios pingados
Lhe buscavam este efeito.
Ela era impedida de sair
Até a sala comunitária,
Mas, podia ouvir as vozes
Sussurrantes por trás
Das portas:
“Assassina”
 Lhes diziam,
As rachaduras da parede
Lhes traziam as falas:
“assassina”.
Por entre as falas
Vinha o doutor,
Com seus olhos sérios
E acusatórios.
Os enfermeiros não
Lhe definiram outro nome:
“assassina”.
As paredes tão vivas,
Mesmo em seu silêncio
Lhe traziam o termo:
“assassina”.
Ela tentava dormir,
Buscar paz em algum lugar,
Se recompor
Para se sentir segura,
Mas, no fundo da sua alma
Algo latejava e lhe dizia:
“assassina”.
Mas, sua mão de recusava
A rascunhar ou definir palavra,
E o termo partia para longe,
Escondido e omisso
Por entre as rachaduras
Da parede tão idênticas
A face do doutor,
Com seus olhos vívidos
E brilhantes apontados
Para ela,
Como se pichassem o termo
“Assassina”.
Aquele rosto pálido
De mente atenta,
Em busca do dia perdido,
Da palavra pronunciada
Em baixa voz,
Mas, que ela não se atrevia
A assimilar
“assassina”.

Estrada Mal Assombrada

Um fazendeiro cruzava
Uma floresta rumo a feira,
Ele tinha intenção de fazer
Negócios,
Gerir sua propriedade.
No caminho,
Um homem saiu do nada
Parou na estrada
E bateu com a palma
Da mão aberta sobre a perna
Da égua
Que o fazendeiro cavalgava.
- bom dia,
Lindo animal,
Desejo comprar.
O fazendeiro assustado
Apenas pensou que não feira
Conseguiria um valor maior
Pelo animal e decidiu
Não ceder enquanto não
Ouvisse todas as propostas.
- me faça uma proposta!
Ele pediu,
Sabendo que nenhuma
O satisfaria.
O homem fez,
Ele se recusou:
- irei até a feira
Se não houver proposta maior
Eu retorno e a vendo.
- está certo.
Concordou o fazendeiro.
E fez sinal para a égua seguir.
Alguns passos para frente
O fazendeiro olhou para trás
E não viu ninguém,
De onde o homem tenha saído,
Da mesma forma sorrateira
Ele retornou.
Haviam árvores lá atrás
E folhas secas,
E sinais nenhum da presença
De alguém,
Ciente de si próprio
E corajoso o fazendeiro seguiu.
Adiante, o homem ressurgiu,
Desceu de dentro das árvores,
Chegou até a égua
E ela estacou,
Ficou empacada com o olhar
Assustado.
O homem chegou e lhe segurou
As rédeas:
- sinto como se fosse minha.
O homem disse,
O fazendeiro ficou mais sério,
E chacoalhou a rédea
Em sinal para a égua seguir:
-ela é bem ensinada,
Chegará até a feira.
Ele respondeu.
-Sei disso.
O homem falou,
Deu dois tapas na cocha
Da égua e ela seguiu
Com a crina esvoaçante.
Mas o caminho circundado
Pela floresta era grande,
Ele temia não chegar ao fim,
Parecia ver o rosto do homem
A frente onde havia mais luz,
E parecia não ter árvores.
Olhou ao seu redor,
Avistou uma grande rocha,
Ela parecia muito humana,
Feito olhos a cuida-lo,
De repente se desfez
Para ficar maior,
Se tornou um rosto
Um enorme rosto,
Feito o daquele homem
Que não desviava dele
Um único segundo.
Tinha a sua cor,
Quase a sua forma,
Era humana demais
Para ser simples rocha,
O chacoalhar das árvores
Denunciavam sua presença,
Mas a ausência de pegadas
Dificultava encontrá-lo,
Era como se houvesse um feitiço
Ali naquela estrada,
De repente,
A égua parou de caminhar,
Mas, não havia ninguém,
De repente, a égua flutuou,
O fazendeiro já não via o chão,
Ao tentar apear da égua
Percebeu que estavam presos
Numa rede e está rede
Foi puxada para cima,
Muito para o alto,
E mantinha os dois presos,
Ao buscar o tronco da árvore
Encontrou o homem ali encostado,
Ele tinha uma faca em sua mão,
Ele estava de costas
Encostado no tronco,
A árvore e ele pareciam
Um único ser.
-eu posso vender.
O fazendeiro respondeu.
- e eu posso ajudá-lo.
Revidou o homem
Seguro de si.
- faça a proposta.
Disse o fazendeiro.
- eu tenho este relógio
Em meu pulso.
O homem disse.
- falta apenas trocar a pilha.
O fazendeiro aceitou.
O homem cortou a corda
Da rede quadriculada
Feita em tecido negro,
E a égua caiu em pé.
O fazendeiro bateu nela
Com um ramo que puxou
Da árvore enquanto a égua descia,
E bateu muito forte,
A égua correu rápida.
- eu tenho tempo,
Posso aguardar.
Gritou o homem
Incapaz de alcança-los.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

A Cidade Escondida

Ocorreu de,
Em certa cidade
Próxima a está,
Existir um cemitério
De lápides grotescas,
A esmigalhar-se de pouco
Em pouco.
Ao lado,
Há a praça pública,
Local central da cidade
Reconhecido para lazer.
No terreno abaixo de ambos,
Há apenas gramado,
Abaixo há algumas casas
Com aparências antigas
De telhado de telha,
Feitas de maneira rústica.
Fumaça sai de suas chaminés
O dia inteiro,
Há quem diga
Que seus moradores não tem
Sono,
Isto se comprovaria devido
A fumaça que sempre sai.
No entanto, outros dizem
Que o sono é confundido
Com os sonhos,
Pois dormir dorme-se.
Ao lado da praça
Reside uma mulher de 90 anos,
Ela está sempre sentada
Em sua máquina de costurar,
Nunca para
Ou faz outra coisa.
Moradores juntaram
Suas bíblias e objetos
De orações e se dirigiram
Para aquele terreno,
Lá acenderam uma fogueira,
Rezaram em voz alta.
As fogueiras se acendeu
Com fotos de familiares
E roupas que os moradores
Desejaram doar a este Deus
Em troca de favores,
Como dinheiro e sucesso.
Muitos pertences foram queimados,
Então, as lápides ruíram
Ainda mais
Se quebrando em uma diversidade
De pedaços,
Ossos rolaram de dentro
De suas covas até parar no fogo.
As pessoas presentes
Se deram as mãos
E passaram a rodear está
Fogueira e entoar seus cânticos
De louvores e favores,
Os ossos continuaram a rolar.
Atrás delas apagaram-se todas
As suas pegadas,
Como se fosse um dom
Da fumaça que subiu,
Se alargou e consumiu.
As pessoas diziam
“Deus me dá dinheiro,
Veja meu sofrimento,
Lhe dou minha filha
Em juramento,
Preciso de sucesso,
Estou disposto a pagar
Qualquer preço,
Leve meu sobrinho,
Queime o gado de meu tio,
Rasgue o cabelo de minha prima,
Esconda o vestido de minha esposa,
Traga dinheiro a minha carteira,
Derramo seus pertences
Como se queima mais perfeito
Incenso,
Traga-me dinheiro,
Leva meu pai que só traz gastos.”
Neste dia, Tia Afonso
Pegou seu celular
E enviou uma mensagem
A sua entrada de 13 anos:
- me dê sua buceta,
Em troca lhe dou drogas.
A mãe da menina viu o celular
Receber a mensagem e a leu,
Indagou a ele sobre o que houve,
Ele disse que fez um teste
Para ver se ela usava drogas,
Ela acreditou nele.
Mandou a menina embora,
Ela foi morar com o pai,
No caminho para a escola,
Tio Afonso a alcançou,
Ofereceu carona para a aula,
Ela aceitou,
Ele desviou de caminho
E a levou para aquele local,
Aqueceu uma adaga na fogueira,
Amarrou as mãos dela
E a esfaqueou no peito,
Depois fez sexo com ela
Sem sua permissão
E então, a jogou lá dentro,
Ela queimou feito um osso,
Não restou dela
Mais que fumaça,
Mas, sua mãe nunca desconfiou,
Ela o ama perdidamente,
Ela confia nele.

Festa no Céu

Via-se lá do jardim
Por entre nuvens brancas
Feito algodão doce,
E outras avermelhadas
Muitas luzes e algum som.
Lá da beira do açude,
Enquanto viam os peixes
Pular dentro da água
Ninguém entendia o que dizia
Lá em cima.
Todavia, todos concordavam
Que deveria ser música,
Então, chegava aos seus ouvidos
Sons baixos, outros mais altos
Finalizados por estrondos
E muita luz.
- a festa está enorme lá.
Comentou Pitelmario,
Sem desviar o olhar dos céus.
- talvez, esteja mais bonita
Que a dos peixes.
Enfatizou Bruce
Jogando pão na água
Para os bichinhos comerem.
- eu adoraria estar em uma
Festa no céu.
Disse Pitelmario
Com ar sonhador para o alto.
- eu também.
Respondeu Bruce,
Virando a cabeça
Para olhar o céu.
Em pouco tempo
Diversas nuvens se aproximaram,
Havia uma que se jurava
Tratar-se de escada.
- veja lá,
Parece uma escada.
Comentou Bruce.
- é certo.
Com tão pouco de viagem
Chegaríamos a escada
E poderíamos dançar.
Emendou Pitelmario.
Os peixes pularam em três
Para o alto,
Ao cair fizeram voar água
Nos meninos
Que naquele instante
Voltaram o olhar para o açude.
- de repente eles deixassem
Eu cantar.
Exclamou Pitelmario
Enquanto chacoalhava
As penas para remover a água.
- e eu poderia tocar violão.
Falou Bruce.
De tão feliz Bruce correu
Até Pitelmario
E o olhou com os olhos esperançosos.
Havia um brilho nele
Que mais de iluminava
Pela luz do céu.
O sol estava escondido
Em algum lugar,
Havia apenas o azul
E algumas nuvens brancas
E coloridas.
- venha, se segure nas minhas
Costas, eu te levo até a festa.
Falou Pitel feliz.
Bruce deu um pulo
E se segurou no pescoço de Pitel,
Encantado com a ideia
De ir dançar em plena
Metade da semana.
No entanto,
Quando Pitel estava ereto,
Com a cabeça reta,
O bico apontado para a frente,
As asas abertas,
E as patas segurando o violão
Que Bruce iria tocar,
Aconteceu algo inusitado,
Começou a garoar.
Do céu despencaram
Poucas e finas gotas de água,
Depois a chuva foi ficando
Mais intensa:
- não era festa,
Se tratava de uma chuvaaaaaa.
Pitel gritou.
-voltaaaaa.
Bruce falou agachadinho
Sobre o Pitel
Sem nem olhar para a frente
De medo de cair.
Já estavam no alto do céu,
Longe da copa das árvores,
Muito acima do gramado,
Sobrevoando as flores,
Mas, tiveram que voltar,
Não havia algodão doce,
Música ou luz,
Era apenas chuva.

Destino à ROCAM