É certo,
Acabou,
É o fim,
Nunca mais,
Tá bom,
Concordo.
Houve este diálogo,
Ele puxou a porta
Pegou a motocicleta
E saiu,
Sob chuva forte,
Tempestade a esquina,
Capacete na mão,
Pneus a derrapar
Sobre o asfalto,
E não olhou para trás.
Eu fiz minha parte,
Concordei ainda
Mais obediente
Ao ódio que nos tomava,
Odiei-o em cada parte,
Cada beijo negado,
Cada abraço evitado,
Cada saída sua
Sem hora para voltar
E principalmente, o adeus.
A forma como ele foi,
A maneira como dirigiu,
O jeito como não
Olhou para trás,
Não tinha paixão,
Não teve medo,
Enfrentou tudo para
Ir embora,
Encerrar nossa história...
De repente,
Uma luz brilha
Contra o vidro da janela,
Me ilumina sobre o sofá,
E o perfume molhado
Me faz olhar
De coração acelerado,
Medo moderado,
E sorriso esperançoso:
“Vai ser assim, então?”
Eu corro pra porta,
A abro e o vejo ali
Parado a me esperar,
Tudo que quero diante
De mim,
E o orgulho segurando
As minhas mãos:
“certo, como seria?”
Digo com um passo
Para a frente
E dois para trás,
Fecho a porta
E rezo com toda
A minha alma
Para ele voltar.
Sem vergonha
Na cara nenhuma,
Ele para a moto,
Sai dela,
Puxa a porta e põe
Aquele rosto enorme
De olhos azuis brilhantes
Para dentro:
“Eu não queria ir”.
Ele diz,
Eu quase não respiro,
Voltou,
Eu não pulo de alegria,
Não corro para ele,
Simplesmente, digo:
“Fique, a tempestade
Pode piorar “.
Ele vem até eu e me beija.
O curto fim,
Teve fim,
E eu o abraço,
Seguro para mim.
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