domingo, 15 de fevereiro de 2026

Naturalmente Casados

“por que ele?”
Ele indagou
Com os olhos vermelhos
De quem não dormiu
Direito uma noite
Ou mais.
Eu me assusto,
Por que, quem?
Pra ser sincera
Tenho mais de um amante,
Pra ser exata,
Nunca fui fiel,
E meu esposo
Decide apenas agora
Discutir o assunto?
“Não seja tolo”.
Eu digo,
Repousando cada palavra
Na minha boca,
Flexionando a língua
Como se fosse uma borboleta
Dando asas a frase
Para que repousasse nele,
Como se ele fosse uma flor,
O que não era,
É certo,
“Somos casados”
Eu disse,
Tentando buscar as palavras.
“Você me fez
Cair no vácuo,
Deslizar para lá,
Feito uma garota
No sobrepeso,
Cair num vazio escuro,
Escorregar sem ter
Em que me agarrar,
E caindo lá,
Não vejo ninguém...”
Eu busco nas paredes
Algo para dizer,
As palavras voam
E somem no ar,
Como se minhas borboletas
Não fossem resistentes
A mais uma briga de casal.
“Estou a desmoronar,
Como se estivesse presa,
Estou perdida nisto
De casar,
Ser sua,
Ser boa esposa,
Não há triunfo nisto,
Parece que há erros
E eu busco
E está tudo escuro,
Escuro pra pensar...”
Eu me vejo
Sem querer falar muito,
Parece que minhas palavras
Ficam em seus lábios
E de lá se voltam contra eu.
“Seja adulto”.
Digo por fim
E saio do cômodo
Indo para o quarto
Ler um bom livro.
É imaturo demais
Discutir por que
Uma pessoa trai a outra,
Isto é natural
Com qualquer casal,
Que há agora?!
A leitura me consola.

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