sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Pegadas no Chão

Certo homem
Apaixonou-se por determinada
Mulher,
Colou sua face no chão
E fez preces com todo
O coração,
Apresentou ela a Deus
Por nome e face.
Deus sabendo de seus sentimentos
Não tardou,
Apresentou-a a ele,
E logo ele foi convidado
A visitá-la.
Contudo, ao aproximar-se,
Sentia-se, ele, homem
De renovada fé,
Respeitado entre todos,
Quis sobrecarregar-se dê valor.
Ao invés de usar
A porta da frente da casa,
Preferiu a entrada escondida,
Preferiu adentrar na residência
Por trás,
E assim, conforme os rumores
Escolheria detalhar
Tê-la conhecido ou não.
Deus entristeceu-se,
Tanto rezou o rapaz por ela,
Dobrou os joelhos,
Fez calos nas mãos,
Para nada então.
Conhecedor da palavra
Do Alcorão,
Sopesou seu valor,
Se qualificou como bondoso,
Sem ter no coração
Bondade para com os estranhos.
Mas, um impulso no seu peito,
Fez ele errar de entrada,
E arrodeando a casa,
Chegou na porta da frente,
E viu-se ali completo,
Pois assim havia pedido,
A moça por esposa,
Seu coração para deleite,
Sua alma para sempre.
Entrando na casa,
A enxergou ajoelhada
Em frente a um altar improvisado,
Havia nele o Alcorão
E alguns buquês de flores
Coloridas e
Uma foto do rapaz
E outra dela com sua família.
Ele levantou as mãos
Para o céu e agradeceu a Deus,
Nenhuma de suas orações
Foram em vão,
Ela o amava,
E pedia a Deus intercessão
Para serem apresentados
Um ao outro.
Retirando do bolso
Uma aliança,
Ele ajoelhou-se atrás dela,
A abraçou e chamou-a
“Querida”,
Mostrou as alianças e
A pediu em casamento
Imediatamente.
Não haveria felicidade
Maior que estampada
No olhar da jovem,
Ela abraçou-a,
Beijou sua face.
Porém, abraçados um no outro,
Sua veste era a moça,
E a dela era ele,
Ele sentiu calor tremendo,
Como se as pegadas
Do demônio estivessem
Muito perto.
Deixou-a descansando
Sobre sua roupa
Em frente ao altar
Da sala de entrada da casa.
E olhou para o corredor
O que havia.
Havia lá a outra porta,
A saída,
Que dirigia para o quintal,
Onde não seria visto,
Parado a porta
Estava uma espécie de vulto,
Corrompido pelo ódio
E cobiça.
O homem levou a mão
Ao peito,
Estes sentimentos
Não eram dignos desta
Que agora desposava,
Correu para a porta de saída,
Ajoelhou-se nela,
Levou as mãos ao rosto
E pranteou de seu fracasso.
Admitiu em voz alta
Que repensou de desposar
A moça,
Que ponderou sobre a família,
E o demônio fez passadas pesadas,
Que se desenhavam no chão,
Queimava vivo
Mas não sentia,
Porém, o homem consciente
Do seu amor
Juntou suas lágrimas
E jogou-as no demônio
Que vendo seu fogo apagar-se
Se amedrontou
E usou ele a porta de saída detrás,
O demônio era quem não
Queria ser visto ali,
Mas que sorrateiro
Percorria os cômodos
Sem mostrar-se
Ou contar a alguém.
O homem conhecedor
De Deus e Sua vontade,
Fechou a porta
E passou cadeado, corrente
E chaves,
E seu coração se apiedou,
Nunca foi ele que sentiu dúvidas
Sobre estar com a moça
Sempre foi o demônio
Que não se viu bem-vindo.
Depois disso,
O homem voltou-se
Para a mulher e a abraçou.

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