O convite foi aceito,
Finalmente, Ronilson viria.
Angela estava afim dele
A tanto tempo
Que adormeceu de felicidade
E sonhou em abraça-lo,
Foi tão realista
Que chegou a vê-lo chegar
Na altura da janela,
E correu para lhe sorrir,
Foi tão intenso que acordou
Chamando seu nome.
Rapidamente, foi até o banheiro
Tomou um banho frio
E pôs-se a lavar do chão
Até a parede,
Ela realmente era afim
De Ronilson
E agora, aos 24 anos de idade,
Não havia empecilho
Contra este amor.
Ela morava próxima
Aos seus pais,
Uns 500 metros,
No interior,
Após lavar o banheiro,
Vestiu-se e foi aparar
O gramado da frente de casa,
Era próximo ao meio dia
Do primeiro sábado
Do mês.
Porém, chegou a tarde
Em que passou colhendo flores
Para o vaso de cima da pia,
E Ronilson não apareceu.
Não enviou mensagem,
Nem disse adeus,
Simplesmente, sumiu.
No domingo,
Ela chamou Jorge,
Jorge era seu ficante antigo,
Há algum tempo ele vinha
Passava um tempo com Angela,
Depois, ia embora,
Dizia não querer relacionamento.
No domingo a tarde,
Jorge estacionou o carro
Do lado da estrada
E pôs-se a descer até a casa
Pelo pomar.
Logo no início do pomar
Jorge se separou com a bergamoteira
Carregada de bergamotas
E amarelas e suculentas.
Então, se aproximou para
Tirar bergamotas,
De repente, viu ali
Recostado no tronco
Da árvore Ronilson,
Ele estava esmagado
Contra os espinhos,
Enrolado num cipó
Muito grosso marrom
De folgas verdes
E sobre ele haviam
Milhares de vespas preta
E amarela.
Elas lhe devoraram vivo,
Jorge assustou-se,
Arregalou os olhos e afastou-se
Rápido,
Então, Ronilson levantou
A mão na sua direção
Apontando seus dedos
Ressecados e com ossos
Aparentes para ele,
Jorge retirou o boné branco
De seus cabelos e fez
O sinal de cruz,
Rezando proteção
Pra si próprio.
Então, Ronilson abriu
A boca enorme
Até recostar no peito,
E de lá saiu uma aranha
Terrível, grande, marrom
E ela olhou para Jorge
E se atirou na direção
Do rosto dele.
Ronilson pareceu sorrir
Aliviado,
Mas as abelhas não
O libertaram,
E Jorge assustado
Correu para até o carro,
Então, colidiu contra a pitangueira,
E se assustou,
Estapeando-se para se livrar
Da aranha,
Nisto viu um cipo enraigado
Na árvore e se puxou
Através dele.
Contudo, suas pernas
Foram tragadas para o
Fundo da terra,
E Jorge ficou até a cintura
Preso num buraco
Que se abriu do nada
Aos seus pés.
Da terra firme
O buraco se abriu
O devorando como
Se tivesse lábios,
O engoliu para dentro.
Assustado,
Ele gritou,
E isto chamou a atenção
De formigas que estavam
Dentro do buraco
E elas, em bando,
O puxaram para dentro
Do buraco
Com força irresistível.
Depois, paulatinamente,
Comeram-no vivo.
Jorge mordido por tantas formigas
Não teve forças
Para sair do buraco,
O cipó ficou longe dele,
Porém, num gesto de misericórdia,
Ele se pôs para fora
Do buraco,
Se jogou para cima,
E tentou buscar o cipó
Que agora, balançava,
Logo a sua frente,
Mas não foi alcançado.
Com dor,
E milhões de formigas
Em seu corpo,
Jorge perdeu seus olhos,
Sua língua, e a pele de seu
Corpo até sua carne,
As formigas estavam insaciáveis,
Eram enormes e vermelhas,
Esfomeadas,
Comeram-no vivo.
Angela ficou embasbacada,
Agora, nem ao menos Jorge
Vinha lhe ver,
Seu destino era a solidão,
Sozinha e descompassada,
Foi fazer o jantar,
Tomando vinho.
Olhou ao seu redor,
O pomar ficava logo
Acima de casa,
Era distante da residência,
Ela não ouviu um único
Ruído a respeito de tudo
Que houve.
Irritou-se ao derrubar
A taça de vinho no tapete
E decidiu não jantar sozinha,
Humilhada e triste,
Praticamente implorou
Para um rapaz conhecido
Na cidade vir lhe fazer companhia.
-o que você me dá em troca?
O rapaz pediu.
- minha companhia.
Ela disse.
- ah, sem essa de companhia.
Eu quero seu cu.
Ele falou com a maior naturalidade
Possível.
Angela quase parou de enviar
Mensagem pelo seu celular,
Olhou-se no espelho
Com os olhos marejados
De lágrimas ,
Sentindo-se horrível.
-Claro.
Ela respondeu, por fim.
Não queria a solidão,
Não desejava ficar sozinha.
Juanito não bastou-se,
Trouxe também tequila
E duas de suas amigas íntimas,
Queria fazer orgia,
Ele não era homem
Para pouco.
Os três deixaram o carro
Na estrada e puseram-se
Pelo pomar rumo a casa.
Nisto, uma cobra gigante
Saiu de trás da serigueleira
E lhe abocanhou por inteiro,
Ele não teve tempo
De gritar,
E as duas garotas
Puseram-se a correr,
Em três goles a cobra
Devorou Juanito,
E abocanhou uma das garotas.
Amedrontada,
A terceira viu o buraco
Aberto,
E correu se esconder nele,
Se atirou lá dentro
E então encontrou
Jorge entre pele, carne
E osso exposto devorado
Por milhares de formigas,
Mal se viu seu corpo,
Mutilado, sendo percorrido
Por tantas formigas.
Assustada,
Ela conteve o grito
Com sua mão por medo
Da cobra,
No entanto,
Algumas aranhas voaram
Sobre ela,
E juntou das formigas
Não lhe deram escapatória.
Mataram-na,
Naquele escuro buraco
Cheio de formigas,
Nquela espécie de formigueiro
Composto por algo branco,
E muitos caminhos
De formigas.
Angela pôs-se a chorar,
Jogou-se sobre a cama
E se desesperou.
Ninguém a desejava,
Mesmo sendo tão jovem,
Bonita e alegre.
Ela, de algum modo,
Não despertava
A afeição de ninguém.
Entristecida,
Foi até o pomar
Na segunda feira,
Onde logo avistou na
Estrada todos aqueles carros,
E nenhuma pessoa,
Correu para os carros,
Sem saber quem desejava
Ver primeiro,
Vez que não queria ser solitária.
Contudo, não tinha uma
Única pessoa lá,
Ou vestígios de qualquer que fosse.
Irritada , ela pôs-se a gritar:
-Não acredito,
Vocês estão fazendo festa
Em minha terra
Todos juntos e não
Me convidaram,
Eu não acredito,
Vocês estão rindo da minha cara,
Não!
Ela gritou desesperada.
Pegou uma pedra
E jogou contra um dos
Carros,
Depois se chocou contra
Os carros gritando
E chorando e despedindo
Golpes de punho
Sobre os carros.
Então, sentou-se na estrada quente
Chorando e gritando.
Ninguém ouviu ou
Fez nada
Para lhe ajudar,
A solidão quando chega mata.
É necessário ser forte
Para enfrentar a dor
De ser abandonada.
E Angela não tinha
Está força,
Ela simplesmente, se desesperou,
Se embrenhou para
O pomar aos prantos.
Chegou nos dois grandes pés
De Louro que existiam lá
E sentou sobre duas
Das grandes pedras
Que se recostavam na árvore,
Uma conta sorrateira
Saiu de entre as pedras,
Por trás de Angela
E lhe deu um bote
Que abocanhou suas costas.
Angela gritou de dor
Presa aos dentes da cobra,
Se irritou,
Fez esforço
E juntou uma pedra
Do chão e desferiu
Na cabeça da cobra
Que assim que recebeu
O golpe se desvencilhou,
E estonteada,
Voltou um pouco para trás.
Angela pulou para a frente
E juntou outras duas pedras,
Que jogou contra a cabeça
Da enorme cobra,
Que logo caiu vencida no chão.
Isto chamou a atenção das formigas,
Que logo lhes subiam
Pelos calcanhares,
Angela gritou de dor,
Estapeou as pernas e correu.
Na corrida,
Se chocou contra
Um galho de pocan,
Que tinha pendurado em si
Um ninho de vespas,
E todas chamuscaram
Contra ela,
Angela estapeou os ares
E correu,
Correu muito,
Chegou até sua casa
Cansada e exausta
E foi para o banheiro
Tomar banho.
Triste e solitária,
Chamou seus pais
E falou sobre precisar
Matar o balão de vespas
Que havia no pomar
E também o formigueiro,
Vez que as formigas
Iriam destruir o pomar.
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