Eu nunca pensei
Que amar fosse fácil,
Mas, investi tudo em nós,
Lutei com todas as juras
Apaixonadas
Que pude dizer,
Fiz tudo que estava
Ao alcance de provar
Meu amor por você,
Mas foi ao vão.
O chão se abriu
Num único movimento
Me tirou os passos,
Tragou-me de ímpeto
Para dentro,
Levou você
Para longe
Do meu alcance.
Tudo ficou escuro,
Cai num vazio profundo
Onde não podia andar,
Nem ver você,
Não sei dizer
O que foi pior
Estar impedida de te ver
Ou saber que não sairia
Mais dali.
Daquele vácuo,
Sôfrego e tragador,
Que me mantinha,
Me roubava o ar,
Enquanto te mantinha
Em algum lugar
Onde eu não poderia chegar.
Cai de seus braços
Sem aviso
Até o submundo da dor,
Num espaço
Onde eu estava só,
E você não me via
Ou não se importava.
Presa ao que sinto,
Tragada pelo amor
Que dei e não recebi
De volta,
Um abismo que me engole,
Cola a dor na garganta
E impede o choro,
Daqui não posso te chamar,
Tão pouco você me ouviria.
Apaixonada e sozinha,
Este abismo engole
O que sinto,
Com um implacável trago,
Vive do amor que dei
E você não se importou,
Vive de nós,
Da queda livre
Que me arrancou
Do seu abraço
E te pôs tão distante.
Não acaba
E você não volta,
Estou presa,
Amarrada,
Tragada,
Por que você
Não se importa?
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