sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Prece Indevida

Houve naquele casamento
Insensatos que testemunharam
Contra a união
E usaram da palavra do Alcorão
Para desunir aquela família.
Vez que a moça
Que em prece
Suplicou o nome
Do esposo para desposa-lo,
E o esposo que vendo
Sua face
Reconheceu nela o amor,
Se desorientaram um do outro.
Houve ali a discórdia,
E ambos esconderam as provas,
Feriram-se no casamento,
E separaram-se por arrependimento.
Foi isso para a moça castigo,
Sentiu-se sozinha
Com efeito de estar amaldiçoada,
Não teve ombro
Para amparar sua dor,
Ou olhar que lhe sentisse piedade.
O suplício que a aguardou
Foi duro no castigo,
Cada soluço solitário
Fez de cada hora de sua vida
Soar-lhe a veneno
Para a alma.
Os laços que Deus uniu
Se romperam,
E suas preces se desfizeram,
Os insensatos que forjaram
Motivos para provocar
A separação se afastaram
E não houve quem a desse amparo.
Repudiada por quem
Organizou a discórdia,
A moça pranteou a solidão
E não soube pedir
Outra coisa que não fosse
Uma segunda chance
De reviver seu amor,
Com a intenção de lá
No âmbito conjugal
Lhe provocar tanta dor
Quanto agora era capaz
De sentir em seu pranto.
Contudo, Deus viu
Sua dor lá do céu,
E entristecido,
Viu também o vento
Que tomou aquela direção,
E atacou-a dentro de sua casa,
Que em ruínas se desfez,
Caindo sobre ela.

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