Então, eu estou de joelhos
A prantear minha dor,
A sangrar o que me fazem,
A chorar o que me dizem,
Estes, os imperdoáveis.
Então, eles me dizem:
A frígida,
Sem lágrimas,
Sem amor,
Aquela que não se esforça
Para casar-se,
Construir família,
Ter uma relação estável.
Eu os olho assustada,
Gostaria de dizer
A estes,
Os imperdoáveis,
Sim, não gozo por nada
Do carinho falso
Que me atribuem vocês.
Eles olham
Como se se importassem
E dizem:
Quem?
Os imperdoáveis?.
Então, eles riem,
Riem alto da minha dor.
Aos prantos,
Para eu mesma
Eu os defino:
Não, os estupradores.
Estes imperdoáveis
Que mutilam minha mente,
Me impedem de ver
Quem sente
Daqueles que fingem,
Eu os odeio,
Gostaria de dizer
O quanto sou intolerante
A estes que forçam
Atitudes sexuais de garotas
Inocentes.
Eu os odeio,
Estes imperdoáveis estupradores,
Que abusam de garotas,
Que forçam crianças,
Que mutilam vidas de seres,
Eu os odeio.
Eu queria gritar minha dor,
Eu os odeio
Estes imperdoáveis.
Que vão-se,
Jurando pra sempre,
E então, voltam-se,
Como se eu não tivesse
Vontade,
Opção de escolher,
Como se eu fosse
Um espécime mulher
Objeto de seus prazeres.
Eu os odeio,
Estes imperdoáveis
Estupradores,
Que não desistem,
Não conseguem se afastar,
Que me buscam,
E obrigam,
Eu os odeio.
Eu não posso,
Eu não consigo,
Eu não sou capaz
De perdoar a violência.
A violência com a qual
Referem-se a eu,
Meu corpo
E minhas vontades,
Não,
Eu não consigo
Mais estar
Ao seu dispor.
Eu quero ser dona,
Dona de mim mesma,
Dona dos meus prazeres,
Cansei de ser sua escrava,
O último espécime mulher,
O tipo disponível
Para tudo que você quiser
Em troca de promessas,
Não,
Suas juras se amor
Não me convencem,
Eu estou farta
De sua violência
Senhor imperdoável estuprador.
Você fere minha pele,
Você fere minha mente,
Você fere minha dor,
Você se delícia do meu pranto.
Te ensoberbece
O seu poderio
Sobre esta mulher simples
Que sou.
Estúpido,
Maldito,
Imperdoável estuprador,
Você se diverte
Da minha dor.,
Cansei de ser
Seu espécime
Do prazer.
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