sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Brasa viva

Então, a moça fez-se mulher,
Honrada baixou a face
Para o chão,
E na prece
Entregou o coração.
Pediu a Deus um bom esposo,
Homem honrado
E que fosse bom dirigente
Da família,
Deus, conhecendo face
E nome,
Concedeu-lhe a prece
E tudo corria bem.
Contudo, a moça
Sabedora da letra do Alcorão,
Desviou-se de seu caminho,
Realizada em seu destino,
Foi incapaz de abandonar
Antigos costumes de sua família
Que já os tinha por tradição.
Desrespeitou mãe e pai,
Abusou do irmão,
Não soube fazer distinção
Entre o adulto e a criança,
Tomou a ambos pela mão.
Fez-se mulher,
No dia de jejuar,
Comeu a palavra do Alcorão
Como quem bebe
Sopa fervente
E quase disse
“Fez-me mal”.
Não soube doar
Ao necessitado,
Não soube reconhecer
A face de Deus
No carinho do próprio namorado.
O rapaz temente a Deus
E a Ele obediente,
Sentiu-se no íntimo enganado,
Desconhecedor destes costumes,
Viu-se ele ludibriado
Por moça experiente
E desonesta.
A moça era simples,
De vestes modestas,
Em sua frente era íntegra
E não lhe cabia malícia,
Porém, não era desta forma
Quando estava a sós,
Costumeira em vil cultura,
O deixou temeroso.
O moço foi a mesquita,
Dobrou os joelhos,
Estendeu as mãos ao altar,
Encostou a face no chão
E pediu a Deus por esclarecimento,
Não tardou,
Deus mostrou ao seus olhos
A moça chegando a mesquita,
Comendo das páginas
Do Alcorão,
Queimando-se viva,
Chamando de amante o irmão,
Proclamando súplicas
A criança perdida,
Virou fogo,
Brasa viva,
Em plena porta
Ao olhar de todos,
Virou cinzas.

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