segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Véu Rasgado

Ora,
Que o vento te leve,
Mijenta,
Você rasgou seu véu,
Se expôs no mercado,
Quando uma mulher
Rasga o véu,
Que sobra dela?
Nada!
Sua mãe
Lhe ensinou isso,
Veio de família,
Rasgar o véu,
Se expor ao ridículo
De um homem
Que não lhe deu crédito,
Não lhe deu sentimento,
Lhe largou a própria sorte.
Que o juízo final
Lhe condene,
Que o céu
Lhe feche a porta,
Só me resta protege-la,
Maldita abandonada,
Renegada por este rasgo
Que lhe expôs
A praça pública,
Lhe colocou para assunto
De línguas afiadas
Que não fizeram mais
Que prometer até conseguir.
Tola,
Condenada ao mármore
Do inferno,
Solta nos tijolos
Da praça pública,
Rasgou o véu
Ainda tão moça,
Que valor você recebeu
Agora que cada olhar
Sabe exatamente
Cada parte de você
E lhe abandona a sorte.

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