“Olhe filha
O que o pai conseguiu?”
Disse Djavan segurando
Uma nota de R$100 reais
Entre os dedos.
“Que legal pai!”
Argelina falou,
Olhando com seus olhos
Escuros brilhando
De felicidades.
“É uma nota de cem reais,
Ninguém tem dessas,
Eu consegui com nosso
Trabalho,
Vou guardar pra sempre!”
Seu pai falou,
Entrando pra dentro
De casa.
“Que ótimo pai!”
Argelina disse.
Ela não sabia o que era,
Mas entendia que era dinheiro
E que por isso valia
Muito mais
Que as outras notas.
“Vou esconder bem
Pra só gastar
Quando for pra investir
Em coisas que tragam
Mais dinheiro “.
Ele falou feliz,
Buscando um lugar
Entre as travas da casa
Que era feita de madeira
E não tinha foro.
Talvez, receber uma nota
De cem reais seja benção,
Talvez, não.
O que sabe-se
É que naquela casa
Tardou anos
Para a próxima nota igual entrar.
Na agricultura
O trabalho era árduo
E tinha pouca recompensa,
Contudo, tinha comida
De qualidade,
Plantada por seu pai,
Sua mãe, ela e seu irmão
E colhida.
Volta e meia
Seu pai pegava
O arado,
Virava a concha
Pra cima
E colocava na canga
Depois subia o moro
Em direção a roça
Para arar.
Logo após a chuva,
No barro,
O arado marcava
A terra,
Cortava no fundo
E seguia a verga
Até o fim puxado
Pelos bois.
Argelina ia por baixo
Com uma vara
Retirando o excesso
De terra para não pesar
A concha.
Logo,
Djavan foi buscar
Os bois no final do potreiro,
Era final de tarde,
Seu irmão Gervan foi junto
Trazer as vacas para tirar
O leite.
Foi então que do nada
O boi caiu no chão
Salivando baba e espuma,
“Meu Deus, parece afogado!”
Ger disse,
Apontando para o boi
Que ficou imediatamente
De joelhos.
Seu pai olhou para
O pescoço do touro
E falou:
“Será que comeu laranja verde
E ficou instalada?”
Depois disso,
Ger olhou para o pé
De laranja carregado
De laranjas verdes
E grande e notou
Que o boi havia comido
Das folhas e pego
Também uma laranja.
“Não sei filho,
E agora eu não quero
Perder esse boi,
É nossa salvação,
Nossa ajuda pra roça “.
Seu pai falou desesperado,
“Espere aí,
Vamos chamar a Angelina.
Disse Djavan e correu
Para casa buscar a filha.
“Filha, filha, o boi caiu.
Não levanta mais,
Tá morrendo,
Nois ia vender ele
Ou matar pra comer
Agora imo perder tudo!”
Djavan gritou
Enquanto abria a porta
De casa e Angelina
Saltava do sofá
Para ir ver o que havia.
“Temos perdido fia,
Temo perdido!”
Ele tornou a falar,
Retirando o boné
Da cabeça
E jogando na terra,
Enquanto secava
O suor que escorria
De sua testa.
Angelina correu
Até o potreiro,
Sua mãe foi atrás desesperada.
E vendo o boi gritou.
“Pegue no pescoço
Do boi pai e massageie
Para baixo,
Abrace o boi,
Aperte e aperte o pescoço
Pra descer a coisa!”
Ela gritou e se ajoelhou
Do lado do boi
Enquanto ajudava,
Seu pai fez mesmo.
A espuma da boca
Do boi escorreu longe.
E Angelina montou
Em cima do boi
Massageando o resto
Do pescoço até às pernas
Para ver se saia
Fosse lá o que fosse.
“Meu Deus pai
Não podemo
Perde esse boi,
Não podemo
Coitadinho!”
Ela falou chorando.
Nisto Gerva
Encontrou uma cobra
Marrom com manchas negras
Do outro lado da estrada
Muito próxima deles
E gritou:
“Veja uma cobra,
Ele deve ter mordido ele
Ou a mãe que tá perto!”
Ele gritou.
“Mate a cobra!”
Angelina disse.
E correu até a rocha
Levou sua mão
Com força no chão
E de lá tirou um pedaço
Que se soltou
E jogou contra a cobra
A cortando no meio.
“Veja, matei a cobra,
Meu Deus salve
Nosso boizinho”
Ela gritava em pânico.
Gerva andou pelo
Redor deles e encontrou
Outra cobra.
“Veja tem outra cobra!”
Ele gritou,
Então, Djavan deixou o boi
E foi ver a outra cobra
Para matar.
“Meu Deus uma urutu”.
Ele gritou
E Angelina assustada
Correu pegar outra pedra
Para atirar na cobra,
Sua mãe Rouse também ajudou
Atirando pedras nela.
“Meu Deus, duas cobras
Pegaram o boizinho,
Este é o triste fim!”
Gritou Angelina
E correu com as mãos
Sobre a cabeça
Endoidecida,
Nisto encontrou um pé
De Pimenta Preta
E sem saber o que era
Cortou com a mão
Alguns galhos
E levou para o boi.
Enfiou na sua boca
Salivante aquilo,
E impulsionou por sua
Garganta,
Logo, ele pegou impulso
E subiu do chão.
Andou firme
Até em casa,
Salivando ainda.
Aline apelidou aquela
Arvoreta de Divino Salvador
E serviu de suas folhas
Para todos os animais
E pediu a sua mãe
Que usasse na culinária.
O boi negro
Com listras brancas
Se salvou
E ficou bom o bastante
Para puxar o arado,
Não tardou ele se amansou,
A tempo de puxar
As vagens do feijão
Plantado anteriormente
Quando Angelina ajudou
A fazer as vergas,
Que foram feitas com
A mãe e o pai dele.
Apegada a Deus
Como se tornou a garota,
Decidiu-se por não ter
Outro para amante
Que não seja Alah.
Nenhum comentário:
Postar um comentário