E então
Eu choro,
Choro como
Se pudesse concertar,
Choro como
Se algo fosse mudar,
Choro como
Se eu não fosse perdoar,
Choro como
Se eu não fosse
Voltar atrás.
Choro porque
Me arrependo
Em casa instante,
E no próximo segundo
Eu mudo
Se ideia
De conceito,
E de amor.
Então, eu choro
Como se chorar concertasse
E já penso que nunca
Saberei perdoar
E que sempre usarei
Isto como motivo
Para brigar,
E choro
Porque não briga
Eu coleciono motivos.
E então, eu choro
Porque em tantos choros
De tantas vezes que briguei,
Coleciono novos motivos
Para construir novas brigas
E descubro tristemente
Que entre nós
Já não é futuro,
Aí eu mando os sonhos
E neles os filhos
Pelo ralo
E lhe digo:
Parabéns você
Matou nosso amor
E você diz:
Desvairada quem
Você acha que é?
E você cita aquele
Primeiro motivo
Do primeiro choro
Que construiu a primeira
Briga
E eu digo
Seu monstro,
Eu que me irritava
Por isso!
E você sorri gostoso,
Você buscou
E conseguiu
E tudo terminou
E você joga na cara
E esconde o quão
Perverso você é
Capaz de ser
Você e sua maldita piranha
Onde você desde
O início
Fez questão de se esconder.
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