Na época dos reis,
O Faraó se levantou
Certa manhã
E juntou a areia
De perto de seu castelo
Para com ela fazer bonecos
Enormes de pessoas
E animais,
Eis que ele era solitário,
Não tinha como quem brincar
E não sabia o que fazer
Para passar o tempo.
Em pouco tempo
Ele rodeou todo o castelo
Com três linhas de enormes
Bonecos feitos de areia,
Água e pedras preciosas.
Lá do outro lado
Do oásis,
Um batalhão se irritou
Com aquilo,
Fez referências
Contra o Faraó,
Levantou em alta voz
Para reclamar
Da maneira que ele tinha
Para passar o tempo.
Solitário,
O Faraó nunca soube
Que era odiado,
E o quanto aquele povo
Se armava contra ele,
Pois confiante
De suas orações
Pelo bem de todo o povo,
Consciente de que
Apenas construía simples
Bonecos,
Ele jamais desconfiou
Da maldade do povo
Do seu lado.
O batalhão se armou
De tudo que pode,
Pegou espadas,
Marchou confiante,
Com ela em punho
E outras armas municiadas
Espalhadas pelo corpo.
Os olhos daqueles
Homens e mulheres
Seguiram seguros,
Olharam para a luz
Que irradiava daqueles
Bonecos e os odiaram.
Deram tiros de canhão,
Mas erraram,
Contudo, estragaram
A área de lazer do Faraó,
Que correu inseguro
Para ver de que se tratava,
E quase atingido
Caiu sentado
Com as mãos na cabeça,
Soluçando nas areias
Adiante de seus bonecos.
Os bonecos não
Se moveram,
Não piscaram,
Não fecharam os olhos.
O Faraó sofreu vendo
Os grandes buracos
Feitos no seu quintal.
Irritado o batalhão
Abandonou os canhões,
E seguiu,
Enviou filhos como cobaia
A sua frente para verificar
Armadilhas,
Enviou animais
Para farejar bombas,
No entanto,
O Faraó nunca soube
Disso tamanha inocência
De sua parte
Com relação
Ao que ocorria
Tão perto dele.
Aproximando-se
De seus filhos,
O batalhão os ergueu
No ombro,
Pegou no colo e seguiu,
Logo adiante
Sentiu cansaço
E abandonou de um a um
Todos os filhos,
Armou os que ainda
Estavam fortes
E marchou.
Pés no alto,
Estalo de botina
No chão,
Armas por todo canto,
Homens de sangue
E ossos,
Lutando para matar
O solitário Faraó.
No entanto choveu,
A areia ficou mole,
E os grandes homens
Forjados para lutar
Afundaram nas areias
E as mulheres
Não seguiram muito adiante,
Um raio reduziu no céu,
Bateu nos olhos
De um dos grandes bonecos
Ricocheteou e alcançou
Todo o restante do batalhão
Que sobrou
Os aniquilando imediatamente.
Filhos, animais,
Homens e mulheres
Todos morreram pelo raio,
E a chuva não parou,
Logo carregou o batalhão
Para um dos buracos
Feitos pelo canhão
E os soterrou.
Areais escorriam
Feito água rumo
Aquele segundo buraco,
Levando homens,
Carregando mulheres,
E tudo o mais
Para aquela grande fosse
Feito de carne e osso
E nenhum sangue.
O Faraó nunca soube
De toda a guerra
Que foi travada ao seu redor,
Nem se considerou vencedor
De uma batalha
Na qual nunca lutou,
Nem mesmo na manhã,
Que pelo terceiro dia
Não fazia cessar a chuva
E ele decidiu subir
Em um dos ombros
Do seu boneco
E estando lá notou
Um pequeno risco
No olho dele
Feito de esmeralda.
Tentou limpar
Com sua roupa comprida,
Sofreu vendo o boneco
Ferido,
Sentiu no nariz do boneco,
E o abraçou,
Levantou as mãos
Em oração
Pedindo proteção,
Eis que abriu o sol
E olhando adiante
De suas areias
Elas estavam
Como se nunca tivessem
Sido mexidas.
Pássaros sobrevoavam
Ao longe,
E um cão vinha farejando
O chão de olhos tristes
E solitário,
O Faraó desceu de lá
E fez amizade com o cão,
O levou pro castelo,
O lavou e o abraçou,
Agora ele tinha mais
Um amigo.
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