terça-feira, 19 de maio de 2026

Violência Infantil

As 5 horas da manhã,
Laura gosta de acordar,
Ainda a noite faz o café,
O deixa sobre o fogão a lenha
E o mantém aquecido
A noite inteira.
Com o fogo sempre aceso
Evita comprar tantos cobertores
E se protege do frio,
João a deixou cedo,
Muito cedo,
Mas, em cada vez que retornou
Lhe fez de presente,
Em nome do amor
Que sentiam um pelo outro,
Apenas para reacender a chama
Da paixão ardente:
Um filho.
Eles terminaram uma vez,
Reataram outra,
E nunca mais se viram
Depois disso,
Um casal de filhos
Restou do relacionamento,
E um pai foragido da justiça
Que não tem emprego fixo
Para evitar pagar pensão
Alimentícia as crianças,
Nem possui domicílio reconhecido
Por medo de ser encontrado.
As crianças estão totalmente
Desamparadas,
Não fosse pela mãe
Se esforçar tanto,
E buscar sustento
Como vendedora numa loja
Próxima a sua casa.
Sem condições de pagar
Empregado,
Ela mantém a casa limpa,
E a comida sempre está disponível,
A filha tem seis anos,
E o filho oito.
Ambos são tristonhos
Por não terem o amparo
Paterno,
Os avós também evitam contato,
Sentem medo de sustentar
O fardo de pagar pensão
Aos netos.
Sempre no meio do dia
Ela pede que seu irmão
Vrife entre na casa
E veja as crianças
Para confirmar que estão bem
E não precisam de nada.
Nas manhãs eles possuem
Aula numa escola próxima
Da sua casa,
E a tarde ficam assistindo
A televisão e comendo,
Porque Laura se certificar
De que nunca passem fome,
Não importa quanto precise
Correr atrás de cliente,
Ser gentil
E suba e desça das escadas
Onde busca as peças de roupa
E as oferece a eles.
O sorriso nunca sai
De seu rosto,
E as horas voam,
E os extras chegam,
É considerada eficiente.
Um dia, porém, seu sorriso
Se desvaneceu,
Ao chegar em casa
Encontrou o casal de filhos
Sobre o sofá
Fazendo sexo.
Ela carregava um bolo
Em suas mãos
Que rapidamente oscilou
E quase caiu,
Danificando um pouco
A lateral.
- filhos, o que é isso?
As crianças levantaram
Seus rostinhos suados
E vermelhos:
- aprendemos na escola.
Responderam.
Ela não tolerou a resposta,
Soltou o bolo sobre a mesa
Tirou seu chinelo dos pés
E bateu nas crianças
Até que ficassem vermelhos
E gritassem de dor.
A resposta não foi eficaz,
Ela preferiu culpar o tio,
Odiou seu irmão
Como quem odeia
O próprio capeta.
Correu até sua casa,
Bateu na porta
E quando foi aberta
Vou sobre ela
Lhe batendo muito
Com tapas, socos, pontapés
E o que mais pudesse.
- o que foi, Laura?
Diga!
Ele gritou.
- maldito,
Maldito!
Ela disse em prantos.
Então, cansada de bater nele
Retornou a sua casa,
Não pode compreender
Os fatos,
Fez a denúncia
E o colocou como autor.
Imediatamente,
A polícia o prendeu.
Contudo, ouvidas as crianças
Elas mantiveram o depoimento,
A escola,
Os colegas da maldita escola
Levaram seus filhos
A tal ato desprezível.
O advogado não se conteve,
Se recusou a acreditar
No depoimento,
Alegou que as crianças eram
Ingênuas e que queriam
Proteger o tio estuprador.
Seu irmão chorou,
Em frente a um juiz
E promotor, chorou.
- sou inocente,
Inocente.
Ele dizia.
- mas quem trará o culpado?
A irmã gritou.
Ele foi paciente,
Não respondeu.
- talvez o pai deles
Tenha se aproximado,
Talvez, os tenha ensinado
Para te ofender
Por você o rejeita-lo.
Ele disse.
Ela pôs as mãos sobre
O rosto e chorou.
Indiciado os professores
E trabalhadores da escola,
Descobriu-se que alunos
De maior idade andavam
Por entre as crianças,
E que, poderia ter partido
De um desses a ideia
Do cometimento de tal atrocidade.
Os depoimentos eram conexos,
Contudo, um dos estagiários
Se interessou sobre o assunto,
E gostou da ideia.
Sobre a situação
Delituosa da família,
A escola escolheu
Contar aos alunos e pais,
Porém, devido a delicadeza
Dá situação,
Pediram ajuda policial para isso.
A Polícia Militar foi,
Pela primeira vez,
Convidada a entrar nas dependências
Escolar,
Havia lá, segurança privada,
Contudo, o acontecimento
Dá situação delatou que
Era insuficiente.
Com preparo psicológico,
A Polícia Militar escolheu
Policiais treinados para isso,
E ofereceu o programa
“Diga Não a Violência Escolar”,
Onde foi usado palestra
E slides para falar sobre
A diversidade de tipos de violência escolar.
No término alguns alunos,
Decidiram conversar com
O policial e os relatos
Foram condizentes
Com o delito ocorrido:
Um estagiário oferecia notas
E ensino mais eficiente
Aos alunos em troca
De que aceitassem
Serem tocados intimamente
Por ele,
E lhe dessem prazer,
Os atos eram os mais variados
E íntimos.
Tomado o depoimento,
O soldado foi até o fórum
E apresentou o relato
Ao processo,
O tio foi, só então, livre
De toda a acusação
E teve liberdade para retornar
Ao lar e receber o perdão
Da irmã.
O estagiário,
Menor de idade,
Foi encaminhado para depoimento,
E os pais das crianças
Tiveram conhecimento
De toda a situação.

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