“amor você está bem?”
Meu amor
Me acordou está noite
Assim,
Chacoalhando meu ombro,
Me abraçando pela cintura.
Eu suava frio,
De alguma maneira
Senti medo
E entrei num pesadelo
Como se estivesse
Em um túnel
E não soubesse
Como sair,
Ir pra frente
Não levava a lugar algum,
Ir para o lado
Dava em nada.
Eu estava insegura,
Então, alguém disse,
“Estou indo, você vem?”
E eu acordei,
Então, estava com
Ambas as mãos unidas,
Como se daquele instante
Pra frente,
Eu fosse puxada
Por um helicóptero
E retirada daquele túnel,
Por uma corrente
Agarrada a algemas
Que me prendiam.
Não haveria cuidados,
Era só me puxar
Para fora,
Contra aquele teto escuro,
De parede pesada e difícil,
Era simplesmente
Pendurar a corrente
Em minhas algemas e puxar
No ar
Feito um objeto,
A voar pelo escuro imenso.
Quando abri a boca
De espanto
Meu marido estava
Ao meu lado,
Ele me abraçou,
Me segurou,
Me amparou,
Foi minha luz
No escuro frio e imenso,
Me impediu de
Me empurrar para trás
E me ferir contra a parede
Em razão do pesadelo,
Foi bom ter alguém,
Foi ótimo ele estar comigo,
Mas, agora, bem acordada
E fora de casa
Eu não tenho como evitar
Olhar para todos os lados
E sentir medo,
Buscar nos olhos
De cada estranho,
Cada rosto conhecido,
E nem tanto confiável,
Quem teria coragem
De me puxar daquela forma,
Me arremessar
Contra a parede,
Ne enfiar contra o teto,
Algemar minhas mãos
No escuro profundo,
Quem destes rostos
Que há tantos anos vejo
E menos os reconheço.
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