sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Arremessada contra você

“amor você está bem?”
Meu amor
Me acordou está noite
Assim,
Chacoalhando meu ombro,
Me abraçando pela cintura.
Eu suava frio,
De alguma maneira
Senti medo
E entrei num pesadelo
Como se estivesse
Em um túnel
E não soubesse
Como sair,
Ir pra frente
Não levava a lugar algum,
Ir para o lado
Dava em nada.
Eu estava insegura,
Então, alguém disse,
“Estou indo, você vem?”
E eu acordei,
Então, estava com
Ambas as mãos unidas,
Como se daquele instante
Pra frente,
Eu fosse puxada
Por um helicóptero
E retirada daquele túnel,
Por uma corrente
Agarrada a algemas
Que me prendiam.
Não haveria cuidados,
Era só me puxar
Para fora,
Contra aquele teto escuro,
De parede pesada e difícil,
Era simplesmente
Pendurar a corrente
Em minhas algemas e puxar
No ar
Feito um objeto,
A voar pelo escuro imenso.
Quando abri a boca
De espanto
Meu marido estava
Ao meu lado,
Ele me abraçou,
Me segurou,
Me amparou,
Foi minha luz
No escuro frio e imenso,
Me impediu de
Me empurrar para trás
E me ferir contra a parede
Em razão do pesadelo,
Foi bom ter alguém,
Foi ótimo ele estar comigo,
Mas, agora, bem acordada
E fora de casa
Eu não tenho como evitar
Olhar para todos os lados
E sentir medo,
Buscar nos olhos
De cada estranho,
Cada rosto conhecido,
E nem tanto confiável,
Quem teria coragem
De me puxar daquela forma,
Me arremessar
Contra a parede,
Ne enfiar contra o teto,
Algemar minhas mãos
No escuro profundo,
Quem destes rostos
Que há tantos anos vejo
E menos os reconheço.

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