terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Pesadelo

A chuva me tirou cedo
Do sono,
Eu nem a agradeci,
Mas no pesadelo
Em que eu estava,
Sei lá,
Morri.
Sonhei que eu
Estava deitada
Sobre minha cama,
Envolta num lençol branco,
Me chacoalhava
De um lado para o outro.
Nisto o escuro da noite chegou,
Aos poucos me envolveu,
Foi como se consumisse
Todas as outras cores
E assim que me tocou
Me abraçou.
Um abraço que sedento
Não soltava
Até que eu parei de respirar,
E meu peito parou de bater,
Foi estranho,
Mas me vi numa floresta
Sobre folhas secas,
Lá eu era um tronco,
De forquilha com o miolo bom
O resto se decompondo.
Então, o escuro chegou lá
E me pegou,
Eu de tronquinho
Levantei do chão sujo,
E meus lados começaram
A esmigalhar feito pó.
Era como se algo
Corresse os dedos
Por meu corpo
E levasse toda eu
De pouco a pouco.
Farelo por farelo,
Até restar só o meio
E então o nada.
Se eu fosse pessoa
Eu choraria,
Porém, tronco acordei
E feito ele,
Nem pensei.
Retiraram a minha casca
E eu era um louro,
Esmigalharam meus contornos
E eu estava podre,
Eu não podia chorar,
Eu nem sentia dor,
Eu não pude reclamar,
Eu não tinha lábios
Nem ao menos olhos,
Podre me decompus
Até não haver mais nada
Naquele escuro predador.
Quando penso no pesadelo,
Eu sinto temor
E queria ter um alguém perto
Pra me dar amor,
Não sei se é instinto,
Mas, queria fazer sexo,
Talvez, até ter filhos,
Um marido,
Um casamento,
Me falta algo,
Algo que faria sentido.

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