quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Seu Alicerce

Passei naquela rua,
De calçada de pedras,
Flores nos arredores
E aquele homem...
Aquele que desejo
Já faz algum tempo,
Aquele que passei
Sem querer
Ou ter o que fazer,
Colhi um lírio
E ao levantar meu olhar,
O vi.
A vidraça estava limpa,
E ele estava na sala
Em frente ao sofá
Fazendo flexão
No chão de tapete indiano,
Foi lindo.
De disparar o coração,
De desistir da flor,
Se me imaginar
Muito mais perto,
Então, não disfarcei
Olhei sem cabimento,
Pudor ou palavras.
Levei o lírio até os lábios
E o beijei,
Absorvi aquele cheiro,
E desejei que aquele vidro
Não existisse.
Quis ser aquele chão,
Que a cada flexão
O tinha tão próximo
Até que de cansaço
E suor ele caísse no solo
E ficasse sobre mim apenas,
Um piso suado,
Um tapete molhado
E nós dois juntos,
Seria o máximo
Dos meus desejos,
Se eu me contentasse
Em dispor de apenas
Seu peso,
Seu suor,
Mantê-lo.
Sustentar o grande homem,
O objeto dos meus desejos,
O sonho mais próximo,
O vizinho da casa ao lado.
Mas não sou disso,
De apenas isso,
Desejei mais,
Desejei ser aquela luz
Das noites escuras,
Em que ele acorda
E busca pela parede.
Tateia as escuras,
Até me encontrar
Moldada a parede
Feito um alicerce,
Um auxílio
E mais nada.
Aí ele me encontra,
Busca meu corpo,
Gosta do meu calor
E fica.
Me abraça forte,
Me protege,
Me beija,
E perde o sono,
Por horas e dias,
Por tempo indeterminado
Nos amamos.

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