terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Dia de Domingo

Teve a vez
Em que precisei
Da Unidade de Saúde,
Eu não me achava esperto,
Aqueles meus cachos
De cabelo escuro
Escondendo minha pele
Escura
E meus olhos vívidos
E marrons eram comuns.
Contudo, a enfermeira
Antes de me atender
Precisou chamar a chefe
Geral que por sua vez,
Estava de intervalo,
Já o médico residente
Estava de férias
Enquanto o outro era plantonista,
Mas, teve poucas horas
De estágio na universidade
E não tinha experiência
Com quebraduras tão evidentes.
Eu disse, a ele:
“Senhor, bati o carro
E minha perna dói,
Mas não parece, exatamente,
Quebraduras”.
Assim, que o alcancei,
 Correndo a mancar
Pelo corredor do hospital
E toquei seu ombro
E mostrei a perna avermelhada
E já evidenciando inchaço.
“Não sei,
Você precisa passar
No departamento administrativo,
Apresentar documentação
E preencher entrada hospitalar
Para que eu possa lhe dar
Assistência médica válida “.
Ele falou,
Colocando seus olhos
Azuis brilhantes na
Minha perna,
Depois seguiu
Para a sua sala.
“Senhor não entendi
De assistência,
Mas, compreendendo
De dor,
Queria um calmante.”
Imediatamente,
Uma enfermeira
Tocou meu ombro
E me levou a secretaria
Onde preenche dados
E assinei.
Depois disso,
Recebi injeções de remédios
Contra a dor
E sai do hospital
Com horário marcado
Para fazer um exame de raio-x.
Ótimo,
Me sentia melhor,
Ao menos ganhei
Um atestado médico,
Estaria de folga
Nos próximos 7 dias
Do trabalho,
E descansaria até curar
A dor.
No decorrer,
Meu carro foi guinchado
Para o serviço de ferro velho,
Não prestou mais,
As imagens dele
Foram encaminhadas
Para eu.
O estado dele
Era deplorável,
Daria para jurar
Que morri,
Contudo, o raio-x
Não apresentou fratura,
Mas a dor persistiu,
Uma tomografia foi agendada.
Mais 7 dias de atestado
Médico eu recebi
Assim que apresentei
O raio-x ao médico
E falei da dor que sentia.
Feita a tomografia,
Também não foi evidenciado
Fratura ou nada incomum,
Voltei ao trabalho,
Eu era motorista de vam infantil,
Todo dia buscava as crianças
No mesmo trajeto
E as levava a escola.
Mas a dor aumentou,
Até se tornar insuportável,
Com o tempo
Meus movimentos diminuíram,
Antes eu descia
Ajudava as crianças
A irem para a escola,
Pegava elas no colo,
Levava até dentro
Da escola,
Agora, minha mobilidade
Não me permitia
Abrir os braços.
Uma dor insuportável
Me acometeu depois daquele
Maldito acidente
Em que um carro se chocou
Contra o meu
Em uma maldita ultrapassagem
Arriscada e rápida.
Tudo que fiz,
Naquele domingo
Foi lavar o carro
Num posto de lavagem
Que fazia este serviço,
Feliz, decidiu
Ir tomar café no mercado,
Foi no trajeto
Que perdi o automóvel
E passei o resto do dia
No hospital
Sem sentir nada,
Exceto uma dor insuportável.
Agora, dirigindo
Com os braços
Quase imóveis
Não podia ajudar
As crianças
As pegando no colo
Para passar para fora,
Nem isso.
Tentei me movimentar,
E caminhar as tornou difícil.
Meus músculos doíam
E quando percebi,
Em questão de meses atrofiaram.
Então, fui buscar minha dor,
Gastei os últimos trocados
Que tinha num outro carro
E refiz o caminho.
Sem doença e sem atestado,
Sem salário,
Só aquela alternativa:
Saber o que houve comigo.
Eu fui,
Esperei o domingo,
Levei naquele posto de
Lavagem,
Retornei até em casa
E investigue tudo
Lá dentro minuciosamente,
Havia lá bernes.
Ok, os bernes
Me fariam passar mal,
Aliás, bernes entram
Na pele humana e
Se alimentam dela
E de tudo que há lá dentro.
Ok, então o acidente
Foi um aviso
Sobre minha inevitável morte,
Tudo que precisava
Era ir aquele hospital
Outra vez,
O hospital que cobrou caro
Por tão pouco que fez.
O hospital que demorou
Quase 24 horas
Para me atender
Por não ter médico especializado,
Nem quis amenizar
O que eu sentia,
Só me cobrou documentos
E valores imediatos,
E soube pedir exames.
Bem,
Se eu achei que anteriormente
Eles pediram exames,
Me enganei,
Desta vez pediram
Mais de 25 tipos de exames:
“fezes, urina, sangue, pele...”.
Além disto,
Atendiam pessoas
Com todo tipo de mazela
Naquele local,
Gente perdendo pulga
Pelo chão
De tanto que sua pele
Estava consumida
De “panelas de pulgas”.
Outros chacoalhavam
Piolhos de seus cabelos
Nos que passavam,
Alguns estavam com
“coça, coça”
 Sabe-se Deus o que
Era isto.
E eu, com meus bernes
Morrendo de dor,
E perdendo minha mobilidade
Corporal.
Resultado disso,
É que a tudo
Estive exposto
Naquele ambiente,
No entanto, eles
Recebiam atendimento
Por convênio de incapacidade
De pagar o hospital,
Enquanto, eu tive
De tirar do bolso
Meus últimos trocados
E pagar
Caso contrário não teria
Atendimento,
Isto quer dizer,
Que eu poderia morrer
Lá fora.
Bem, foi-me recomendo
A fisioterapia,
Na sala de espera
Descobri que o gel
Usado para massagem
Fisioterapeuta
Provinha de resfriados gripais,
Vez que se tratava de muco nasal.
Quase morri de nojo,
Contudo, nada
Pude fazer
Porquê minhas evidências
Não eram concretas.
Além disto,
Soube que meu carro
Foi desmanchado e virou
Poste de construção,
Por isso, o dono do ferro velho
Teria agido em conjunto
Destes dois locais
Anteriores.
Para levar meu carro
Para desmanche
E eu perde-lo,
E quanto a minha vida?
Nenhum valor tinha
Para ele.
Peguei meu formulário
De entrada naquele local,
Exames e outros documentos
E fugir de lá.

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