Quando se é menina,
A gente carrega sonhos
De adolescente,
Na nécessaire de maquiagem,
E então,
Ouve aquele boato
Sobre seu último garoto
Que falou algo do qual
Você tenha desgostado,
Nesta época,
Você devolve na mesma moeda,
Prova veneno com veneno,
E leva adiante um fuxico,
Sem ir até a pessoa
E descobrir se é verdade
Ou mentira.
Porquê se tem idade
Para isto,
E devolver fuxico
Com maldade é o bastante,
Contudo, quando você
Amadurece
E coloca na nécessaire
Esmaltes de unha,
Perfume e até mesmo
Um hidratante corporal,
Ver o outra uma calcinha,
Ou um absorvente diário,
Nesta época,
Os fuxicos deixam
De ser ouvidos
E devolvidos,
E você passa a repensar
No que houve
Para a história se desvirtuar
Desta maneira desmedida,
O por que de determinado boato
E os efeitos disto
Sobre você mesma,
Nesta data você para
De destilar venenos
E recata palavras,
Contém frases,
Evita olhares
E corta a conversa.
Mais tarde,
Você acrescenta um celular
A sua nécessaire favorita,
Aí neste instante,
Os boatos lhe dão náusea,
Tiram a fome,
Despertam dores de cabeça,
Aí você decide
Ir até a pessoa
E buscar respostas,
Já não basta a conversa
Que chegou até você,
Você ouve o fuxiqueiro,
Retém os motivos dele,
E vai atrás do outro
Para resolver de verdade
O problema que você
Tanto alongou
Que tomou proporções
Que agora não parece
Que você nunca se importou
Anteriormente
Ou tentou evitar a catástrofe.
Tudo gira no seu entorno
Feito uma fita de dois lados
Que gravada não muda os fatos,
Só repete e repete sem parar,
Aí você quer voltar
Lá atrás
Ter novamente seus quinze anos,
Depois vinte,
E depois tantos,
Bem...
Não se tem tanto tempo,
Nem disponibilidade
Para se achar tudo importante,
Rever nomes,
Repensar atitudes,
Cobrar favores pendentes,
Exigir desculpas,
Discutir boatos,
Devolver tapas guardados,
Gritar toda a mágoa,
Excluir amizades,
Desfazer intrigas,
Evitar que conversas
Se perpetuem.
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