Quem vê este sorriso aqui
Não diz
Quantas vezes
Olhei para a sua face
E me vi te comer,
Rolar minha língua
Por sua língua
E mordiscar ela
Até seu sangue escorrer
Entrar por minha garganta
E meu estômago
Te querer,
Roncar de vontade
Então, eu me vejo
Te morder
Arrancar um pedacinho
E olhar em seus olhos
Para sorrir,
Enquanto seu corpo treme
E você reclama da dor,
E eu passo minha unha
Por seu pescoço
E corto sua veia
Até vê-la esguichar,
Você se assusta
E eu sorrio bem alto,
Lhe pego pelo seio
E você implora
Por sua vida,
E eu lhe digo:
“Mas não é até a morte?”
Eu sorrio,
Você chora,
Eu te como,
Você some,
Eu apareço,
Pego sua família,
Guardo sua carne
Para me evidenciar
Mais tarde,
Faço fotos sociais,
E ganho mais gente
No churrasquinho
Em que sirvo
Sua carne
Para seus amigos,
Jogo fora seus ossos,
E substituo a sua carne
Pela dos outros,
Você,
Na minha pilha de ossos
Não se torna
Nem história,
Logo chega o dia
Em que ninguém recorda
Que você existiu
E seu último amigo
Sai da lista de minha carne
Favorita,
Porquê eu já tenho outros,
E esqueço preferências.
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