Te amo,
Minha vida.
Disse Pamela,
Com um beijo
De despedida
Nos cabelos de Ronte,
No lado de sua cabeça,
Encostado na orelha.
Então, o deixou dormindo
E saiu,
Foi a padaria
Para comprar pães,
E alimentos
Para o café.
Era início do dia,
Não quis acorda-lo,
O sol soltava
Seus primeiros raios,
O calor lhe batia
Na pele.
Num instante
De desconforto,
Foi olhar para o lado,
Organizar o cinto de segurança,
Nisto chocou-se
Contra o canteiro de flores
Central da rua.
Vendo seu carro
Voar pelos ares
Desejou não estar sozinha,
Desejou ter esperado
Seu esposo acordar,
Desejou ter chamado
Ele para irem juntos,
Desejou, a todos custo
Não morrer.
Tentou alcança-lo,
Sua imagem
Lhe veio nos olhos,
Não quis ver aquele carro
Se chocar no asfalto,
Odiou cada farelo de vidro
Que se jogou por toda a parte.
Odiou as buzinas
No seu entorno,
Odiou a falta de quem
Tanto amava,
E pela última vez
O deixou sozinho
Com uma promessa
E um beijo,
Enquanto dormia.
Está chance
Não se repetiria,
Clamou a Allah,
Ajuda para resistir,
Então, odiou o sangue
Que escorreu de sua pele
De seus ossos,
A dor que parecia dilacerar,
E o sangue
Que escorreu dentro do carro,
Por fim,
Mais que tudo
Odiou a imagem
De seu esposo
Ser substituída
Paulatinamente,
Por um vulto escuro,
Seus olhos se fecharam
Pela última vez,
Teve tempo de odiar
O escuro que tomou
Suas vistas
E retirou seu esposo de lá.
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